MIDRSEDECDPMProjetosFERAHClima-SINCheias de projeto
Estudo concluído · resultados congelados em 11/09/2026 (v1.0) e 13/09/2026 (relatório integrado) · nota técnica em minuta · interface em uso interno
Clima-SIN · vazões máximas e cheias de projeto
A cheia de projeto deixou de ser um número fixo
Quanto as vazões máximas afluentes às 136 usinas do Sistema Interligado Nacional podem mudar com o clima, e quanto dessa resposta sobrevive a refazer a conta de outro jeito defensável
Estudo concluído e congeladoNota técnica em minuta · sistema em uso interno25 modelos climáticos × 4 cenários × 9 distribuições × 3 estimadoresAtualizado em 02/10/2026
Um vertedouro é dimensionado para uma cheia de projeto: a vazão de 1.000 ou de 10.000 anos de tempo de retorno, estimada a partir da série histórica. A premissa silenciosa é que o clima que gerou a série é o mesmo que a estrutura vai enfrentar. O Clima-SIN mediu, bacia a bacia, o que acontece quando essa premissa deixa de valer.
A resposta tem duas metades inseparáveis. No cenário mais quente, a cheia de 1.000 anos sobe 25,8% na mediana das usinas, e a vazão que hoje ocorre uma vez a cada mil anos passa a ocorrer a cada 131. Mas o mesmo cálculo, refeito com outra distribuição, outro estimador ou outro modelo climático, tem uma faixa de 11 a 3.677 anos. Esta página mostra os dois lados, sempre juntos.
FERAH · Clima-SIN · cheia de 1.000 anos · SSP5-8.5 · 2071–2100
O resultado central em um mapa. Cada círculo é uma usina; a cor é a mudança da cheia de 1.000 anos (mediana de 25 modelos climáticos); a borda escura marca as 41 usinas em que o sinal supera a incerteza climática, a estatística e a amostral ao mesmo tempo. Figura elaborada a partir das tabelas congeladas do relatório integrado (versão de dados 2026.09.003).
136
usinas analisadas para cheias de projeto
de 163 catalogadas e 147 calibradas; 116 com capacidade de extravasor cadastrada
2,88 milhões de ajustes de frequência, com a aderência e a incerteza de cada um
+25,8%
na cheia de 1.000 anos, SSP5-8.5, 2071–2100
mediana entre usinas; +21,0% na de 100 anos e +28,5% na de 10.000
7,6×
mais frequente a cheia que hoje é a de 1.000 anos
passa a ser a de 131 anos; faixa P10–P90 de 11 a 3.677 anos
37,5%
das usinas com sinal robusto na cheia de 200 anos
o máximo da curva de robustez; 18,4% na de 10.000
Fonte: relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica do SIN (DEC-024, 13/09/2026), gerado por código a partir dos arquivos congelados; nenhum número foi digitado à mão.
A pergunta
Entre "a vazão máxima aumentou" e "a barragem está em risco" há seis etapas; este estudo cobre a primeira
O estudo responde a uma pergunta única: como a mudança do clima poderá alterar a magnitude e a frequência das cheias nas bacias das usinas do SIN, e quanto dessa resposta depende das escolhas estatísticas e da cadeia de modelagem que a produziram. Não são dois estudos lado a lado: a cada alteração projetada corresponde a medida de quanto ela sobrevive a refazer a conta de outro jeito.
O produto é um estudo de solicitação hidrológica. Ele mede quanto as vazões máximas afluentes aos reservatórios podem mudar e com que confiança se pode afirmar isso. Ele não é uma avaliação de segurança de barragem: essa exige a cheia e o hidrograma de projeto originais, a curva de descarga em função do nível, a borda livre, as regras operativas e a confiabilidade das comportas, e nada disso está no alcance do estudo. Nenhuma usina é declarada segura ou insegura; o produto final é uma fila de prioridade para estudo.
A premissa que deixou de valer é a estacionariedade: a hipótese de que a série de 1931 em diante descreve o clima que a estrutura enfrentará em 2080. O relatório mostra que a própria série observada já não é estacionária em boa parte dos reservatórios, e que a cheia de projeto é a grandeza mais sensível ao clima, não a menos.
Vertedouro de Itaipu. Foto: Deni Williams, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. A usina está entre as 136 analisadas; a cheia de 1.000 anos projetada para ela muda +3% na mediana, sem sinal robusto.
