Selo da Proteção e Defesa Civil do BrasilConjunturaFERAH · MIDR · SEDEC · DPM
MIDRSEDECDPMProjetosFERAHConjuntura
Produto operacional em ambiente interno · lote nacional concluído · porte do painel usado pela ANA
Sistema Conjuntura · plataforma FERAH

O quanto um ano fugiu do normal

Chuva e vazão em toda a rede hidrometeorológica do Brasil, com a raridade medida, o lugar mapeado e a duração datada

Operacional em ambiente interno Lote nacional concluído: 47.063 comparações Origem: painel da ANA (FERAH/OpenJUMP) Atualizado em 30/09/2026

Todo ano a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico publica o Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos, e nele um mapa responde à pergunta mais simples e mais difícil da hidrologia: choveu e correu mais ou menos água do que o normal, e onde? O mapa nascia num painel do FERAH em Java, com dias de trabalho manual entre a planilha e a figura.

O sistema Conjuntura é o porte desse painel para a web, com o mesmo método e os mesmos nomes de coluna, mais o que faltava: a probabilidade de um ano tão extremo, o tempo de retorno auditável, a seca com começo e fim, o aviso de quando "a média histórica" não existe e o relatório pronto para revisar. Um lote do Brasil inteiro leva quinze minutos.

Mapa do Brasil com a anomalia da vazão média do ano hidrológico 2023 em 947 estações e na hidrografia: rios do Rio Grande do Sul em azul escuro (mais de 100% acima da média), Uruguai +96% e Atlântico Sul +87%; Amazônia ocidental, Paraguai, São Francisco e Sudeste em vermelho, com Guaporé e Mamoré no ano mais seco de 41 e 54 anos de registro.
2023, o ano dos dois extremos. A enchente no Sul e a seca sem precedente na Amazônia no mesmo ano hidrológico, lidas posto a posto e transpostas para os cursos d'água da Base Hidrográfica Ottocodificada. Figura elaborada a partir do lote nacional de vazão do sistema (28/08/2026).
16.727
estações de chuva e vazão no acervo
12.482 pluviométricas e 4.245 fluviométricas do HIDRO/ANA; 7.590 com 30 anos ou mais
202 mi
registros diários no PostGIS do DPM
46 milhões de vazão (desde 1901) e 156 milhões de chuva (desde 1846)
15 min
para o Brasil inteiro
2.263 estações × 10 anos = 22.630 comparações com sazonalidade, tempo de retorno e selo de tendência
3
réguas para cada número
diferença percentual, posição no ranking com classe quantílica e tempo de retorno
+96%
vazão no Uruguai em 2023
mediana de 64 postos; um deles 223% acima e no topo de 81 anos de série
15%
dos postos de vazão viveram em 2015 o ano mais seco da própria história
contra 2% esperados ao acaso

Fontes: inventário do sistema (ETL de 28/08/2026) e estudos nacionais de vazão (c351195ac709) e chuva (fb0aea9b3fed), anos hidrológicos 2015–2024.

O que o sistema responde

Comparar um ano com a própria história de cada posto

Dizer que "choveu pouco" não serve para decidir nada. O que orienta o reconhecimento de uma situação de emergência, a operação de um reservatório ou a revisão de uma outorga é quanto faltou, com que raridade, onde e por quanto tempo. Essas quatro perguntas exigem comparar cada estação com ela mesma, porque 800 mm é seca em Belém e dilúvio em Petrolina.

A conta que importa é simples e cheia de armadilhas. O total de chuva de 2015 num posto só faz sentido diante da distribuição dos totais anuais daquele posto: um número por ano hidrológico, cada um medido na mesma janela e com o mesmo critério de falha. Dessa distribuição saem de uma vez a média de referência, a diferença percentual que vira o mapa, a posição do ano no ranking, a classe e o tempo de retorno.

Duas regras herdadas do painel da ANA continuam valendo aqui: o ano em análise sai da referência que o julga, para não amortecer a própria anomalia; e falha nunca é preenchida: um ano reprovado sai inteiro, não entra pela metade. E o ano é hidrológico, de outubro a setembro, porque o ano civil parte a estação chuvosa ao meio no Brasil inteiro.

