IDNF-Tapajós · Diretoria de Prevenção e Mitigação — SEDEC/MIDR
Estágio: piloto técnico concluído · em validação Limiares de navegação PROVISIONAIS

IDNF‑Tapajós: quem fica isolado quando o rio baixa

O Índice de Dependência da Navegação Fluvial (IDNF) e o painel de cenários respondem, para o rio Tapajós (PA), a uma pergunta que a Defesa Civil ainda não tinha como responder: quantas pessoas, em quais localidades e municípios, ficam sem acesso, abastecimento e serviços essenciais quando a navegação é restrita ou interrompida.

Área piloto: Santarém, Belterra, Aveiro, Itaituba e Rurópolis
Unidade: 791 localidades · Censo/CNEFE 2022
Cotas: ANA/SNIRH 1968–2025

O painel funciona hoje em ambiente local da equipe técnica e ainda não tem endereço público. As telas desta página são capturas reais da versão atual.

Painel de cenário — captura de 30/09/2026 da versão atual (E10/D7), em ambiente local com a API do projeto ativa. Cenário C3 (estiagem 2024), nível N1, τ = 0,50. Interface em desenvolvimento.
O problema e sua importância

Na seca amazônica, as comunidades não são atingidas: são desconectadas

Nos anos hidrológicos de 2023 e 2024 o Tapajós registrou os menores níveis de sua série histórica. Em setembro de 2024 a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação crítica de escassez hídrica no trecho entre Itaituba e Santarém (Resolução ANA nº 212/2024), e a navegação de comboios foi suspensa por falta de calado.

Diferentemente de uma inundação, a seca não destrói ativos. Ela suprime, progressivamente, a acessibilidade: param o transporte de passageiros e o transporte escolar fluvial, faltam alimentos, combustível e medicamentos, a referência hospitalar fica fora de alcance e a captação de água fica comprometida. Nada disso é visível por sensoriamento remoto. Todos esses efeitos exigem saber, antes do evento, quem depende de quê.

Não existia no Brasil uma base que identificasse quais populações dependem da navegação fluvial e em que grau. O IDNF‑Tapajós foi construído para preencher essa lacuna no nível da localidade ribeirinha, com método reprodutível e desenhado para replicação em outras bacias.

O que o projeto oferece

Produtos do piloto

Todos os produtos abaixo existem e foram verificados por revisão independente. O que está implementado funciona em ambiente local da equipe; o que depende de decisão ou de dado externo está marcado como tal.

Índice de dependência por localidade

Implementado

Um valor de 0 a 1 para cada uma das 791 localidades dos cinco municípios, combinando mobilidade, abastecimento e serviços críticos. Cada indicador carrega fonte, data de referência, método e status. Nenhuma localidade com menos de 20 domicílios é publicada (proteção de sigilo).

Baixa < 0,25Média 0,25–0,50Alta 0,50–0,75Crítica > 0,75

Cenários de restrição à navegação

Implementado

Dias por ano com o rio abaixo de três limiares (N1 restrição de calado, N2 restrição severa, N3 interrupção), por trecho de controle, em três cenários observados: ano típico (climatologia 1968–2025), estiagem de 2023 e estiagem de 2024. Os limiares são calibrados por percentis empíricos ancorados nos decretos do S2ID e permanecem provisórios até a chegada de cotas oficiais.

Painel de cenários

Implementado (local)

Seleção de cenário, nível e corte τ; contador de população sempre acompanhado da faixa de incerteza; tabela por município; mapa das localidades; ficha municipal; comparador ano típico × 2024; ajuste dos pesos com recálculo pela API.

Arquivos para SIG e API

Implementado (local)

Exportações GeoPackage e CSV (localidades, índice com faixas, trechos, população afetada por cenário) prontas para QGIS, e uma interface de programação com seis consultas que recalcula índice e população afetada para qualquer combinação de parâmetros.

Validação e robustez

Documentado

Sensibilidade a pesos (10.000 combinações), a limiares (18 combinações) e ao raio de busca viária; comparação com decretos do S2ID; validação externa com 96 municípios ribeirinhos do Pará. Resultados favoráveis e desfavoráveis estão registrados.

Relatório técnico e manuais

Elaborados

Relatório técnico consolidado (42 páginas), nota ao gestor de duas páginas e três manuais: metodologia, uso da plataforma e tecnologias. Disponíveis internamente na DPM; a publicação externa depende da validação institucional.

