Selo da Proteção e Defesa Civil do BrasilClima-SIN · CheiasFERAH · MIDR · SEDEC · DPM
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Estudo concluído · resultados congelados em 11/09/2026 (v1.0) e 13/09/2026 (relatório integrado) · nota técnica em minuta · interface em uso interno
Clima-SIN · vazões máximas e cheias de projeto

A cheia de projeto deixou de ser um número fixo

Quanto as vazões máximas afluentes às 136 usinas do Sistema Interligado Nacional podem mudar com o clima, e quanto dessa resposta sobrevive a refazer a conta de outro jeito defensável

Estudo concluído e congelado Nota técnica em minuta · sistema em uso interno 25 modelos climáticos × 4 cenários × 9 distribuições × 3 estimadores Atualizado em 02/10/2026

Um vertedouro é dimensionado para uma cheia de projeto: a vazão de 1.000 ou de 10.000 anos de tempo de retorno, estimada a partir da série histórica. A premissa silenciosa é que o clima que gerou a série é o mesmo que a estrutura vai enfrentar. O Clima-SIN mediu, bacia a bacia, o que acontece quando essa premissa deixa de valer.

A resposta tem duas metades inseparáveis. No cenário mais quente, a cheia de 1.000 anos sobe 25,8% na mediana das usinas, e a vazão que hoje ocorre uma vez a cada mil anos passa a ocorrer a cada 131. Mas o mesmo cálculo, refeito com outra distribuição, outro estimador ou outro modelo climático, tem uma faixa de 11 a 3.677 anos. Esta página mostra os dois lados, sempre juntos.

Mapa do Brasil com as 136 usinas do SIN como círculos coloridos pela mudança projetada da cheia de 1.000 anos ao fim do século no cenário SSP5-8.5: azul escuro no Sul e no Sudeste, com Chavantes +56%, Capivara +53% e G. P. Souza +83%; tons claros no Centro; Tucuruí próximo de zero e usinas da Amazônia em vermelho claro. Círculos com borda escura marcam as 41 usinas em que o sinal supera todas as incertezas medidas.
O resultado central em um mapa. Cada círculo é uma usina; a cor é a mudança da cheia de 1.000 anos (mediana de 25 modelos climáticos); a borda escura marca as 41 usinas em que o sinal supera a incerteza climática, a estatística e a amostral ao mesmo tempo. Figura elaborada a partir das tabelas congeladas do relatório integrado (versão de dados 2026.09.003).
136
usinas analisadas para cheias de projeto
de 163 catalogadas e 147 calibradas; 116 com capacidade de extravasor cadastrada
25 × 4
modelos climáticos × cenários
NEX-GDDP-CMIP6 v2.0: 29.850 arquivos-ano, 3,87 TB lidos
9 × 3
famílias de distribuição × estimadores
2,88 milhões de ajustes de frequência, com a aderência e a incerteza de cada um
+25,8%
na cheia de 1.000 anos, SSP5-8.5, 2071–2100
mediana entre usinas; +21,0% na de 100 anos e +28,5% na de 10.000
7,6×
mais frequente a cheia que hoje é a de 1.000 anos
passa a ser a de 131 anos; faixa P10–P90 de 11 a 3.677 anos
37,5%
das usinas com sinal robusto na cheia de 200 anos
o máximo da curva de robustez; 18,4% na de 10.000

Fonte: relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica do SIN (DEC-024, 13/09/2026), gerado por código a partir dos arquivos congelados; nenhum número foi digitado à mão.

A pergunta

Entre "a vazão máxima aumentou" e "a barragem está em risco" há seis etapas; este estudo cobre a primeira

O estudo responde a uma pergunta única: como a mudança do clima poderá alterar a magnitude e a frequência das cheias nas bacias das usinas do SIN, e quanto dessa resposta depende das escolhas estatísticas e da cadeia de modelagem que a produziram. Não são dois estudos lado a lado: a cada alteração projetada corresponde a medida de quanto ela sobrevive a refazer a conta de outro jeito.

O produto é um estudo de solicitação hidrológica. Ele mede quanto as vazões máximas afluentes aos reservatórios podem mudar e com que confiança se pode afirmar isso. Ele não é uma avaliação de segurança de barragem: essa exige a cheia e o hidrograma de projeto originais, a curva de descarga em função do nível, a borda livre, as regras operativas e a confiabilidade das comportas, e nada disso está no alcance do estudo. Nenhuma usina é declarada segura ou insegura; o produto final é uma fila de prioridade para estudo.