Onde isso é reconhecível

O painel PanelComparaSeries do FERAH/OpenJUMP, e a interface de conjuntura criada dentro dele em 2025, produzem os mapas de quantidade de água do Relatório de Conjuntura da ANA. Este sistema é o seu porte: quem tem projetos de QGIS e planilhas presos aos nomes antigos exporta em modo legado e continua abrindo tudo.

difmmPtdiferença percentual contra a média dos anos, o número dos mapas posmpAtposição do ano no ranking crescente da estação imtmpAtclasse quantílica (extremamente seco … extremamente chuvoso) vp_JAN, difmed_T1valor e diferença por mês e por trimestre do ano hidrológico

A escala de dez faixas de anomalia e as sete classes quantílicas são as mesmas da legenda publicada; a métrica do mapa é a comparação com a média dos totais anuais, não com a estatística de todos os dias.

−100 a −75%−75 a −50%−50 a −25%−25 a −10%−10 a +10% · normal+10 a +25%+25 a +50%+50 a +75%+75 a +100%acima de +100%

A escala dos mapas desta página: diferença do ano em relação à média histórica do posto, em dez faixas. Vermelho sempre significa menos água; azul, mais água. A cor de marca (laranja SEDEC) nunca é usada em dado.

Dez anos em mapas

2015 a 2024: a década, posto a posto e rio a rio

Dois lotes nacionais rodados em 28/08/2026: chuva (total anual em 8.161 estações, 4.000 com resultado) e vazão (média anual em 2.263 estações, 1.536 com resultado), para os dez anos hidrológicos de 2015 a 2024. Cada ponto é uma estação comparada com a própria história; cada rio pintado herda o resultado da estação mais crítica sobre ele.

Chuva, dez anos. O ciclo salta aos olhos: a seca plurianual do Nordeste (2015–2017), o ano seco de 2020 no Centro-Sul, a virada úmida de 2021–2022 e o contraste de 2023. Números por ano: mediana dos postos e frações abaixo e acima da faixa normal.
Vazão, dez anos, lida nos rios. A transposição para a hidrografia é a forma mais legível de comunicar seca: um rio inteiro em vermelho diz mais que trinta pontos. A rede pintada encolhe nos anos recentes porque os dados ainda não foram consistidos no HIDRO, e o sistema prefere reprovar o ano a preenchê-lo.
Quanto do país esteve em cada classe. A classificação quantílica (percentis 5, 15, 33, 66, 85 e 95 da história de cada posto) não ajusta distribuição nenhuma, só ordena, e por isso continua válida em séries curtas. 2020 foi o ano mais seco da década; 2021 e 2022, os mais úmidos.
Três anos que marcaram

O mesmo método, três histórias diferentes

2015

O El Niño forte e a seca do Nordeste

  • Vazão na região Atlântico Nordeste Oriental 88% abaixo da média (138 postos); Atlântico Leste −62%; São Francisco −47%.
  • No Sul, o oposto: Uruguai +39% e Atlântico Sul +29%.
  • 15% de todos os postos de vazão viveram o ano mais seco de toda a sua série; 30% viveram uma seca de mais de 20 anos de tempo de retorno.
  • A leitura regional coincide com a publicada no Relatório de Conjuntura da ANA para 2015.
2020

A crise hídrica do Centro-Sul

  • O ano mais seco da década em chuva: mediana nacional −17%, 63% dos postos abaixo do normal.
  • Paraná −29% e Paraguai −27% em chuva; em vazão, Paraná −42%, Paraguai −36%, Uruguai −50%.
  • A Amazônia foi a única região em alta (+8% em vazão).
  • 8,6% dos postos de chuva registraram o ano mais seco da própria história.
2023