Cenários modelados e replicação

Previsto

Cenários com modelagem chuva‑vazão calibrada, tiles vetoriais para publicação web, validação de campo com questionário já elaborado e replicação do método em outras bacias amazônicas. Nenhum desses itens tem prazo definido.

Conheça o sistema

Telas reais do painel de cenário

Capturas de 30/09/2026 da versão atual (E10/D7), executada em ambiente local com a API do projeto ativa. Cores, valores e legendas são os originais. Clique em uma tela para ampliar. Interface em desenvolvimento: sem mapa‑base cartográfico por decisão de proveniência e sem endereço público.

Origem das capturas: painel React/MapLibre/deck.gl do projeto, servido localmente a partir da compilação de 14/08/2026 e conectado à API FastAPI do projeto. Nenhuma tela foi gerada artificialmente.

Como funciona

Dos dados públicos ao número de pessoas

O pipeline separa três coisas que costumam ser confundidas: a ameaça (o rio baixou, por quanto tempo), a dependência (a localidade precisa do rio para viver) e a população exposta. O número final combina as três.

Fluxo do IDNF-Tapajós Três entradas (séries de cota das estações da ANA; Censo e CNEFE 2022; rede viária do OpenStreetMap e estabelecimentos do CNES) alimentam três componentes: ameaça por trecho e cenário, localidades com população, e conectividade terrestre. Os dois últimos formam dez indicadores agregados no IDNF por localidade. A ameaça e o IDNF, com a população, produzem a população potencialmente afetada por cenário, nível e corte. Uma etapa de validação e sensibilidade gera a faixa de incerteza. Os produtos são o painel, a API e os arquivos para SIG. Cotas diárias ANA/SNIRH estações 17730000 e 17900000 · 1968–2025 Censo e CNEFE 2022 (IBGE) endereços, população, fonte de água OSM, CNES, IBGE Ligações vias, hospitais, ligações hidroviárias Ameaça por trecho e cenário dias abaixo de N1, N2, N3 791 localidades com população agrupamento + rateio censitário Conectividade terrestre rota à sede e ao hospital; tempos 10 indicadores → IDNF mobilidade · abastecimento · serviços normalização p5–p95 média geométrica ponderada índice de 0 a 1 por localidade + faixa por sensibilidade aos pesos População potencialmente afetada por cenário, nível e corte τ pessoas + faixa · pessoa‑dias validação e sensibilidade Produtos painel de cenários · API GeoPackage e CSV para QGIS relatório e manuais

Ameaça

As séries diárias de cota das duas estações de controle viram dias por ano abaixo de cada limiar de navegação, por trecho (Baixo e Médio Tapajós) e por cenário.

Localidades

Os endereços do CNEFE são agrupados por proximidade; a população do setor censitário é rateada por domicílios, com fechamento exato ao total do Censo por município.

Conectividade

Um grafo viário do OpenStreetMap testa se há rota terrestre à sede e ao hospital de referência e compara os tempos terrestre e fluvial.

Índice

Dez indicadores em três dimensões são normalizados e agregados por média geométrica ponderada, que evita que uma dimensão compense totalmente a outra.

Pessoas

Soma‑se a população das localidades com índice acima do corte e cujo trecho atinge o nível de restrição no cenário. O resultado vem sempre com faixa e pessoa‑dias.

Fórmula do índice, na forma implementada: IDNF = Π (Dk + ε)wk, com Dk a nota de cada dimensão entre 0 e 1, pesos wk somando 1 e ε = 0,01. A dimensão “meios de vida” prevista na nota técnica ficou fora do piloto por falta de indicadores; os pesos das três dimensões restantes foram renormalizados (0,389 / 0,333 / 0,278).

Aplicações na prevenção e mitigação

Decisões que os produtos podem apoiar

Usos compatíveis com o estágio atual (triagem e priorização)

  • Priorizar visitas de campo e validação local a partir da lista de localidades de maior dependência, começando pela calha ribeirinha de Aveiro, onde estão 18 das 20 localidades mais críticas.
  • Pré‑posicionar água, combustível e medicamentos antes do período de vazante nas localidades de maior índice e sem rota terrestre (57% do total).
  • Monitorar as réguas das duas estações de controle em relação aos limiares N1, N2 e N3, para antecipar quando cada trecho entra em restrição.
  • Articular com o DSEI e a FUNAI: 6 das 20 localidades mais críticas são aldeias ou comunidades indígenas.
  • Planejar rotas alternativas e apoio logístico nos municípios em que a dependência é sobretudo rodoviária (Rurópolis, Belterra).