A premissa que deixou de valer é a estacionariedade: a hipótese de que a série de 1931 em diante descreve o clima que a estrutura enfrentará em 2080. O relatório mostra que a própria série observada já não é estacionária em boa parte dos reservatórios, e que a cheia de projeto é a grandeza mais sensível ao clima, não a menos.

Fotografia aérea do vertedouro da usina de Itaipu com as comportas abertas e a água em queda, em tom predominantemente azul e branco.
Vertedouro de Itaipu. Foto: Deni Williams, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. A usina está entre as 136 analisadas; a cheia de 1.000 anos projetada para ela muda +3% na mediana, sem sinal robusto.

A cadeia de sete conceitos, e até onde o estudo chega

1 · Solicitação hidrológicaa vazão afluente natural mudaalcança
2 · Excedência de um limiara vazão supera um valor fixo com outra frequênciaalcança
3 · Capacidade do extravasorquanto a estrutura verte em função do nívelparcial: capacidade nominal de 116 usinas
4 · Resposta do reservatórioamortecimento, nível inicial, operação das comportasnão alcança
5 · Galgamentoo nível supera a cristanão alcança
6 · Probabilidade de falhao galgamento leva à rupturanão alcança
7 · Riscoprobabilidade combinada com consequências a jusantenão alcança

Tabela 17 do relatório integrado. A variável de decisão correta para segurança é o nível máximo do reservatório, não a vazão afluente; este estudo produz vazão afluente.

Oito resultados

O que o relatório integrado estabelece, na ordem em que estrutura o texto

1
+28,5%

O sinal cresce com a raridade

SSP5-8.5, fim do século: +21,0% na cheia de 100 anos, +25,8% na de 1.000, +28,5% na de 10.000. A cauda é a região mais afetada, não a menos.

2
7,6×

A mesma vazão ocorre muito mais vezes

A cheia de 1.000 anos passa a ser a de 131 anos; a de 10.000, a de 569 (17,6×). Em 95,6% das usinas o limiar fica mais frequente. Faixa P10–P90: 11 a 3.677 anos.

3
100%

A incerteza climática domina o sinal

Dispersão entre os 25 modelos de 0,257 em log na cheia de 1.000 anos, contra 0,089 da escolha de distribuição e estimador. Trocar a distribuição não muda a conclusão sobre a mudança.

4
41,6 vs 40,6%

A estatística decide o número; o clima, a mudança

No nível do quantil de 1.000 anos, a família explica 41,6% da variância e o modelo climático 40,6%; no fator de mudança, 4,5% e 65,4%.

5
37,5%

A robustez tem um máximo

A fração de usinas em que o sinal supera todas as incertezas sobe até a cheia de 200 anos (37,5%) e cai para 18,4% na de 10.000. O melhor lugar para afirmar a mudança é a faixa de 100 a 200 anos.

6
+40 / −6%

O gradiente regional vai nas duas direções

Cheia de 1.000 anos: Sul +40,0% (62,5% robustas), Sudeste/Centro-Oeste +23,2%, Nordeste +8,7%, Norte −6,2%. Atlântico Sul +42,4%; Amazônica +2,4%.

7
18 → 55

A solicitação cruza a capacidade registrada

Entre 116 usinas com capacidade cadastrada, a razão pico da cheia de 1.000 anos ÷ capacidade passa de 0,73 para 0,95 na mediana; 37 cruzam a unidade só no futuro. Prioriza, não dimensiona.

8
71,6%

A série não determina se a cheia tem teto

Em 71,6% dos reservatórios o intervalo de 90% do parâmetro de forma da GEV contém o zero. Por isso o estudo reporta faixas, e não um número de projeto.

A recomendação de maior valor prático. Use o fator de mudança, não o nível. O produto defensável é a razão entre a vazão futura e a de referência calculada com a mesma família, o mesmo estimador e o mesmo modelo climático nos dois lados, porque nela o viés estrutural se cancela. Aplique esse fator sobre a cheia de projeto que o empreendimento tem documentada, não sobre a vazão que este estudo estima.

O sinal cresce com a raridade

A cheia de dois anos quase não muda; a cheia de projeto é a que mais muda

O contra-argumento mais comum contra revisar cheias de projeto é que as séries observadas não mostram tendência. O resultado abaixo é a verificação empírica, com dados brasileiros e cadeia hidrológica completa, de por que o argumento não vale: a cheia frequente, que domina as estatísticas de tendência, é a menos afetada; a cheia rara, que ninguém observou o bastante para detectar tendência, é a mais afetada.