A cadeia de sete conceitos, e até onde o estudo chega
2 · Excedência de um limiara vazão supera um valor fixo com outra frequênciaalcança
3 · Capacidade do extravasorquanto a estrutura verte em função do nívelparcial: capacidade nominal de 116 usinas
4 · Resposta do reservatórioamortecimento, nível inicial, operação das comportasnão alcança
5 · Galgamentoo nível supera a cristanão alcança
6 · Probabilidade de falhao galgamento leva à rupturanão alcança
7 · Riscoprobabilidade combinada com consequências a jusantenão alcança
Tabela 17 do relatório integrado. A variável de decisão correta para segurança é o nível máximo do reservatório, não a vazão afluente; este estudo produz vazão afluente.
Oito resultados
O que o relatório integrado estabelece, na ordem em que estrutura o texto
1
+28,5%
O sinal cresce com a raridade
SSP5-8.5, fim do século: +21,0% na cheia de 100 anos, +25,8% na de 1.000, +28,5% na de 10.000. A cauda é a região mais afetada, não a menos.
2
7,6×
A mesma vazão ocorre muito mais vezes
A cheia de 1.000 anos passa a ser a de 131 anos; a de 10.000, a de 569 (17,6×). Em 95,6% das usinas o limiar fica mais frequente. Faixa P10–P90: 11 a 3.677 anos.
3
100%
A incerteza climática domina o sinal
Dispersão entre os 25 modelos de 0,257 em log na cheia de 1.000 anos, contra 0,089 da escolha de distribuição e estimador. Trocar a distribuição não muda a conclusão sobre a mudança.
4
41,6 vs 40,6%
A estatística decide o número; o clima, a mudança
No nível do quantil de 1.000 anos, a família explica 41,6% da variância e o modelo climático 40,6%; no fator de mudança, 4,5% e 65,4%.
5
37,5%
A robustez tem um máximo
A fração de usinas em que o sinal supera todas as incertezas sobe até a cheia de 200 anos (37,5%) e cai para 18,4% na de 10.000. O melhor lugar para afirmar a mudança é a faixa de 100 a 200 anos.
6
+40 / −6%
O gradiente regional vai nas duas direções
Cheia de 1.000 anos: Sul +40,0% (62,5% robustas), Sudeste/Centro-Oeste +23,2%, Nordeste +8,7%, Norte −6,2%. Atlântico Sul +42,4%; Amazônica +2,4%.
7
18 → 55
A solicitação cruza a capacidade registrada
Entre 116 usinas com capacidade cadastrada, a razão pico da cheia de 1.000 anos ÷ capacidade passa de 0,73 para 0,95 na mediana; 37 cruzam a unidade só no futuro. Prioriza, não dimensiona.
8
71,6%
A série não determina se a cheia tem teto
Em 71,6% dos reservatórios o intervalo de 90% do parâmetro de forma da GEV contém o zero. Por isso o estudo reporta faixas, e não um número de projeto.
A recomendação de maior valor prático. Use o fator de mudança, não o nível. O produto defensável é a razão entre a vazão futura e a de referência calculada com a mesma família, o mesmo estimador e o mesmo modelo climático nos dois lados, porque nela o viés estrutural se cancela. Aplique esse fator sobre a cheia de projeto que o empreendimento tem documentada, não sobre a vazão que este estudo estima.
O sinal cresce com a raridade
A cheia de dois anos quase não muda; a cheia de projeto é a que mais muda
O contra-argumento mais comum contra revisar cheias de projeto é que as séries observadas não mostram tendência. O resultado abaixo é a verificação empírica, com dados brasileiros e cadeia hidrológica completa, de por que o argumento não vale: a cheia frequente, que domina as estatísticas de tendência, é a menos afetada; a cheia rara, que ninguém observou o bastante para detectar tendência, é a mais afetada.
Monotônico em todos os cenários. No SSP5-8.5 a diferença entre a cheia de dois anos (+7,3%) e a de dez mil (+28,5%) é de vinte e um pontos percentuais. Mesmo o cenário que cumpre o Acordo de Paris projeta +11,9% na cheia de 1.000 anos, com 94,1% das usinas em aumento: a diferença entre trajetórias não é entre aumentar e não aumentar, é entre aumentar 12% e aumentar 26%.
