Atlas de Desastres no Brasil — Dashboard 1991–2025
Painel interativo que organiza os registros municipais de desastres do S2iD, consolidados pelo Atlas Digital de Desastres no Brasil, em mapas, séries temporais, comparações e relatórios prontos para uso institucional.
Acesso: o sistema funciona em ambiente interno da equipe e ainda não possui endereço público. A publicação em servidor com acesso por senha está preparada e depende de decisão institucional.
Trinta e cinco anos de registros oficiais, difíceis de consultar
Desde 1991 os municípios brasileiros registram desastres no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), mantido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC). O Atlas Digital de Desastres no Brasil consolida esses registros e os disponibiliza em planilha: 76.191 linhas e 70 colunas, cobrindo danos humanos, danos materiais, prejuízos públicos e privados e a classificação oficial de cada evento.
Nesse formato, perguntas rotineiras de quem planeja prevenção e mitigação exigem montar tabelas específicas a cada vez: onde os desastres se concentram, como isso mudou ao longo do tempo, quais municípios acumulam mais prejuízo em relação à sua população, quanto do registrado tem reconhecimento federal. O resultado costuma ficar preso a um arquivo pessoal, sem rastreabilidade e difícil de compartilhar.
O dashboard responde a essa necessidade: a mesma base oficial, sem alteração, passa a ser consultada por mapas, séries e filtros combináveis, com cada recorte gravado em um endereço compartilhável e com a metodologia e as limitações publicadas dentro do próprio produto.
Uma base, um registro por município
Cada linha é um protocolo do S2iD. Um desastre regional gera um registro por município atingido. O dashboard preserva esse grão e o explica em todas as telas.
Distinguir "zero" de "sem registro"
A planilha não tem valores em branco: ausência de informação virou zero na origem. No mapa, município sem registro no recorte é visualmente diferente de município com valor zero informado.
Relação com a prevenção e a mitigação
O histórico de registros é insumo para identificar territórios recorrentes, sazonalidade e tipologias predominantes. Ele apoia a priorização de estudos e de medidas, mas não substitui mapeamento de risco nem avaliação local.
Seis capacidades implementadas, em validação pela equipe
Todas as capacidades abaixo estão implementadas e cobertas por testes automatizados. A conferência humana das cifras, das leituras estatísticas e dos textos ainda está em curso; por isso o estágio declarado é "em validação".
Mapa municipal dos 5.570 municípios
Coroplético em SVG, sem dependência de placa gráfica. Valores absolutos ou por habitante, escala por quantis ou logarítmica, animação ano a ano com escala congelada e exportação em PNG com título e legenda.
Treze filtros combináveis, gravados no endereço
Período, região, UF, município, grupo, tipologia, status, bioma, região hidrográfica, fase ENSO e marcadores de mortes e prejuízo. Todo recorte vira um link que reproduz a mesma visão.
Mapas comparativos lado a lado
De dois a seis painéis com a mesma métrica e a mesma escala de cores, passagem sincronizada do mouse, mapa de diferença entre dois recortes e correção por anos de cada fase ENSO. Prancha composta em PNG.
Leitura climática: El Niño e La Niña
Série do Índice Oceânico Niño (ONI) da NOAA alinhada aos registros, contraste por fase e região, correlações defasadas e 21 episódios históricos. Estatísticas pré-calculadas e explicadas com suas ressalvas.
Relatório imprimível e exportações
Página que fotografa o recorte atual (indicadores, mapa, sazonalidade, rankings e nota metodológica) para impressão ou PDF pelo navegador. Tabela de registros com exportação em CSV e detalhe de cada protocolo.
Metodologia e qualidade dentro do produto
Página que publica as 16 validações do processamento, os avisos, as cifras de conferência contra a planilha e as limitações de leitura. Interface em português e inglês, com três temas visuais.
Telas reais da versão em validação
Capturas da versão 0.3.0 feitas em 30/09/2026 no ambiente de desenvolvimento, com o tema SEDEC e a base de dados de 16/07/2026. Clique em uma tela para ampliar. As cores dos mapas e gráficos seguem as escalas do próprio sistema.