Monotônico em todos os cenários. No SSP5-8.5 a diferença entre a cheia de dois anos (+7,3%) e a de dez mil (+28,5%) é de vinte e um pontos percentuais. Mesmo o cenário que cumpre o Acordo de Paris projeta +11,9% na cheia de 1.000 anos, com 94,1% das usinas em aumento: a diferença entre trajetórias não é entre aumentar e não aumentar, é entre aumentar 12% e aumentar 26%.
Quando os cenários se separam. Até 2040 as quatro trajetórias projetam o mesmo aumento; a divergência é da segunda metade do século. Resultados congelados v1.0 (síntese QDM, mediana do conjunto).
O mesmo padrão na síntese v1.0. O crescimento com a raridade aparece tanto na síntese congelada em 11/09 (um método, uma distribuição) quanto na grade completa do relatório integrado (nove famílias, três estimadores).
Estiagens e cheias no mesmo quadro. O sinal das estiagens já está posto no primeiro período; o das cheias raras cresce ao longo do século. É o regime inteiro que se deforma, e as duas pontas andam em direções opostas.
O país em mapas

Forte no Sul, atenuado no Centro, negativo no Norte: o mesmo gradiente da literatura independente

Cheia de 100 anos, SSP5-8.5. +21,0% na mediana. O padrão espacial é o mesmo da cheia de 1.000 anos do mapa de abertura, com amplitude menor.
Quatro cenários, dois indicadores, um desenho. A estiagem (acima) piora em quase todo o país; a cheia centenária (abaixo) cresce no Sul e no Sudeste. A intensidade muda com o cenário; o desenho, não.
Agrupamentousinasmudança mediana da cheia de 1.000 anosusinas com sinal ao menos robusto
Subsistema Sul24+40,0%62,5%
Subsistema Sudeste/Centro-Oeste81+23,2%25,9%
Subsistema Nordeste8+8,7%0%
Subsistema Norte6−6,2%0%
Região Atlântico Sul9+42,4%88,9%
Região Atlântico Sudeste17+35,9%41,2%
Região Uruguai9+33,5%66,7%
Região Paraná56+24,3%21,4%
Região Tocantins-Araguaia6+20,5%0%
Região São Francisco9+9,4%11,1%
Região Amazônica8+2,4%12,5%

Tabela 10 do relatório integrado, SSP5-8.5, 2071–2100. A redução do Norte é reportada com o mesmo destaque do aumento do Sul; nenhuma das seis usinas do Norte tem sinal robusto. Para o Nordeste, a conclusão defensável é "não sabemos", e não "não muda".

Usina a usina

A mediana esconde a dispersão, e a dispersão importa para a decisão

Cada ponto é uma usina. No cenário mais quente, a faixa interquartil entre usinas vai de +15,8% a +39,5% na cheia de 1.000 anos: o quarto superior projeta aumento de mais de 40%. A cor diz quanto cada ponto sobrevive à incerteza.
As vinte maiores mudanças. Dezenove das vinte têm sinal robusto. A terceira coluna compara vazão afluente natural com capacidade de defluência cadastrada, sem amortecimento nem regra operativa: é um indicador de prioridade de estudo, e as cinco ressalvas da seção "Solicitação e vertedouros" acompanham obrigatoriamente cada número.
Razão sinal/incerteza por usina (Figura 9 do relatório). Lido linha a linha, o mapa mostra onde a mudança é afirmável e em que faixa de tempo de retorno: a cor esquenta nos extremos porque a incerteza amostral cresce mais depressa que o sinal.
Frequência, não só magnitude

Duas frases que dizem a mesma coisa e comunicam magnitudes muito diferentes

A língua da hidrologia
"A vazão da cheia de mil anos aumenta 25,8%"

Mediana entre as 136 usinas, SSP5-8.5, 2071–2100, fator de mudança pareado.

A língua da segurança
"A cheia que hoje é a de mil anos passa a ocorrer 7,6 vezes mais: a cada 131 anos"

Tempo de retorno equivalente de um limiar fixo, mediana em log sobre a grade de modelo × família × estimador, com limiar e probabilidade sempre da mesma combinação.

A assimetria é uma propriedade da cauda da distribuição, não um artefato de método: um aumento percentual modesto na vazão traduz-se em multiplicação da frequência por um fator de uma ordem de grandeza, porque a curva de frequência é achatada na região extrema. A métrica que comunica corretamente o problema a quem decide é a frequência. Reportar apenas "+25,8%" subestima dramaticamente a percepção do problema.