Quando os cenários se separam. Até 2040 as quatro trajetórias projetam o mesmo aumento; a divergência é da segunda metade do século. Resultados congelados v1.0 (síntese QDM, mediana do conjunto).O mesmo padrão na síntese v1.0. O crescimento com a raridade aparece tanto na síntese congelada em 11/09 (um método, uma distribuição) quanto na grade completa do relatório integrado (nove famílias, três estimadores).
Estiagens e cheias no mesmo quadro. O sinal das estiagens já está posto no primeiro período; o das cheias raras cresce ao longo do século. É o regime inteiro que se deforma, e as duas pontas andam em direções opostas.
O país em mapas
Forte no Sul, atenuado no Centro, negativo no Norte: o mesmo gradiente da literatura independente
Cheia de 100 anos, SSP5-8.5. +21,0% na mediana. O padrão espacial é o mesmo da cheia de 1.000 anos do mapa de abertura, com amplitude menor.Quatro cenários, dois indicadores, um desenho. A estiagem (acima) piora em quase todo o país; a cheia centenária (abaixo) cresce no Sul e no Sudeste. A intensidade muda com o cenário; o desenho, não.
Agrupamento
usinas
mudança mediana da cheia de 1.000 anos
usinas com sinal ao menos robusto
Subsistema Sul
24
+40,0%
62,5%
Subsistema Sudeste/Centro-Oeste
81
+23,2%
25,9%
Subsistema Nordeste
8
+8,7%
0%
Subsistema Norte
6
−6,2%
0%
Região Atlântico Sul
9
+42,4%
88,9%
Região Atlântico Sudeste
17
+35,9%
41,2%
Região Uruguai
9
+33,5%
66,7%
Região Paraná
56
+24,3%
21,4%
Região Tocantins-Araguaia
6
+20,5%
0%
Região São Francisco
9
+9,4%
11,1%
Região Amazônica
8
+2,4%
12,5%
Tabela 10 do relatório integrado, SSP5-8.5, 2071–2100. A redução do Norte é reportada com o mesmo destaque do aumento do Sul; nenhuma das seis usinas do Norte tem sinal robusto. Para o Nordeste, a conclusão defensável é "não sabemos", e não "não muda".
Usina a usina
A mediana esconde a dispersão, e a dispersão importa para a decisão
Cada ponto é uma usina. No cenário mais quente, a faixa interquartil entre usinas vai de +15,8% a +39,5% na cheia de 1.000 anos: o quarto superior projeta aumento de mais de 40%. A cor diz quanto cada ponto sobrevive à incerteza.As vinte maiores mudanças. Dezenove das vinte têm sinal robusto. A terceira coluna compara vazão afluente natural com capacidade de defluência cadastrada, sem amortecimento nem regra operativa: é um indicador de prioridade de estudo, e as cinco ressalvas da seção "Solicitação e vertedouros" acompanham obrigatoriamente cada número.Razão sinal/incerteza por usina (Figura 9 do relatório). Lido linha a linha, o mapa mostra onde a mudança é afirmável e em que faixa de tempo de retorno: a cor esquenta nos extremos porque a incerteza amostral cresce mais depressa que o sinal.
Frequência, não só magnitude
Duas frases que dizem a mesma coisa e comunicam magnitudes muito diferentes
A língua da hidrologia
"A vazão da cheia de mil anos aumenta 25,8%"
Mediana entre as 136 usinas, SSP5-8.5, 2071–2100, fator de mudança pareado.
A língua da segurança
"A cheia que hoje é a de mil anos passa a ocorrer 7,6 vezes mais: a cada 131 anos"
Tempo de retorno equivalente de um limiar fixo, mediana em log sobre a grade de modelo × família × estimador, com limiar e probabilidade sempre da mesma combinação.
A assimetria é uma propriedade da cauda da distribuição, não um artefato de método: um aumento percentual modesto na vazão traduz-se em multiplicação da frequência por um fator de uma ordem de grandeza, porque a curva de frequência é achatada na região extrema. A métrica que comunica corretamente o problema a quem decide é a frequência. Reportar apenas "+25,8%" subestima dramaticamente a percepção do problema.
Figura 10 do relatório. Cada ponto do painel esquerdo é uma usina; o traço preto é a mediana. No cenário mais quente, 93,4% a 96,3% das usinas têm o limiar mais frequente.Por cenário. 3,1 vezes mais frequente no cenário de mitigação; 7,6 no mais quente. A faixa P10–P90 no SSP5-8.5 vai de 11 a 3.677 anos.