Usos potenciais, ainda não implementados ou avaliados

  • Alerta antecipado ligando previsões de nível do rio aos cenários do painel; hoje o painel trabalha apenas com cenários observados.
  • Replicação em outras bacias amazônicas (Madeira, Solimões, Purus, Juruá, Negro, Branco e Baixo Amazonas), prevista na nota técnica e ainda não iniciada.
  • Dimensão econômica (pesca, escoamento da produção, vínculos portuários), que depende de extrações institucionais ainda não obtidas.
O que o índice não faz. Não determina elegibilidade a recursos, não compara o desempenho de municípios, não substitui avaliação de campo e não constitui, por si só, evidência para reconhecimento federal de situação de emergência. Enquanto os limiares forem provisórios, nenhum uso normativo é adequado.
Método, dados e limitações

De onde vêm os números e como lê‑los com cuidado

Fontes de dados e datas de referência

FonteUso no estudoReferência
Censo Demográfico e CNEFE (IBGE)população, domicílios, fonte de água, desenho das localidades2022
Cotas diárias ANA/SNIRH (estações 17730000 Itaituba e 17900000 Santarém)dias de restrição por cenário1968–2025
S2ID (Defesa Civil)ancoragem dos limiares e comparação de ordem2022–2024
CNES (Ministério da Saúde)referências hospitalares e UBS fluvialjul/2026
OpenStreetMaprede viária para rotas terrestresago/2026
IBGE Ligações Rodoviárias e Hidroviáriasparticipação do modal hidroviário na sede2016
Base Hidrográfica Ottocodificada (ANA)eixo navegável e trechos de controle2017

Índice, população afetada e sensibilidade calculados em 13/08/2026; testes de robustez e validação externa em 14/08/2026. O pipeline tem 154 testes automatizados e cobertura de 82% no núcleo de cálculo; os resultados foram replicados de forma independente com divergência zero.

Limiares de navegação: por que são provisórios

Não existe cota oficial de interrupção de navegação para o Tapajós. Os limiares N1, N2 e N3 (Baixo Tapajós: 150, 90,2 e 50 cm; Médio Tapajós: 250, 211 e 178 cm na régua local) foram calibrados como percentis empíricos da série histórica (P10, P05 e P02), ancorados nos decretos de estiagem de 2023 e 2024. Estão marcados como PROVISIONAL em todo produto e serão substituídos, sem mudança de código, quando a Capitania dos Portos ou a administração hidroviária informar as cotas oficiais por classe de embarcação. O número principal é robusto a essa escolha: 17 das 18 combinações testadas reproduzem 50.052 pessoas.

O que a faixa de incerteza cobre e o que não cobre

A faixa publicada (32.474 a 82.418) mede a sensibilidade aos pesos entre as dimensões em 10.000 combinações plausíveis. Um envelope mais conservador, que varia também os pesos internos de cada dimensão, vai de 15,8 mil a 83,2 mil. A faixa não cobre a incerteza dos limiares, as lacunas nas séries de cota nem as imprecisões de população e conectividade. Não é um intervalo de confiança estatístico.

Validação: o que foi possível e o que não foi

Os cinco municípios decretaram estiagem em 2023 e 2024, então não há grupo de comparação dentro do estudo. A ordem de população afetada por município coincide com a ordem dos afetados registrados no S2ID de 2024 (com apenas cinco municípios, isso é plausibilidade, não prova). Uma versão simplificada do índice para 96 municípios ribeirinhos do Pará tem correlação de ordem de 0,90 com o índice completo e coloca no topo estadual o Marajó e a calha do Amazonas, como a literatura espera. Por outro lado, o índice não prevê decreto de estiagem (área sob a curva ROC de 0,545, indistinguível do acaso): o decreto mistura exposição com a cultura de registro de cada município.