Figura 10 do relatório. Cada ponto do painel esquerdo é uma usina; o traço preto é a mediana. No cenário mais quente, 93,4% a 96,3% das usinas têm o limiar mais frequente.
Por cenário. 3,1 vezes mais frequente no cenário de mitigação; 7,6 no mais quente. A faixa P10–P90 no SSP5-8.5 vai de 11 a 3.677 anos.
Cenário (2071–2100)limiar da cheia de 100 anoslimiar da cheia de 1.000 anoslimiar da cheia de 10.000 anos
SSP1-2.6—322 anos (3,1×)—
SSP2-4.5—275 anos (3,6×)—
SSP3-7.0—160 anos (6,2×)—
SSP5-8.528,7 anos (3,5×)131 anos (7,6×)569 anos (17,6×)
faixa P10–P90 no SSP5-8.55 a 226 anos11 a 3.677 anos21 a 69.610 anos
usinas com limiar mais frequente93,4%95,6%96,3%
Três advertências obrigatórias. (1) O tempo de retorno equivalente é mal determinado por construção: 10% de incerteza no fator climático viram cerca de 33% de incerteza no tempo de retorno de um evento centenário; comunicá-lo como número único é enganoso. (2) Ele é potencialmente inflado: ajustar distribuições a janelas de trinta anos produz viés de frequência conhecido, e os valores devem ser lidos como limite superior. (3) Ele supõe que cada janela representa um clima estacionário. Um limiar excedido não é uma barragem galgada.
A incerteza, medida

Quatro quantidades, lado a lado: o sinal vence a estatística, mas não o desacordo entre modelos climáticos

Cada vazão de projeto futura sai com quatro medidas: a dispersão do fator de mudança entre os 25 modelos climáticos (incerteza climática), a dispersão entre as nove famílias e três estimadores (estatística do fator), a dispersão do nível do quantil (estatística do nível) e a incerteza amostral por bootstrap. Em 100% das usinas a incerteza climática domina o sinal; na cheia de 1.000 anos, 0,257 contra 0,089 em logaritmo.

Figura 7 do relatório. A estatística do fator (azul) é pequena em qualquer tempo de retorno: trocar a distribuição quase não muda a mudança. A estatística do nível (amarelo) e a amostral (verde) crescem com a raridade e ultrapassam o sinal na cheia de 10.000 anos.
A robustez tem um máximo. O melhor lugar para afirmar que a cheia de projeto está mudando é a faixa de cem a duzentos anos, não a de dez mil.
A estatística decide o número; o clima decide a mudança. Decomposição dentro de um único cenário e horizonte, que separa a evolução temporal do sinal da incerteza propriamente dita.

Antes de qualquer clima: o que a série observada já não determina

Furnas, antes de qualquer clima (Figura 5 do relatório). O mesmo dado, 24 combinações defensáveis, e a cheia de 10.000 anos variando de 7.000 a 30.000 m³/s. É a razão estatística para reportar faixas em vez de um número.
Quanto a escolha estatística vale em cada tempo de retorno. Com o mesmo dado observado, a cheia de 1.000 anos varia 1,74 vezes entre distribuições; a de 10.000, quase duas vezes.
Nenhuma família vence em todo lugar. Em 70 dos 141 reservatórios os seis critérios escolhem três famílias diferentes; em 71,6% a amostra não decide se a cheia tem teto.
As verificações

Seis testes que a maioria dos estudos não faz, e que mudaram a leitura dos resultados

NSE alto não garante cheia bem reproduzida. O modelo subestima a máxima anual em 11% na mediana, mas acerta a ordem dos anos. Por isso a vazão de projeto futura é o quantil observado multiplicado pelo fator de mudança do mesmo modelo (DEC-014), nunca o quantil simulado.
Nenhum modelo serve para tudo. 7 modelos × 4 funções objetivo × 147 reservatórios; a dispersão entre modelos hidrológicos entra como fator próprio na decomposição de variância.
A série observada não é estacionária, e a chuva não explica. Degraus sincronizados nas séries de vazão natural: um sinal não climático que se soma ao projetado (DEC-020), e que o tempo de retorno "observado" já carrega.
Pico instantâneo e média diária não são a mesma grandeza. O fator medido na telemetria da ANA (DEC-022) é 1,04 na mediana das bacias do SIN; a fórmula de manual superestima. É o que torna a vazão comparável à capacidade de defluência.
Um ano de cheia puxa o seguinte. Metade dos reservatórios rejeita independência; o bootstrap em blocos muda a incerteza amostral em menos de 15%.
Validação independente (apêndice B). 38.070 pares quantil a quantil contra o código Java herdado da ANA, executado sobre as mesmas séries: GEV e Gumbel coincidem a oito casas decimais.
Solicitação e vertedouros

O indicador construível com o que há, e as cinco ressalvas que o acompanham

Feitas as ressalvas, existe um indicador construível com os dados públicos, e ele é útil para priorizar: a razão entre o pico estimado da cheia afluente natural e a capacidade de defluência cadastrada no ONS. Entre as 116 usinas com capacidade cadastrada, a mediana passa de 0,73 hoje para 0,95 ao fim do século no cenário mais quente; o número de usinas acima da unidade passa de 18 para 55, e 37 cruzam a unidade apenas no futuro.