Enchente no Sul, seca na Amazônia

  • Vazão no Uruguai +96% e no Atlântico Sul +87% (medianas); dezenas de postos acima de +100% com tempo de retorno superior a 100 anos.
  • No mesmo ano, Guaporé e Mamoré no ano mais baixo de 41 e 54 anos de série; Paraguai −42%; São Francisco −37%.
  • 8,6% dos postos de vazão viveram cheias de mais de 20 anos de tempo de retorno, a maior fração da década.
  • A anomalia concentrou-se de outubro a dezembro: é o que a sazonalidade por trimestre do ano hidrológico mostra.
2015 por região. A coerência (fração de postos com o mesmo sinal da mediana) diz se o déficit é de área ou de um punhado de postos: no Nordeste, 94 a 99% concordam.
Quando, dentro do ano. A sazonalidade é relativa ao ano hidrológico: o trimestre 1 vai de outubro a dezembro, como o painel Java passou a fazer em 2025. 2023 foi um evento de primavera no Sul; 2020, um ano inteiro de déficit.
A década região a região. A tela Panorama produz esta leitura ao vivo para cinco divisões territoriais (região hidrográfica, UF, UGRH, sub 2 do PNRH e sub-bacia DNAEE); aqui, a versão estática para as regiões hidrográficas, com o número de postos em cada célula.
Da anomalia ao risco

"38% abaixo" é informação relativa; "seca de 40 anos" é informação de risco

A diferença percentual é o número que o público lê e o que mais engana quem não olha a variabilidade junto. Por isso cada resultado sai também como posição no ranking da própria estação e como tempo de retorno ajustado, com a aderência do ajuste à vista. As duas leituras abaixo saem do mesmo lote nacional.

Recordes. A posição no ranking é a leitura que menos depende de hipótese: "1º de 47" é o ano mais seco em quarenta e sete anos de série, e ponto. Num ano qualquer, cerca de 2% dos postos bateriam recorde ao acaso; em 2015, foram 15% na vazão.
Tempo de retorno. Distribuição Gama ajustada por momentos-L à série anual de cada posto, com as duas caudas explícitas (seca = cauda inferior, cheia = superior) e teto de 500 anos, porque rio intermitente que secou daria "milhões de anos", aritmeticamente certo e sem sentido.

Por que três réguas e não uma. Um ano pode estar em "seco" pela classe quantílica e em "0 a 10 anos" pelo tempo de retorno. Não é contradição: é o mesmo fato dito em duas réguas, e mostrar as duas evita a leitura fácil demais. A posição no ranking sustenta uma frase de relatório; o tempo de retorno sustenta uma decisão de risco; a diferença percentual sustenta um mapa.

Uma estação por dentro

Tucunduva, rio Santa Rosa (RS): 85 anos de série e o ano de 2023

Antes de rodar o Brasil inteiro, quem usa a ferramenta quer conferir uma estação que conhece. A tela Estação responde em menos de um segundo e mostra o dado nos olhos: a série ano a ano, onde o ano em análise caiu, a climatologia, se a série tem tendência e há quanto tempo dura a seca em curso. Os exemplos abaixo são consultas reais à API do sistema em 30/09/2026.

+223%

Diferença percentual

105 m³/s no ano hidrológico 2023 contra 32,6 m³/s de média de referência (80 anos válidos, sem 2023). Faixa "acima de +100%": a última da escala do mapa.

81ª de 81

Posição e classe

O maior valor em toda a série; percentil 100; classe "extremamente alta". Probabilidade empírica de um ano assim: 1 em 81.

> 100 anos

Tempo de retorno

Cauda das cheias da Gama ajustada por momentos-L; a estimativa atinge o teto de 500 anos. Tempo de retorno empírico: 81 anos. A série tem tendência crescente e quebra em 1981, e o selo avisa.

As três réguas em um só gráfico. As faixas coloridas são as classes quantílicas da própria estação; a linha tracejada é a média de referência calculada sem o ano avaliado. A anomalia de 2023 é tão grande que fica fora do alcance de qualquer ajuste feito com 80 anos de dado.
Tempo de retorno auditável. O legado impunha uma Gama por máxima verossimilhança. Aqui são seis candidatas por momentos-L, e o analista vê KS e AIC de cada uma antes de publicar um número: a segunda colocada daria um tempo de retorno de 100 anos diferente.
A seca com começo, meio e fim. A classe anual responde "o ano foi seco?"; o SSI-12 com teoria dos ciclos responde "há quanto tempo, quão fundo e quanto faltou no total": em Príncipe da Beira (RO, 341.000 km²), 27 meses seguidos abaixo do limiar, com o pico em novembro de 2024.
A bacia amplifica. Uma chuva 29% abaixo virou uma vazão 88% abaixo no Nordeste Oriental em 2015. Em Tucunduva, em 2023, a chuva dos três postos vizinhos ficou 73% acima e a vazão 223%: amplificação de 3,1. Quando a razão foge do esperado, ela aponta regularização, retirada ou dado inconsistente.