Cenário (2071–2100)
limiar da cheia de 100 anos
limiar da cheia de 1.000 anos
limiar da cheia de 10.000 anos
SSP1-2.6
—
322 anos (3,1×)
—
SSP2-4.5
—
275 anos (3,6×)
—
SSP3-7.0
—
160 anos (6,2×)
—
SSP5-8.5
28,7 anos (3,5×)
131 anos (7,6×)
569 anos (17,6×)
faixa P10–P90 no SSP5-8.5
5 a 226 anos
11 a 3.677 anos
21 a 69.610 anos
usinas com limiar mais frequente
93,4%
95,6%
96,3%
Três advertências obrigatórias. (1) O tempo de retorno equivalente é mal determinado por construção: 10% de incerteza no fator climático viram cerca de 33% de incerteza no tempo de retorno de um evento centenário; comunicá-lo como número único é enganoso. (2) Ele é potencialmente inflado: ajustar distribuições a janelas de trinta anos produz viés de frequência conhecido, e os valores devem ser lidos como limite superior. (3) Ele supõe que cada janela representa um clima estacionário. Um limiar excedido não é uma barragem galgada.
A incerteza, medida
Quatro quantidades, lado a lado: o sinal vence a estatística, mas não o desacordo entre modelos climáticos
Cada vazão de projeto futura sai com quatro medidas: a dispersão do fator de mudança entre os 25 modelos climáticos (incerteza climática), a dispersão entre as nove famílias e três estimadores (estatística do fator), a dispersão do nível do quantil (estatística do nível) e a incerteza amostral por bootstrap. Em 100% das usinas a incerteza climática domina o sinal; na cheia de 1.000 anos, 0,257 contra 0,089 em logaritmo.
Figura 7 do relatório. A estatística do fator (azul) é pequena em qualquer tempo de retorno: trocar a distribuição quase não muda a mudança. A estatística do nível (amarelo) e a amostral (verde) crescem com a raridade e ultrapassam o sinal na cheia de 10.000 anos.
A robustez tem um máximo. O melhor lugar para afirmar que a cheia de projeto está mudando é a faixa de cem a duzentos anos, não a de dez mil.A estatística decide o número; o clima decide a mudança. Decomposição dentro de um único cenário e horizonte, que separa a evolução temporal do sinal da incerteza propriamente dita.
Antes de qualquer clima: o que a série observada já não determina
Furnas, antes de qualquer clima (Figura 5 do relatório). O mesmo dado, 24 combinações defensáveis, e a cheia de 10.000 anos variando de 7.000 a 30.000 m³/s. É a razão estatística para reportar faixas em vez de um número.
Quanto a escolha estatística vale em cada tempo de retorno. Com o mesmo dado observado, a cheia de 1.000 anos varia 1,74 vezes entre distribuições; a de 10.000, quase duas vezes.Nenhuma família vence em todo lugar. Em 70 dos 141 reservatórios os seis critérios escolhem três famílias diferentes; em 71,6% a amostra não decide se a cheia tem teto.
As verificações
Seis testes que a maioria dos estudos não faz, e que mudaram a leitura dos resultados
NSE alto não garante cheia bem reproduzida. O modelo subestima a máxima anual em 11% na mediana, mas acerta a ordem dos anos. Por isso a vazão de projeto futura é o quantil observado multiplicado pelo fator de mudança do mesmo modelo (DEC-014), nunca o quantil simulado.Nenhum modelo serve para tudo. 7 modelos × 4 funções objetivo × 147 reservatórios; a dispersão entre modelos hidrológicos entra como fator próprio na decomposição de variância.A série observada não é estacionária, e a chuva não explica. Degraus sincronizados nas séries de vazão natural: um sinal não climático que se soma ao projetado (DEC-020), e que o tempo de retorno "observado" já carrega.Pico instantâneo e média diária não são a mesma grandeza. O fator medido na telemetria da ANA (DEC-022) é 1,04 na mediana das bacias do SIN; a fórmula de manual superestima. É o que torna a vazão comparável à capacidade de defluência.Um ano de cheia puxa o seguinte. Metade dos reservatórios rejeita independência; o bootstrap em blocos muda a incerteza amostral em menos de 15%.Validação independente (apêndice B). 38.070 pares quantil a quantil contra o código Java herdado da ANA, executado sobre as mesmas séries: GEV e Gumbel coincidem a oito casas decimais.