Hoje e ao fim do século, usina a usina. Síntese v1.0, cheia de 10.000 anos, média diária. Indicador de prioridade de estudo, não de risco.
Figura 14 do relatório. Vazão afluente natural com fator pico/média diária medido na telemetria da ANA, contra capacidade de defluência cadastrada no ONS; 37 usinas cruzam a unidade só no futuro.
Tempo de retornograndezamediana hojemediana 2071–2100acima de 1 hojeacima de 1 no futurocruzam a unidade
100 anospico instantâneo0,560,6742016
1.000 anospico instantâneo0,730,95185537
10.000 anospico instantâneo0,891,25437536

As cinco ressalvas obrigatórias

  1. Compara vazão afluente natural com capacidade de defluência: grandezas de naturezas diferentes.
  2. Não há amortecimento de reservatório; a tabela é conservadora.
  3. Não há regra operativa: abertura antecipada, esvaziamento preventivo e operação de cascata mudam o resultado, em geral para melhor.
  4. A capacidade cadastrada pode estar no nível máximo normal e não no maximorum; treze reservatórios têm capacidade cadastrada abaixo da cheia de 100 anos observada, indício de problema de cadastro, não de insuficiência estrutural.
  5. Para usinas em cascata, a cheia natural de montante não chega inteira.

Linguagem que o estudo autoriza, e a que não autoriza

  • "a solicitação hidrológica projetada supera a capacidade registrada"
  • "a cheia de 1.000 anos passa a ter tempo de retorno equivalente de 131 anos, com faixa de 11 a 3.677"
  • "usina prioritária para estudo complementar"
  • "vertedouro subdimensionado"
  • "risco de rompimento" ou "barragem insegura"
  • "probabilidade de galgamento"

Capítulo 14.5 do relatório integrado. A tabela mede quanto a solicitação se aproxima de uma referência de capacidade; ela não mede risco de galgamento e não deve ser citada como se medisse.

A fila de prioridade (Figura 15 do relatório). Cada eixo é a soma de critérios binários declarados; não é nota nem classe de risco. 59 usinas combinam agravamento projetado e lacuna de informação; 25 têm agravamento documentado com informação suficiente; 6 não têm prioridade imediata.
Conheça o sistema

As telas do Clima-SIN voltadas às vazões de projeto

Capturas reais da interface em uso interno no DPM (servidor de desenvolvimento local, 30/09 e 02/10/2026), com os resultados congelados carregados. Quatro telas: Visão geral, Reservatório, Nacional e Ajuda. Selecione uma imagem para ampliar.

Vazão de projeto pelo conjunto das 25 projeções. A amostra de conjunto, um valor por modelo e ano, permite escolher a distribuição pelos dados, comparar quatro estimadores e medir a incerteza por reamostragem de modelos inteiros; com o seletor "pico instantâneo", a vazão vira comparável à capacidade de defluência.Ampliar imagem
Nacional. Subsistemas, bacias, segurança de barragem e calibração em uma tela, com seletores de cenário, período e tempo de retorno.Ampliar imagem
Quatro estimadores lado a lado. Fator sobre o observado, direto por modelo, pool com P05 e P95 e não estacionário, para que a diferença entre eles fique visível.Ampliar imagem
Reservatório: um por todas as lentes. Da série observada à vazão de projeto futura, com a calibração e a mudança projetada no meio.Ampliar imagem
Vazões de projeto do observado. Com o aviso explícito de quando o tempo de retorno pedido ultrapassa três vezes o comprimento da série.Ampliar imagem
Visão geral. O acervo, o catálogo no mapa e a mudança nacional por indicador, cenário e período.Ampliar imagem
Estacionariedade. O aviso de que comparar contra "a média histórica" pressupõe que ela exista, por índice e por reservatório.Ampliar imagem
Ajuda. Métodos, fontes e limitações, dentro do próprio sistema.Ampliar imagem

O mapa da Visão geral usa fundo cartográfico de terceiros (Esri, HERE, Garmin, OpenStreetMap), carregado pela internet quando o sistema está em uso. Nas capturas, o endereço interno do banco de dados foi ocultado.