Nenhuma imagem desta página foi gerada artificialmente: todas são capturas do sistema em funcionamento. As telas podem mudar até a publicação. Não há dados pessoais nas capturas; os registros exibidos são públicos e agregados por município.
Da planilha oficial à tela, sem alterar a fonte
Entrada. A planilha do Atlas Digital de Desastres (aba "Atlas Valores Corrigidos", 76.191 registros) é lida em modo somente leitura. A malha dos 5.570 municípios vem da base territorial do IBGE de 2022, importada uma única vez do banco geográfico institucional e simplificada para uso no navegador.
Processamento. Um script reprodutível renomeia e tipa as 70 colunas, normaliza unidades da federação e regiões, deriva ano, mês e década da data do evento e aplica 16 validações obrigatórias. Se qualquer validação falhar, nada é gravado. O resultado é um conjunto de arquivos analíticos carimbados com a impressão digital (SHA-256) da planilha de origem.
Enriquecimentos. População e Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026) por município, índice ONI mensal da NOAA com a fase de cada mês, e bioma e região hidrográfica de cada município por ponto interno.
Produtos. Uma API de consulta lê os arquivos com um motor analítico em memória e responde aos filtros; a interface web renderiza mapas, gráficos, tabelas e o relatório. Em execução, o sistema não depende de banco de dados nem de serviços externos.
- Planilha oficial do Atlas (76.191 registros) e malha municipal IBGE 2022 (5.570 municípios).
- Processamento reprodutível com 16 validações; falha em qualquer uma interrompe a gravação.
- Arquivos analíticos carimbados com a impressão digital da planilha e relatório de qualidade.
- API de consulta com 15 rotas, 13 filtros e 17 métricas, sem banco de dados em execução.
- Interface web com 8 páginas, mapa em SVG e recorte gravado no endereço.
Decisões e atividades que os produtos podem apoiar
O dashboard não prevê desastres nem decide por ninguém. Ele organiza o histórico oficial para que equipes técnicas e gestores façam perguntas melhores. Os usos abaixo são compatíveis com o que o sistema já faz; nenhum deles foi ainda avaliado em operação, porque o sistema não foi publicado.
Priorização territorial de estudos e medidas
Identificar municípios e regiões com recorrência de registros, por tipologia, como ponto de partida para mapeamentos de risco, obras de contenção e drenagem e planos de contingência. O mapa por habitante evita que o tamanho da população domine a leitura.
Uso potencialPreparação sazonal
Ler a sazonalidade dos registros (verão com enxurradas e inundações, meio do ano com estiagens) e a fase corrente do ENSO para orientar campanhas, estoques e articulação com estados e municípios antes do período crítico.
Uso potencialSubsídio a relatórios e reuniões
Gerar em minutos um relatório do recorte com indicadores, mapa e rankings, ou uma prancha comparativa em PNG, com a versão da base e os filtros declarados no próprio documento.
Uso potencialLeitura da composição dos registros
Separar ocorrências com reconhecimento federal das apenas registradas, e danos materiais de prejuízos econômicos, para evitar somas indevidas em análises e ofícios.
Uso potencialContexto socioeconômico e climático
Combinar o histórico de desastres com progresso social, bioma e região hidrográfica para orientar recortes de política pública. A associação exibida é estatística e não indica causa.
Uso potencialConferência e transparência
Publicar, junto de cada análise, as validações e as cifras de conferência contra a planilha, o que facilita auditoria e reprodução por outras equipes.
Uso potencialFontes, regras de leitura e cautelas
Fontes de dados
| Fonte | Uso no dashboard | Referência |
|---|---|---|
| Atlas Digital de Desastres no Brasil (S2iD / SEDEC / MIDR) | Base principal: 76.191 registros municipais, jan/1991 a dez/2025, aba "Atlas Valores Corrigidos" | Planilha de 16/07/2026; versão 9c3f4404acfc |
| COBRADE (Portaria MDR nº 260/2022) | Classificação de cada registro em 16 tipologias e 4 grupos | 60 dos 65 códigos aparecem na base |
| Malha municipal IBGE 2022 | Polígonos dos 5.570 municípios, UFs e contorno nacional | Importada do banco geográfico institucional em 16/07/2026 |
| IPS Brasil 2026 (Imazon / Social Progress Imperative) | População 2025, IPS e dimensões, índice de vulnerabilidade climática municipal | Casamento por nome e UF: 5.570 de 5.570 municípios |
| ONI (NOAA, Climate Prediction Center) | Fase El Niño / La Niña / Neutro de cada mês, 1950–2026 | Limiar ±0,5 °C; episódios com 5 temporadas consecutivas |
| Bioma e região hidrográfica | Classificação única por município, pelo ponto interno do polígono | 6 biomas; 12 regiões hidrográficas |
Cifras de conferência (recorte completo)
Valores publicados na página Metodologia & Qualidade do sistema e fixados em testes automatizados. Somas de pessoas entre registros são "pessoas-registro" (impacto acumulado), não pessoas únicas. Valores monetários conforme a correção aplicada pelo Atlas; a planilha não informa o ano-base.