O que a tela Estação mostra, em sete abas

  • Visão geral. Série ano a ano, onde este ano caiu na distribuição, as três réguas e a ficha cadastral.
  • Sazonalidade. Climatologia mensal, trimestral e semestral do ano hidrológico com o ano em análise sobreposto e o detalhe por período.
  • Índices de extremos. 40 índices ETCCDI e de vazão (dias consecutivos secos, máximos de 1 e 5 dias, Qmín 7d, permanências) em série anual com selo de tendência.
  • Seca e SPI/SSI. Índices padronizados em quatro escalas e os eventos identificados por teoria dos ciclos, com início, fim, duração, déficit e pico.
  • Frequência. Seis distribuições por momentos-L, KS e AIC, quantis por tempo de retorno nas duas caudas.
  • Chuva × vazão. A anomalia de vazão cruzada com a dos postos de chuva da bacia, e a razão entre as duas.
  • Dados e cobertura. Curva de permanência, matriz ano × mês de cobertura da série e download.
Dá para confiar no número?

O aviso que toda anomalia precisa, e a lista de quem ficou de fora

Comparar um ano com "a média histórica" pressupõe que exista uma média histórica: que a série seja estacionária. Onde há tendência forte ou quebra de patamar (reservatório que fechou, mudança de uso do solo, sinal climático), a média de 50 anos não descreve nenhum ano em particular, e a anomalia mistura "o ano foi seco" com "a série vinha caindo".

O sistema não corrige isso; ele avisa. Cada estação sai do lote com um selo de estacionariedade (Mann–Kendall para a tendência, Sen para quanto por ano, Pettitt para a quebra e quando), e a interface mostra o selo junto do número. É a diferença entre um mapa que informa e um mapa que induz. Na vazão, cerca de metade das estações do lote nacional carrega algum aviso; em São Francisco, Tocantins-Araguaia e Atlântico Leste, três de cada quatro.

Da mesma forma, ninguém sai do lote em silêncio. Os 9.880 pares estação-ano descartados no estudo de vazão e os 47.297 do de chuva estão listados com o motivo: 97 a 99% deles porque não havia dado dentro da janela do ano (dado ainda não consistido), o resto por referência curta demais ou por falha acima da tolerância.

O selo por região. Testes não paramétricos, porque série hidrológica não é normal; Mann–Kendall também sai corrigido por pré-branqueamento, porque séries anuais de vazão têm autocorrelação e ignorá-la infla a significância.
O acervo por baixo do sistema. Duas tabelas do dump nacional do HIDRO no PostGIS do DPM são a espinha do sistema: é o que permite o lote do Brasil inteiro sem webservice. A rede analisável encolhe nos anos recentes porque o dado ainda não foi consistido, não porque os postos sumiram.
Conheça o sistema

Quatro telas, uma pergunta cada

Capturas reais da interface em operação no ambiente interno do DPM em 30/09/2026, com os dois estudos nacionais carregados. O objeto de parâmetros é um só: o que se ajusta olhando uma estação é exatamente o que o lote fará em três mil. Selecione uma imagem para ampliar.

Panorama: como foi este ano, e onde? A tela responde na ordem da pergunta: quanto (faixa nacional e frações por classe), onde (o mapa, com camadas de postos, rios, superfície interpolada e regiões) e quem (as regiões e o ranking). Mudar o ano na linha do tempo move tudo junto.Ampliar imagem
O estudo de vazão no Panorama. Abrir um estudo leva o mapa junto: em 2024, 65% dos postos de vazão abaixo do normal. As camadas Rios, Superfície e Regiões trocam a leitura sem trocar o dado.Ampliar imagem
Estação: o que aconteceu aqui, e dá para confiar? A série ano a ano, onde o ano caiu, e o selo de tendência ao lado do número.Ampliar imagem
Seca e SSI. Os eventos identificados por teoria dos ciclos, com as secas mais severas em tabela.Ampliar imagem
Frequência. Seis distribuições, ranking por aderência e quantis por tempo de retorno nas duas caudas.Ampliar imagem
Sazonalidade. Mensal, trimestral e semestral, sempre relativas ao início do ano hidrológico.Ampliar imagem
Chuva × vazão. A elasticidade que explica por que uma chuva 20% abaixo vira uma vazão 55% abaixo.Ampliar imagem
Comparar: dois períodos são diferentes além do acaso? Antes e depois de uma barragem, de uma década, de uma mudança de uso do solo.Ampliar imagem
Estudos: montar, rodar e levar embora. Prévia do tamanho antes do compromisso, lote em segundo plano retomável, tabela de atributos com paridade de nomes com o CSV do Java, lista de descartes e relatório.Ampliar imagem