Como funciona

Da projeção climática à vazão de projeto, em uma cadeia auditada

Vazão natural e forçante observada

Vazão natural do ONS desde 1931 para 163 reservatórios hidrorreferenciados na BHO, com controle de qualidade; chuva e evapotranspiração observadas da grade BR-DWGD por bacia total.

Calibração e teste na cauda

7 modelos chuva-vazão × 4 funções objetivo (4.116 ajustes); além do NSE, o viés das máximas anuais, a correlação das máximas e o split-sample entre a janela mais seca e a mais úmida.

25 modelos climáticos, 4 cenários, correção de viés

NEX-GDDP-CMIP6 recortado por bacia, corrigido por QDM no período de controle 1961–2014; séries diárias simuladas por modelo, cenário e horizonte.

Frequência com a incerteza anexada

Nove famílias × três estimadores por máximas anuais; seis critérios de seleção; bootstrap i.i.d. e em blocos; fator de mudança pareado (mesma combinação nos dois lados) e nível do quantil.

Vazão de projeto futura e seus indicadores

Quantil observado × fator de mudança; tempo de retorno equivalente; decomposição de variância; classe de robustez; conversão para pico instantâneo; razão contra a capacidade registrada; fila de priorização.

2,88 mi

ajustes de frequência na grade de 25 modelos × 9 famílias × 3 estimadores × cenários × horizontes × 136 usinas

3,87 TB

lidos do acervo NEX-GDDP-CMIP6 da NASA e descartados após o recorte por bacia; 88 GB gravados no servidor do MIDR

0,089 / 0,338

a incerteza estatística tem dois valores: 0,089 no fator de mudança e 0,338 no nível do quantil de 1.000 anos (DEC-023)

1,04

fator pico instantâneo / máxima média diária medido em 1.149 estações-ano da telemetria da ANA, mediana das bacias do SIN

Como usar o resultado

O que aplicar, sobre o quê, e o que não fazer com estes números

Para quem revisa cheias de projeto

Aplicar o fator, não o nível

  • Tomar o fator de mudança da usina (mediana e faixa P10–P90 entre modelos) e aplicá-lo sobre a cheia de projeto documentada do empreendimento. disponível
  • Usar a faixa de 100 a 200 anos como ancoragem da afirmação de mudança, onde a robustez é máxima. disponível
  • Resgatar a vazão de projeto original e o tempo de retorno do vertedouro: atividade de projeto, de maior relação impacto/esforço. pendente
Para a Defesa Civil

Priorizar estudos, não declarar risco

  • Fila de prioridade de 136 usinas em quatro quadrantes (agravamento documentado, agravamento e lacuna, lacuna de informação, sem prioridade imediata). disponível
  • Comunicar em frequência ("7,6 vezes mais frequente, com faixa"), não só em percentual. disponível
  • Acoplar à operação de reservatórios e à propagação para chegar ao nível máximo do reservatório, a variável de decisão. previsto
Para planejamento setorial

Ler o gradiente regional com a robustez ao lado

  • Sul e Atlântico Sul: aumento forte e robusto. Norte: redução sem robustez. Nordeste: "não sabemos". disponível
  • Mesmo o cenário de mitigação projeta aumento: a diferença entre trajetórias é de 12% a 26%, não entre mudar e não mudar. disponível
  • Produto por ottobacia fora do SIN, via regionalização dos fatores. uso potencial

O que não fazer. Não publicar o tempo de retorno equivalente sem a faixa. Não usar o quantil estimado neste estudo no lugar da cheia de projeto documentada. Não ler a razão contra a capacidade registrada como probabilidade de galgamento. Não comparar o nível do quantil entre famílias sem o jacobiano. E não esperar a mitigação para agir: o aumento sobrevive ao cenário mais otimista.

Método, dados e limitações

De onde vêm os números e com que cautela lê-los

FonteInstituiçãoO que fornecePeríodo
Vazão natural afluente aos reservatóriosONS (dados abertos e histórico), confirmada pelo SAR/ANAa série de referência diária das 163 usinas; máximas anuais para a análise de frequência1931–hoje
Cadastros hidráulicosONScapacidade nominal dos extravasores de 116 usinas (DEC-017)vigentes
BR-DWGD (grade Xavier)UFES e parceiroschuva e evapotranspiração observadas por bacia, 0,1°1961–2022
NEX-GDDP-CMIP6 v2.0NASA25 modelos climáticos × SSP1-2.6, 2-4.5, 3-7.0 e 5-8.5, diários, 0,25°1950–2100
Telemetria fluviométricaANAfator pico instantâneo / máxima média diária, 1.149 estações-ano (DEC-022)2016–2025
BHO 2017 5k e divisões territoriaisANA, IBGEhidrorreferenciamento, área de drenagem, regiões hidrográficas e UFedição 2017
Motor de máximas FERA/FERAH (Java)ANAvalidação independente dos quantis (apêndice B)legado