Regras de leitura adotadas
- Grão municipal. Contar "eventos" no dashboard é contar registros municipais; um desastre regional aparece uma vez por município atingido.
- Eixo temporal pela data do evento. A data administrativa do registro fica apenas no detalhe do protocolo.
- Status somados por padrão. "Reconhecido" e "Registro" aparecem juntos, com a composição sempre visível e filtro disponível.
- Totais oficiais. Os totais da planilha foram validados contra seus componentes em 100% das linhas e são usados diretamente; danos materiais e prejuízos nunca são somados entre si.
- Comparações honestas. Nos mapas comparativos, métrica e escala pertencem ao conjunto; comparações entre fases ENSO podem ser divididas pelos anos de cada fase.
Limitações que o leitor precisa conhecer
- A base não tem valores em branco: zero pode significar "não informado".
- A cobertura do registro cresceu ao longo da série. Comparações entre décadas medem, em parte, a evolução do próprio sistema de registro.
- A malha de 2022 e a população de 2025 são aplicadas a todo o período; mudanças territoriais e demográficas não são refletidas.
- Há 12 registros com data do evento posterior à data de registro, mantidos como estão e sinalizados como aviso.
- A direção do índice de vulnerabilidade climática municipal ainda não foi confirmada na documentação da fonte; por isso o mapa bivariado usa por padrão o IPS invertido.
- As estatísticas de ENSO mostram associação, não causa, e ainda aguardam validação por especialista.
Como são calculadas as estatísticas de El Niño e La Niña
Da série mensal de registros subtrai-se uma média móvel centrada de 60 meses, para remover a melhoria de cobertura ao longo do tempo, e o resíduo é padronizado pela climatologia de cada mês do calendário. O contraste entre fases é a diferença das anomalias médias sob El Niño e sob La Niña, em desvios-padrão; uma célula região × grupo só é marcada como robusta se o contraste for de ao menos 0,15 desvio-padrão com ao menos 500 registros.
As correlações defasadas comparam a anomalia de registros com o ONI de 0 a 18 meses antes; o limiar de significância usa o número efetivo de observações de Bretherton e colaboradores (1999), que corrige a forte autocorrelação do índice. Os episódios seguem a regra da NOAA: cinco temporadas trimestrais consecutivas com |ONI| ≥ 0,5 °C. Para cada episódio, o excesso de registros é comparado aos meses neutros de uma janela de ±3 anos.
Os cálculos estão implementados no processamento e ancorados em testes automatizados. A adequação científica do método não foi objeto da auditoria técnica de julho de 2026 e depende de revisão por especialista.
Onde o projeto está em 30 de setembro de 2026
O sistema está funcionalmente completo para o escopo definido e passou por auditoria técnica documental em 28/07/2026. A restrição atual é de exposição: ele ainda não foi publicado em servidor. Não há cronograma ou percentual de avanço a declarar.
Concluído
- Processamento reprodutível da planilha com 16 validações e relatório de qualidade (base de 16/07/2026).
- Malha municipal, bioma e região hidrográfica materializados a partir do banco geográfico institucional.
- API de consulta com 15 rotas e interface com 8 páginas, em português e inglês.
- Mapa municipal, mapas comparativos, página ENSO, relatório imprimível, exportações CSV e PNG.
- 42 testes automatizados (dados, API e navegação de ponta a ponta), todos aprovados na auditoria.