Solicitação e vertedouros
O indicador construível com o que há, e as cinco ressalvas que o acompanham
Feitas as ressalvas, existe um indicador construível com os dados públicos, e ele é útil para priorizar: a razão entre o pico estimado da cheia afluente natural e a capacidade de defluência cadastrada no ONS. Entre as 116 usinas com capacidade cadastrada, a mediana passa de 0,73 hoje para 0,95 ao fim do século no cenário mais quente; o número de usinas acima da unidade passa de 18 para 55, e 37 cruzam a unidade apenas no futuro.
Hoje e ao fim do século, usina a usina. Síntese v1.0, cheia de 10.000 anos, média diária. Indicador de prioridade de estudo, não de risco.Figura 14 do relatório. Vazão afluente natural com fator pico/média diária medido na telemetria da ANA, contra capacidade de defluência cadastrada no ONS; 37 usinas cruzam a unidade só no futuro.
Tempo de retorno
grandeza
mediana hoje
mediana 2071–2100
acima de 1 hoje
acima de 1 no futuro
cruzam a unidade
100 anos
pico instantâneo
0,56
0,67
4
20
16
1.000 anos
pico instantâneo
0,73
0,95
18
55
37
10.000 anos
pico instantâneo
0,89
1,25
43
75
36
As cinco ressalvas obrigatórias
Compara vazão afluente natural com capacidade de defluência: grandezas de naturezas diferentes.
Não há amortecimento de reservatório; a tabela é conservadora.
Não há regra operativa: abertura antecipada, esvaziamento preventivo e operação de cascata mudam o resultado, em geral para melhor.
A capacidade cadastrada pode estar no nível máximo normal e não no maximorum; treze reservatórios têm capacidade cadastrada abaixo da cheia de 100 anos observada, indício de problema de cadastro, não de insuficiência estrutural.
Para usinas em cascata, a cheia natural de montante não chega inteira.
Linguagem que o estudo autoriza, e a que não autoriza
"a solicitação hidrológica projetada supera a capacidade registrada"
"a cheia de 1.000 anos passa a ter tempo de retorno equivalente de 131 anos, com faixa de 11 a 3.677"
"usina prioritária para estudo complementar"
"vertedouro subdimensionado"
"risco de rompimento" ou "barragem insegura"
"probabilidade de galgamento"
Capítulo 14.5 do relatório integrado. A tabela mede quanto a solicitação se aproxima de uma referência de capacidade; ela não mede risco de galgamento e não deve ser citada como se medisse.
A fila de prioridade (Figura 15 do relatório). Cada eixo é a soma de critérios binários declarados; não é nota nem classe de risco. 59 usinas combinam agravamento projetado e lacuna de informação; 25 têm agravamento documentado com informação suficiente; 6 não têm prioridade imediata.
Conheça o sistema
As telas do Clima-SIN voltadas às vazões de projeto
Capturas reais da interface em uso interno no DPM (servidor de desenvolvimento local, 30/09 e 02/10/2026), com os resultados congelados carregados. Quatro telas: Visão geral, Reservatório, Nacional e Ajuda. Selecione uma imagem para ampliar.
Vazão de projeto pelo conjunto das 25 projeções. A amostra de conjunto, um valor por modelo e ano, permite escolher a distribuição pelos dados, comparar quatro estimadores e medir a incerteza por reamostragem de modelos inteiros; com o seletor "pico instantâneo", a vazão vira comparável à capacidade de defluência.Ampliar imagemNacional. Subsistemas, bacias, segurança de barragem e calibração em uma tela, com seletores de cenário, período e tempo de retorno.Ampliar imagemQuatro estimadores lado a lado. Fator sobre o observado, direto por modelo, pool com P05 e P95 e não estacionário, para que a diferença entre eles fique visível.Ampliar imagemReservatório: um por todas as lentes. Da série observada à vazão de projeto futura, com a calibração e a mudança projetada no meio.Ampliar imagemVazões de projeto do observado. Com o aviso explícito de quando o tempo de retorno pedido ultrapassa três vezes o comprimento da série.Ampliar imagemVisão geral. O acervo, o catálogo no mapa e a mudança nacional por indicador, cenário e período.Ampliar imagemEstacionariedade. O aviso de que comparar contra "a média histórica" pressupõe que ela exista, por índice e por reservatório.Ampliar imagemAjuda. Métodos, fontes e limitações, dentro do próprio sistema.Ampliar imagem
O mapa da Visão geral usa fundo cartográfico de terceiros (Esri, HERE, Garmin, OpenStreetMap), carregado pela internet quando o sistema está em uso. Nas capturas, o endereço interno do banco de dados foi ocultado.