Cautelas de interpretação

  • Vazão afluente natural, não defluência. O estudo não propaga a cheia pelo reservatório nem aplica regras operativas; a variável de decisão para segurança é o nível máximo, que ele não produz.
  • Janelas de trinta anos. Cada distribuição ajustada é condicional à janela; o tempo de retorno equivalente é potencialmente inflado e deve ser lido como limite superior.
  • Parâmetros calibrados no clima histórico. Vegetação e uso do solo podem mudar com o clima; o split-sample diferencial mede parte dessa fragilidade, não toda.
  • Cobertura desigual. 24 usinas no Sul contra 6 no Norte e 8 no Nordeste; as sínteses regionais carregam o n ao lado.
  • Correção de viés QDM. Preserva a mudança relativa dos quantis, mas a extrapolação para a cauda extrema depende da forma da cauda, que a amostra não determina em 71,6% dos casos.
  • Capacidade cadastrada. Pode estar referida ao nível máximo normal; treze casos abaixo da cheia centenária observada indicam problema de cadastro.

As cinco grandezas que não podem ser confundidas

  • Vazão natural: a que haveria sem os reservatórios a montante; é a série de referência.
  • Vazão afluente: a que chega ao reservatório, já afetada pela operação a montante.
  • Máxima média diária: o maior valor diário do ano; é o que a vazão natural registra.
  • Pico instantâneo: o máximo dentro do dia; é o que o vertedouro enfrenta. Fator medido: 1,04 na mediana do SIN.
  • Vazão defluente: a que sai pelo extravasor; depende do nível, da operação e do amortecimento.
Estágio e recomendações

O que está pronto, o que está em validação e as sete recomendações

Concluído
  • Estudo Clima-SIN encerrado em 11/09/2026: 25 modelos × 4 cenários, 29.850 arquivos-ano, resultados congelados v1.0.
  • Relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica (13/09/2026, DEC-024): 18 capítulos, 15 figuras, 25 tabelas, seis apêndices; versão de dados 2026.09.003; PDF e Word.
  • Quatro análises novas: tempo de retorno equivalente, decomposição dentro de cenário e horizonte, robustez do modelo hidrológico na cauda, validação contra o motor Java.
  • Sistema em uso interno: Visão geral, Reservatório, Nacional e Ajuda, com o painel do conjunto das 25 projeções e a conversão para pico instantâneo.
Em validação ou discussão
  • Nota técnica em minuta; relatório integrado como versão para discussão interna; sem parceria formal com ONS, ANA ou agentes setoriais.
  • Conferência cruzada dos quantis e das capacidades cadastradas por quem detém os projetos das usinas.
  • Interface sem endereço público; dados grandes no servidor do MIDR.
As sete recomendações do relatório
  1. Aplicar o fator de mudança sobre a cheia de projeto documentada, não o nível estimado.
  2. Resgatar documentalmente a vazão de projeto e o tempo de retorno dos vertedouros.
  3. Comunicar em frequência, sempre com a faixa.
  4. Ancorar as afirmações de mudança na faixa de 100 a 200 anos.
  5. Corrigir o viés de frequência das janelas curtas (pendência metodológica).
  6. Acoplar operação de reservatórios e propagação para chegar ao nível máximo.
  7. Completar as 22 capacidades de extravasor faltantes e verificar o nível de referência das cadastradas.
Documentos e referências

Documentos do estudo e fontes do método

Os documentos abaixo estão no acervo do DPM em PDF, Word e Markdown; enquanto permanecem como versões para discussão interna, a disponibilização se dá por solicitação à Diretoria. Todos os números desta página saem das tabelas congeladas que os acompanham.

Relatório técnico

Relatório integrado sobre cheias de projeto e segurança hidrológica do SIN

13/09/2026, versão de dados 2026.09.003. Quatro partes, 18 capítulos, seis apêndices; números gerados por código.

Nota técnica (minuta)

Mudança do clima nas vazões naturais afluentes aos reservatórios do SIN

11/09/2026. Método, resultados v1.0 e limitações do estudo Clima-SIN.

Registro de decisões

DEC-001 a DEC-025

Cada decisão metodológica com data e motivo, de DEC-014 (vazões futuras = quantil observado × mudança) a DEC-024 (relatório integrado).