Os mapas usam fundo cartográfico de terceiros (Esri, HERE, Garmin, OpenStreetMap), carregado pela internet quando o sistema está em uso. Nas capturas, o endereço interno do banco de dados foi ocultado.

Como funciona

Do registro diário ao mapa, em cinco passos

O acervo, inteiro e local

202 milhões de registros diários de 16.727 estações do HIDRO/ANA, no PostGIS do DPM. O ETL materializa o inventário com nove divisões territoriais por consulta espacial e as séries em parquet, em blocos de 120 estações por consulta.

A janela e o ano hidrológico

Cada série é cortada em anos hidrológicos (outubro a setembro, ajustável). Um ano com mais de 10% de dias faltando é reprovado por inteiro; estações com menos de 15 anos válidos ficam de fora, com o motivo anotado.

Uma estatística por ano

Total, média, mínimo, máximo ou permanência de cada ano, na mesma janela e com o mesmo critério. Também por mês, trimestre e semestre relativos ao início do ano hidrológico, e 40 índices de extremos.

As três réguas

O ano em análise, fora da referência, é situado na distribuição dos demais: diferença percentual, posição e classe quantílica, tempo de retorno por momentos-L. O selo de estacionariedade sai junto.

Do posto ao território

Agregação por região, UF, UGRH, sub-bacias e polígono desenhado ou enviado; transposição para os cursos d'água da BHO; superfície interpolada mascarada ao alcance dos postos; relatório em Markdown, PDF e Word.

O que o painel da ANA fazia, e continua sendo feito

  • Comparação de períodos, diária e agregada
  • Sazonal mensal, trimestral e semestral, relativos ao ano hidrológico
  • 40 índices de extremos ETCCDI e de vazão
  • Estatísticas gerais da estação e permanências sazonais
  • Transposição do resultado para os cursos d'água
  • Filtros por shape, código, área e tamanho de série
  • CSV com os mesmos nomes de coluna; GeoJSON e XLSX

O que passou a existir

  • SPI e SSI em quatro escalas, com os eventos de seca datados
  • Significância: a probabilidade empírica de um ano tão extremo
  • Tempo de retorno auditável: seis distribuições, KS e AIC à vista
  • Selo de estacionariedade (Mann–Kendall, Sen, Pettitt)
  • Elasticidade chuva–vazão por bacia
  • Lista de descartes com o motivo de cada exclusão
  • Mapa nacional interativo com linha do tempo; relatório do estudo pronto para revisar

770 s

para 22.630 comparações de vazão (2.263 estações × 10 anos) com 8 trabalhadores; 1.164 s para 81.610 de chuva

0,3 s

de CPU por comparação, com sazonalidade, tempo de retorno anual e selo de estacionariedade

25 est/s

na leitura do acervo em blocos; o cache nacional de chuva (9.113 séries, 1,1 GB) sai em cinco minutos

54

testes automatizados sem banco e sem rede, que fixam a semântica herdada do painel: o ano que atravessa o réveillon, o ano com falha que sai inteiro, o alvo que não entra na própria média

Para a Defesa Civil

Prevenção e mitigação começam por saber o quanto fugiu do normal

A Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (Lei 12.608/2012) pede monitoramento, alerta e reconhecimento fundamentados em dado. O sistema entrega, para qualquer recorte do território e para qualquer ano, a resposta padronizada e reproduzível a "isto é normal?", com a receita anexada para que outro técnico chegue ao mesmo número.