Como funciona
Da projeção climática à vazão de projeto, em uma cadeia auditada
Vazão natural e forçante observada
Vazão natural do ONS desde 1931 para 163 reservatórios hidrorreferenciados na BHO, com controle de qualidade; chuva e evapotranspiração observadas da grade BR-DWGD por bacia total.
Calibração e teste na cauda
7 modelos chuva-vazão × 4 funções objetivo (4.116 ajustes); além do NSE, o viés das máximas anuais, a correlação das máximas e o split-sample entre a janela mais seca e a mais úmida.
25 modelos climáticos, 4 cenários, correção de viés
NEX-GDDP-CMIP6 recortado por bacia, corrigido por QDM no período de controle 1961–2014; séries diárias simuladas por modelo, cenário e horizonte.
Frequência com a incerteza anexada
Nove famílias × três estimadores por máximas anuais; seis critérios de seleção; bootstrap i.i.d. e em blocos; fator de mudança pareado (mesma combinação nos dois lados) e nível do quantil.
Vazão de projeto futura e seus indicadores
Quantil observado × fator de mudança; tempo de retorno equivalente; decomposição de variância; classe de robustez; conversão para pico instantâneo; razão contra a capacidade registrada; fila de priorização.
2,88 mi
ajustes de frequência na grade de 25 modelos × 9 famílias × 3 estimadores × cenários × horizontes × 136 usinas
3,87 TB
lidos do acervo NEX-GDDP-CMIP6 da NASA e descartados após o recorte por bacia; 88 GB gravados no servidor do MIDR
0,089 / 0,338
a incerteza estatística tem dois valores: 0,089 no fator de mudança e 0,338 no nível do quantil de 1.000 anos (DEC-023)
1,04
fator pico instantâneo / máxima média diária medido em 1.149 estações-ano da telemetria da ANA, mediana das bacias do SIN
Como usar o resultado
O que aplicar, sobre o quê, e o que não fazer com estes números
Para quem revisa cheias de projeto
Aplicar o fator, não o nível
Tomar o fator de mudança da usina (mediana e faixa P10–P90 entre modelos) e aplicá-lo sobre a cheia de projeto documentada do empreendimento. disponível
Usar a faixa de 100 a 200 anos como ancoragem da afirmação de mudança, onde a robustez é máxima. disponível
Resgatar a vazão de projeto original e o tempo de retorno do vertedouro: atividade de projeto, de maior relação impacto/esforço. pendente
Para a Defesa Civil
Priorizar estudos, não declarar risco
Fila de prioridade de 136 usinas em quatro quadrantes (agravamento documentado, agravamento e lacuna, lacuna de informação, sem prioridade imediata). disponível
Comunicar em frequência ("7,6 vezes mais frequente, com faixa"), não só em percentual. disponível
Acoplar à operação de reservatórios e à propagação para chegar ao nível máximo do reservatório, a variável de decisão. previsto
Para planejamento setorial
Ler o gradiente regional com a robustez ao lado
Sul e Atlântico Sul: aumento forte e robusto. Norte: redução sem robustez. Nordeste: "não sabemos". disponível
Mesmo o cenário de mitigação projeta aumento: a diferença entre trajetórias é de 12% a 26%, não entre mudar e não mudar. disponível
Produto por ottobacia fora do SIN, via regionalização dos fatores. uso potencial
O que não fazer. Não publicar o tempo de retorno equivalente sem a faixa. Não usar o quantil estimado neste estudo no lugar da cheia de projeto documentada. Não ler a razão contra a capacidade registrada como probabilidade de galgamento. Não comparar o nível do quantil entre famílias sem o jacobiano. E não esperar a mitigação para agir: o aumento sobrevive ao cenário mais otimista.