Dados congelados

resultados_v1.0 e tabelas do relatório

Síntese, segurança de barragem, incerteza (comparação, retorno, regional, decomposição), robustez, priorização, validação Java; CSV e Parquet.

Página irmã

Clima-SIN · cheias de projeto e segurança de barragens

Landing page anterior do mesmo estudo (30/09/2026), com foco na segurança de barragens e nas estiagens; esta página aprofunda as vazões máximas.

Referências de método

  1. Hosking, J. R. M.; Wallis, J. R. Regional frequency analysis: an approach based on L-moments. Cambridge University Press, 1997.
  2. Cannon, A. J.; Sobie, S. R.; Murdock, T. Q. Bias correction of GCM precipitation by quantile mapping: how well do methods preserve changes in quantiles and extremes? Journal of Climate, v. 28, n. 17, p. 6938–6959, 2015 (QDM). doi:10.1175/JCLI-D-14-00754.1.
  3. Thrasher, B. et al. NASA Global Daily Downscaled Projections, CMIP6. Scientific Data, v. 9, 262, 2022. doi:10.1038/s41597-022-01393-4.
  4. Gründemann, G. J. et al. Rarest rainfall events will see the greatest relative increase in magnitude under future climate change. Communications Earth & Environment, v. 3, 235, 2022. doi:10.1038/s43247-022-00558-8.
  5. IPCC. Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Working Group I, Sixth Assessment Report. Cambridge University Press, 2021. ipcc.ch.
  6. Milly, P. C. D. et al. Stationarity is dead: whither water management? Science, v. 319, p. 573–574, 2008. doi:10.1126/science.1151915.
  7. Interagency Advisory Committee on Water Data. Guidelines for determining flood flow frequency, Bulletin 17B. USGS, 1982.
  8. Mann, H. B. (1945); Kendall, M. G. (1975); Sen, P. K. (1968); Pettitt, A. N. (1979). Testes de tendência e de ponto de mudança usados no selo de estacionariedade.

Dados e marco institucional

  1. ONS. Dados abertos: vazões naturais e cadastros hidráulicos. dados.ons.org.br.
  2. ANA. Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) e HidroWeb/telemetria. ana.gov.br/sar · snirh.gov.br/hidroweb. Base Hidrográfica Ottocodificada 2017 5k: metadados.snirh.gov.br.
  3. NASA. NEX-GDDP-CMIP6. nccs.nasa.gov.
  4. Xavier, A. C. et al. New improved Brazilian daily weather gridded data (1961–2020). International Journal of Climatology, v. 42, n. 16, 2022. doi:10.1002/joc.7731.
  5. Brasil. Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010 (Política Nacional de Segurança de Barragens), alterada pela Lei nº 14.066/2020. Planalto. Lei nº 12.608/2012 (PNPDEC). Planalto.
Glossário breve
Cheia de projeto
Vazão (ou hidrograma) de referência para o dimensionamento de uma estrutura, associada a um tempo de retorno; para vertedouros de grandes barragens, 1.000 a 10.000 anos ou a cheia máxima provável.
Tempo de retorno
Intervalo médio, em anos, entre ocorrências de um valor igual ou maior; o inverso da probabilidade anual de excedência.
Tempo de retorno equivalente
O tempo de retorno que um limiar fixo (a cheia de 1.000 anos de hoje) passa a ter sob a distribuição futura; a razão de frequência é o quociente entre os dois.
Fator de mudança
Razão entre o quantil futuro e o de referência, calculados com a mesma família, estimador e modelo climático; o produto defensável do estudo.
Nível do quantil
O valor absoluto da vazão de projeto em m³/s; depende fortemente da família de distribuição, ao contrário do fator.
Sinal robusto
Mudança projetada que supera, em módulo, a incerteza climática, a estatística e a amostral medidas para a mesma usina e tempo de retorno.
Momentos-L
Método de ajuste de distribuições robusto a extremos e adequado a amostras curtas; padrão em hidrologia regional.
QDM
Quantile delta mapping: correção de viés por quantis que preserva a mudança relativa projetada pelo modelo climático.
Pico instantâneo
Vazão máxima dentro do dia, a que o vertedouro enfrenta; a vazão natural registra a máxima média diária, e a conversão usa um fator medido.
Solicitação hidrológica
A vazão afluente que uma estrutura é chamada a conduzir; distinta de capacidade, galgamento, falha e risco.
Projeção e cenário
Segundo o IPCC, projeção é a resposta simulada a um cenário; cenário é uma descrição plausível de um futuro possível, não uma previsão.

Translation notes译文说明

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