- Auditoria técnica com cinco relatórios (81 páginas) e empacotamento em contêiner para servidor Linux.
Em validação
- Conferência humana das cifras e das leituras de interface pela equipe do DPM.
- Revisão do método ENSO por especialista e anexação das referências ao repositório.
- Confirmação da direção do índice de vulnerabilidade climática municipal junto à fonte.
- Decisão sobre os 12 registros com datas logicamente inconsistentes.
- Revisão da tradução em inglês por leitor técnico.
Preparado ou previsto
- Publicação em servidor institucional com acesso por senha: procedimento documentado; execução depende de infraestrutura e de decisão da DPM.
- Rotina de atualização da base a cada nova edição do Atlas, com responsável e periodicidade definidos.
- Cópia de segurança dos arquivos processados e monitoramento simples de disponibilidade.
- Previsto para depois: empacotamento para uso local sem servidor e malha em resolução mais fina para ampliação.
Documentos do projeto e fontes consultadas
Documentos do projeto
Os documentos abaixo existem no repositório interno do projeto e ainda não têm endereço público. Solicite ao DPM.
- InternoDicionário de dados e decisões de normalização (julho de 2026).
- InternoRelatório de validação humana: roteiro de conferência das cifras e das telas (28/07/2026).
- InternoRelatório metodológico: fontes, regras de negócio e métodos estatísticos (28/07/2026).
- InternoRelatório de implementação e situação atual, com pendências e riscos (28/07/2026).
- InternoEspecificações técnicas de implantação em servidor e guia de empacotamento (julho de 2026).
- InternoPágina "Metodologia & Qualidade" do próprio dashboard, com as validações e cifras de conferência.
Glossário breve
- Desastre
- Resultado de evento adverso, natural ou antrópico, sobre cenário vulnerável, que cause danos humanos, materiais ou ambientais e prejuízos econômicos e sociais (Decreto nº 10.593/2020).
- Prevenção
- Medidas prioritárias destinadas a evitar a conversão de risco em desastre ou a instalação de vulnerabilidades (Decreto nº 10.593/2020).
- Mitigação
- Medidas destinadas a reduzir, limitar ou evitar o risco de desastre (Decreto nº 10.593/2020).
- Registro municipal
- Protocolo do S2iD referente a um município atingido; um desastre regional gera um registro por município.
- Reconhecimento federal
- Chancela da SEDEC à situação de emergência ou ao estado de calamidade declarados pelo ente (Portaria MDR nº 260/2022). No dashboard, status "Reconhecido".
- ONI
- Índice Oceânico Niño da NOAA: média móvel de três meses da anomalia de temperatura do mar na região Niño 3.4; El Niño com ONI ≥ +0,5 °C e La Niña com ONI ≤ −0,5 °C.
Referências externas
Links externos exigem conexão com a internet.
- MIDR/SEDEC. Atlas Digital de Desastres no Brasil. Brasília: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Acesso em 30/09/2026.
- BRASIL. Portaria MDR nº 260, de 2 de fevereiro de 2022 (consolidada com a Portaria nº 3.646/2022): procedimentos para declaração de situação de emergência e reconhecimento federal; anexo com a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (COBRADE).
- BRASIL. Decreto nº 10.593, de 24 de dezembro de 2020: organização do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil; definições de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação.
- BRASIL. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012: Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
- IBGE. Malha Municipal. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Edição 2022.
- NOAA Climate Prediction Center. Oceanic Niño Index (ONI): Historical El Niño / La Niña episodes (1950–present). Acesso em 30/09/2026.
- BRETHERTON, C. S.; WIDMANN, M.; DYMNIKOV, V. P.; WALLACE, J. M.; BLADÉ, I. The effective number of spatial degrees of freedom of a time-varying field. Journal of Climate, v. 12, n. 7, p. 1990–2009, 1999.
- IMAZON; SOCIAL PROGRESS IMPERATIVE. Índice de Progresso Social Brasil 2026. Belém: Imazon, 2026. 57 indicadores para os 5.570 municípios.
- UNDRR. Sendai Framework Terminology on Disaster Risk Reduction. Genebra: United Nations Office for Disaster Risk Reduction, 2017. Definições de ameaça (hazard), exposição, vulnerabilidade e risco de desastre.