Método, dados e limitações
De onde vêm os números e com que cautela lê-los
Fonte
Instituição
O que fornece
Período
Vazão natural afluente aos reservatórios
ONS (dados abertos e histórico), confirmada pelo SAR/ANA
a série de referência diária das 163 usinas; máximas anuais para a análise de frequência
1931–hoje
Cadastros hidráulicos
ONS
capacidade nominal dos extravasores de 116 usinas (DEC-017)
vigentes
BR-DWGD (grade Xavier)
UFES e parceiros
chuva e evapotranspiração observadas por bacia, 0,1°
fator pico instantâneo / máxima média diária, 1.149 estações-ano (DEC-022)
2016–2025
BHO 2017 5k e divisões territoriais
ANA, IBGE
hidrorreferenciamento, área de drenagem, regiões hidrográficas e UF
edição 2017
Motor de máximas FERA/FERAH (Java)
ANA
validação independente dos quantis (apêndice B)
legado
Cautelas de interpretação
Vazão afluente natural, não defluência. O estudo não propaga a cheia pelo reservatório nem aplica regras operativas; a variável de decisão para segurança é o nível máximo, que ele não produz.
Janelas de trinta anos. Cada distribuição ajustada é condicional à janela; o tempo de retorno equivalente é potencialmente inflado e deve ser lido como limite superior.
Parâmetros calibrados no clima histórico. Vegetação e uso do solo podem mudar com o clima; o split-sample diferencial mede parte dessa fragilidade, não toda.
Cobertura desigual. 24 usinas no Sul contra 6 no Norte e 8 no Nordeste; as sínteses regionais carregam o n ao lado.
Correção de viés QDM. Preserva a mudança relativa dos quantis, mas a extrapolação para a cauda extrema depende da forma da cauda, que a amostra não determina em 71,6% dos casos.
Capacidade cadastrada. Pode estar referida ao nível máximo normal; treze casos abaixo da cheia centenária observada indicam problema de cadastro.
As cinco grandezas que não podem ser confundidas
Vazão natural: a que haveria sem os reservatórios a montante; é a série de referência.
Vazão afluente: a que chega ao reservatório, já afetada pela operação a montante.
Máxima média diária: o maior valor diário do ano; é o que a vazão natural registra.
Pico instantâneo: o máximo dentro do dia; é o que o vertedouro enfrenta. Fator medido: 1,04 na mediana do SIN.
Vazão defluente: a que sai pelo extravasor; depende do nível, da operação e do amortecimento.
Estágio e recomendações
O que está pronto, o que está em validação e as sete recomendações
Relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica (13/09/2026, DEC-024): 18 capítulos, 15 figuras, 25 tabelas, seis apêndices; versão de dados 2026.09.003; PDF e Word.
Quatro análises novas: tempo de retorno equivalente, decomposição dentro de cenário e horizonte, robustez do modelo hidrológico na cauda, validação contra o motor Java.
Sistema em uso interno: Visão geral, Reservatório, Nacional e Ajuda, com o painel do conjunto das 25 projeções e a conversão para pico instantâneo.
Em validação ou discussão
Nota técnica em minuta; relatório integrado como versão para discussão interna; sem parceria formal com ONS, ANA ou agentes setoriais.
Conferência cruzada dos quantis e das capacidades cadastradas por quem detém os projetos das usinas.
Interface sem endereço público; dados grandes no servidor do MIDR.
As sete recomendações do relatório
Aplicar o fator de mudança sobre a cheia de projeto documentada, não o nível estimado.
Resgatar documentalmente a vazão de projeto e o tempo de retorno dos vertedouros.
Comunicar em frequência, sempre com a faixa.
Ancorar as afirmações de mudança na faixa de 100 a 200 anos.
Corrigir o viés de frequência das janelas curtas (pendência metodológica).
Acoplar operação de reservatórios e propagação para chegar ao nível máximo.
Completar as 22 capacidades de extravasor faltantes e verificar o nível de referência das cadastradas.
Documentos e referências
Documentos do estudo e fontes do método
Os documentos abaixo estão no acervo do DPM em PDF, Word e Markdown; enquanto permanecem como versões para discussão interna, a disponibilização se dá por solicitação à Diretoria. Todos os números desta página saem das tabelas congeladas que os acompanham.
Relatório técnico
Relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica do SIN
13/09/2026, versão de dados 2026.09.003. Quatro partes, 18 capítulos, seis apêndices; números gerados por código.
Nota técnica (minuta)
Mudança do clima nas vazões naturais afluentes aos reservatórios do SIN
11/09/2026. Método, resultados v1.0 e limitações do estudo Clima-SIN.