Estiagem e seca

Fundamentar o reconhecimento e acompanhar a duração

  • Anomalia, posição e tempo de retorno da chuva e da vazão do ano em qualquer município, UF, UGRH ou polígono enviado, com o número de postos e a coerência ao lado. disponível
  • SPI e SSI com os eventos datados: há quanto tempo a seca dura, quão fundo chegou e como se compara às anteriores. disponível
  • Boletim periódico automático por região, a partir do relatório do estudo. uso potencial
Cheias e inundações

Situar o ano e o mês na história de cada bacia

  • Cheias raras identificadas pela cauda superior, com tempo de retorno e aderência do ajuste; sazonalidade que mostra em que trimestre a água veio. disponível
  • Máximos de 1 e 5 dias e demais índices de extremos por estação, em série anual com tendência. disponível
  • Ligação com os sistemas de previsão e de curva-chave do FERAH para transformar anomalia em cota. previsto
Planejamento e relatórios

Reproduzir o mapa da Conjuntura em minutos, com a receita

  • Lote nacional em quinze minutos, exportado em CSV com paridade de nomes com o legado, GeoJSON de pontos e rios e XLSX com descartes e receita. disponível
  • Relatório do estudo em Markdown, PDF e Word, com mapas, painel regional, ranking e ressalvas escritos a partir dos números. disponível
  • Análise de série própria (upload de .dat, CSV ou zip) com as mesmas réguas. disponível

O que o sistema não faz. Não prevê o ano que vem, não naturaliza vazões afetadas por reservatórios e não decide se uma anomalia é desastre: ele mede, situa e avisa. A decisão continua com quem tem a competência legal para tomá-la, agora com um número reproduzível, uma raridade medida e uma lista de ressalvas ao lado.

Método, dados e limitações

De onde vêm os números e com que cautela lê-los

FonteInstituiçãoO que fornecePeríodo
Rede pluviométrica e fluviométrica (HIDRO)ANAchuva diária de 12.482 estações e vazão diária de 4.245, em dump nacional no PostGIS do DPM (somente leitura)1846–hoje e 1901–hoje
Inventário das estaçõesANAcadastro, rede básica e estratégica, operadora, área de drenagemedição de 2026
Base Hidrográfica Ottocodificada 2017 5kANA464.067 trechos e cursos d'água para a transposição; hidrorreferenciamento das estaçõesedição 2017
Divisões territoriaisANA, IBGEregiões hidrográficas, bacias e sub-bacias DNAEE, sub 1 e sub 2 do PNRH, UPH estaduais, UGRH, municípios e UFvigentes
Painel PanelComparaSeries do FERAH/OpenJUMPANAmétodo, regras e nomes de coluna do produto legado, portados e fixados em testesaté 2025

Cautelas de interpretação

  • Estacionariedade. Onde há tendência ou quebra, a anomalia mistura o ano com a deriva da série. O selo marca cada estação; ele não corrige.
  • Rio intermitente. Onde a referência é próxima de zero, a diferença percentual fica instável e satura em −100%. Posição no ranking e classe quantílica são leituras mais firmes; o tempo de retorno tem teto de 500 anos por isso.
  • Cobertura desigual. A densidade de postos varia muito entre regiões e cai nos anos recentes por dado não consistido; cada agregado sai com o número de postos ao lado.
  • Vazão observada. A vazão é a medida na estação, afetada por reservatórios e usos a montante; o sistema não naturaliza.
  • Ajuste sazonal. O tempo de retorno por período sazonal multiplica o lote por quatro e fica desligado por padrão; a faixa sazonal sai da posição empírica.
  • Elasticidade. Não é reportada com chuva próxima da média (limiar de 8%), porque a razão vira artefato de divisão; o caso continua informativo e a leitura descreve o descolamento.

Receita do estudo nacional de vazão

Toda análise sai com a receita em JSON, para que outro técnico reproduza o mesmo número.

variávelvazões · estatística: média anual anos2015 a 2024, ano hidrológico com início em outubro falhatolerância de 10% de dias faltando por ano; 20% no ano-alvo referênciamínimo de 15 anos válidos; ano avaliado excluído sazonaismensal, trimestral, semestral distribuiçãoGama por momentos-L, com selo de tendência transposiçãopara os rios, critério "mais crítico", classes A a C de hidrorreferenciamento resultado12.750 comparações válidas, 9.880 descartes com motivo, 770 s
Estágio e próximos passos