Outras cautelas de leitura
  • A dimensão “meios de vida” está ausente: o índice pode subestimar a dependência econômica do rio.
  • A conectividade vem do OpenStreetMap: 47% das rotas terrestres têm algum trecho de classificação imputada; um “sem rota” pode ser “estrada não mapeada”. O núcleo mais confiável é o das localidades sem via mapeada a menos de 2 km (26,9%).
  • Os números da estiagem de 2023 são piso: a série da estação do Médio Tapajós tem lacuna naquele ano (82% dos dias observados).
  • A população por localidade vem de rateio censitário, não de contagem porta a porta; nomes seguem o CNEFE, sem acentos.
  • Trairão ficou fora do núcleo do estudo: nenhuma de suas localidades está a menos de 10 km do eixo navegável (decisão pendente de confirmação do responsável técnico).
Mapa do índice por localidade (produto cartográfico oficial do pipeline, gerado em 14/08/2026). Os anéis marcam as 20 localidades mais críticas. Esta figura usa a rampa contínua verde–vermelho dos mapas impressos; o painel usa quatro cores discretas.
Dias de restrição por trecho, nível e cenário. Em 2024 o Baixo Tapajós ficou 97 dias abaixo do limiar N1 (ano típico: 36) e o Médio, 93 (típico: 35). Barras hachuradas são piso por lacuna na série.
Estágio e próximos passos

O que está pronto, o que está em validação e o que está previsto

O piloto técnico está completo e revisado. O que falta são decisões e dados de terceiros, não código. Só os itens concluídos têm data.

ConcluídoEm validaçãoPrevisto
  • Concluído
    Pipeline reprodutível de aquisição, limiares, recorte territorial, localidades, conectividade, indicadores, índice, validação e publicação (13–14/08/2026).
  • Concluído
    Painel de cenários, API e exportações para SIG, com testes de integração e roteiro de teste manual.
  • Concluído
    Revisão independente de cada etapa (11 pareceres) e rodada de robustez: limiares, raio de busca viária, pesos, validação externa e anexo sobre Trairão (14/08/2026).
  • Concluído
    Relatório técnico, nota ao gestor e três manuais (metodologia, uso, tecnologias), de circulação interna.
  • Em validação
    Limiares oficiais de navegação: depende de ofício à Capitania dos Portos e à administração hidroviária; até lá, limiares provisórios.
  • Em validação
    Decisões do responsável técnico: exclusão de Trairão, critério de “trecho atinge o nível” e raio de busca viária (recomendações e anexos já prontos).
  • Em validação
    Validação institucional dos documentos antes de publicação externa.
  • Previsto
    Validação de campo com questionário de 13 itens já elaborado; camadas oficiais de terras indígenas e quilombolas; dimensão de meios de vida.
  • Previsto
    Publicação web com tiles vetoriais e mapa‑base, cenários modelados por chuva‑vazão e replicação em outras bacias. Sem prazo definido.
Materiais e referências

Documentos do projeto e fontes consultadas

Documentos do projeto

Circulação interna na DPM/SEDEC até a validação institucional; esta página não os disponibiliza para download.

  • Relatório Técnico IDNF‑Tapajós — versão consolidada, 42 páginas, com cartografia oficial e anexos A–H. acesso interno
  • Nota ao gestor — duas páginas com o número principal, a leitura por município e as três providências que dependem de terceiros. acesso interno
  • Manual de Metodologia, Manual de Uso da Plataforma e Manual de Tecnologias — série de três documentos autocontidos. acesso interno
  • Nota técnica de proposição (DPM/SEDEC/MIDR, 2026) — proposta metodológica e de plataforma que originou o projeto. acesso interno

Glossário breve

IDNF
Índice de Dependência da Navegação Fluvial: valor de 0 a 1 por localidade, que mede quanto a população depende do rio para mobilidade, abastecimento e serviços.
Ameaça
Propriedade do rio e do trecho: com que frequência e por quanto tempo a navegação fica restrita. Aqui, dias por ano abaixo de cada limiar.
Cenário
Ano hidrológico observado usado como referência (ano típico, 2023 ou 2024). Não é previsão.
Nível de restrição
N1 restrição de calado; N2 restrição severa; N3 interrupção. Cada um tem uma cota de referência por trecho.
Corte τ
Valor mínimo do índice para que a localidade entre na contagem de população afetada (padrão 0,50).
Pessoa‑dias
Pessoas em localidades dependentes multiplicadas pelos dias de restrição no cenário; mede a severidade.
Faixa de sensibilidade
Intervalo P05–P95 do resultado quando os pesos do índice variam; acompanha todo número publicado.

Referências externas

Links externos exigem conexão com a internet. Fontes de método estão separadas das evidências sobre o evento.

Contexto do evento

Dados de base

Método e terminologia

Translation notes译文说明

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