Registro de decisões
DEC-001 a DEC-025
Cada decisão metodológica com data e motivo, de DEC-014 (vazões futuras = quantil observado × mudança) a DEC-024 (relatório integrado).
Dados congelados
resultados_v1.0 e tabelas do relatório
Síntese, segurança de barragem, incerteza (comparação, retorno, regional, decomposição), robustez, priorização, validação Java; CSV e Parquet.
Página irmã
Clima-SIN · cheias de projeto e segurança de barragens
Landing page anterior do mesmo estudo (30/09/2026), com foco na segurança de barragens e nas estiagens; esta página aprofunda as vazões máximas.
Referências de método
Hosking, J. R. M.; Wallis, J. R. Regional frequency analysis: an approach based on L-moments. Cambridge University Press, 1997.
Cannon, A. J.; Sobie, S. R.; Murdock, T. Q. Bias correction of GCM precipitation by quantile mapping: how well do methods preserve changes in quantiles and extremes? Journal of Climate, v. 28, n. 17, p. 6938–6959, 2015 (QDM). doi:10.1175/JCLI-D-14-00754.1.
Thrasher, B. et al. NASA Global Daily Downscaled Projections, CMIP6. Scientific Data, v. 9, 262, 2022. doi:10.1038/s41597-022-01393-4.
Gründemann, G. J. et al. Rarest rainfall events will see the greatest relative increase in magnitude under future climate change. Communications Earth & Environment, v. 3, 235, 2022. doi:10.1038/s43247-022-00558-8.
IPCC. Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Working Group I, Sixth Assessment Report. Cambridge University Press, 2021. ipcc.ch.
Milly, P. C. D. et al. Stationarity is dead: whither water management? Science, v. 319, p. 573–574, 2008. doi:10.1126/science.1151915.
Interagency Advisory Committee on Water Data. Guidelines for determining flood flow frequency, Bulletin 17B. USGS, 1982.
Mann, H. B. (1945); Kendall, M. G. (1975); Sen, P. K. (1968); Pettitt, A. N. (1979). Testes de tendência e de ponto de mudança usados no selo de estacionariedade.
Dados e marco institucional
ONS. Dados abertos: vazões naturais e cadastros hidráulicos. dados.ons.org.br.
Xavier, A. C. et al. New improved Brazilian daily weather gridded data (1961–2020). International Journal of Climatology, v. 42, n. 16, 2022. doi:10.1002/joc.7731.
Brasil. Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010 (Política Nacional de Segurança de Barragens), alterada pela Lei nº 14.066/2020. Planalto. Lei nº 12.608/2012 (PNPDEC). Planalto.
Glossário breve
Cheia de projeto
Vazão (ou hidrograma) de referência para o dimensionamento de uma estrutura, associada a um tempo de retorno; para vertedouros de grandes barragens, 1.000 a 10.000 anos ou a cheia máxima provável.
Tempo de retorno
Intervalo médio, em anos, entre ocorrências de um valor igual ou maior; o inverso da probabilidade anual de excedência.
Tempo de retorno equivalente
O tempo de retorno que um limiar fixo (a cheia de 1.000 anos de hoje) passa a ter sob a distribuição futura; a razão de frequência é o quociente entre os dois.
Fator de mudança
Razão entre o quantil futuro e o de referência, calculados com a mesma família, estimador e modelo climático; o produto defensável do estudo.
Nível do quantil
O valor absoluto da vazão de projeto em m³/s; depende fortemente da família de distribuição, ao contrário do fator.
Sinal robusto
Mudança projetada que supera, em módulo, a incerteza climática, a estatística e a amostral medidas para a mesma usina e tempo de retorno.
Momentos-L
Método de ajuste de distribuições robusto a extremos e adequado a amostras curtas; padrão em hidrologia regional.
QDM
Quantile delta mapping: correção de viés por quantis que preserva a mudança relativa projetada pelo modelo climático.
Pico instantâneo
Vazão máxima dentro do dia, a que o vertedouro enfrenta; a vazão natural registra a máxima média diária, e a conversão usa um fator medido.
Solicitação hidrológica
A vazão afluente que uma estrutura é chamada a conduzir; distinta de capacidade, galgamento, falha e risco.
Projeção e cenário
Segundo o IPCC, projeção é a resposta simulada a um cenário; cenário é uma descrição plausível de um futuro possível, não uma previsão.
Translation notes译文说明
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