O que está pronto e o que falta

Concluído
  • Porte completo do painel legado, com paridade de nomes no CSV e as regras de semântica fixadas em 54 testes automatizados.
  • Acervo nacional materializado (16.727 estações; séries de chuva em cache local) e dois lotes nacionais concluídos em 28/08/2026.
  • Sistema estável em operação no ambiente interno do DPM: Panorama, Estação (sete abas), Comparar e Estudos; API documentada; relatório do estudo em Markdown, PDF e Word.
  • Validação contra o publicado: a leitura regional de 2015 coincide com a do Relatório de Conjuntura da ANA.
Em uso interno ou validação
  • Uso pela equipe do DPM para leitura de anomalias; sem endereço público e sem instrumento formal de parceria com a ANA para o porte.
  • Conferência cruzada dos resultados por quem produz o Relatório de Conjuntura, que a validação unilateral feita aqui não substitui.
  • Relatório automático do estudo: texto gerado a partir dos números, para revisão do analista.
Previsto ou pendente
  • Atualização periódica dos lotes nacionais conforme os dados do HIDRO forem consistidos; boletim por região.
  • Acoplamento aos sistemas de previsão e de curva-chave do FERAH (anomalia → cota).
  • Tempo de retorno sazonal em lote (hoje desligado por custo).
  • Publicação de nota técnica do porte e do método, no padrão SEDEC.
Referências e glossário

Em que o método se apoia

A documentação do sistema (README, dicionário de colunas servido pela API e relatório de cada estudo) está no acervo do DPM e é disponibilizada por solicitação à Diretoria. As referências abaixo são as fontes públicas do método.

Referências de método

  1. McKee, T. B.; Doesken, N. J.; Kleist, J. The relationship of drought frequency and duration to time scales. In: 8th Conference on Applied Climatology, Anaheim, 1993. p. 179–184 (o SPI).
  2. Vicente-Serrano, S. M.; Beguería, S.; López-Moreno, J. I. A multiscalar drought index sensitive to global warming: the SPEI. Journal of Climate, v. 23, n. 7, p. 1696–1718, 2010. doi:10.1175/2009JCLI2909.1.
  3. World Meteorological Organization. Standardized Precipitation Index User Guide (WMO-No. 1090). Geneva, 2012. library.wmo.int.
  4. Yevjevich, V. An objective approach to definitions and investigations of continental hydrologic droughts. Hydrology Papers 23, Colorado State University, 1967 (teoria dos ciclos).
  5. Hosking, J. R. M.; Wallis, J. R. Regional frequency analysis: an approach based on L-moments. Cambridge University Press, 1997.
  6. Mann, H. B. Nonparametric tests against trend. Econometrica, v. 13, p. 245–259, 1945; Kendall, M. G. Rank correlation methods. Griffin, 1975; Sen, P. K. Estimates of the regression coefficient based on Kendall's tau. JASA, v. 63, p. 1379–1389, 1968.
  7. Pettitt, A. N. A non-parametric approach to the change-point problem. Applied Statistics, v. 28, n. 2, p. 126–135, 1979.
  8. Yue, S.; Wang, C. The Mann-Kendall test modified by effective sample size to detect trend in serially correlated hydrological series. Water Resources Management, v. 18, p. 201–218, 2004.
  9. Zhang, X. et al. Indices for monitoring changes in extremes based on daily temperature and precipitation data. WIREs Climate Change, v. 2, p. 851–870, 2011 (índices ETCCDI).

Dados e marco institucional

  1. ANA. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil (relatórios anuais e informes). gov.br/ana.
  2. ANA. Portal HidroWeb (séries históricas). snirh.gov.br/hidroweb. Base Hidrográfica Ottocodificada 2017 5k: metadados.snirh.gov.br.
  3. Brasil. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012 (Política Nacional de Proteção e Defesa Civil). Planalto. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos). Planalto.
  4. UNDRR. Terminologia de redução do risco de desastres (seca, perigo, exposição). undrr.org/terminology.
Glossário breve
Ano hidrológico
Ano que começa no início da estação chuvosa (aqui, outubro) e termina no fim da seca; "2015" vai de 1º/10/2015 a 30/09/2016.
Anomalia
Diferença entre o valor de um ano e a média de referência do posto, em percentual; nos mapas, em dez faixas.
Classe quantílica
Faixa da distribuição histórica em que o valor caiu: percentis 5, 15, 33, 66, 85 e 95 separam sete classes, de "extremamente seco" a "extremamente chuvoso" (escala do INMET).
Tempo de retorno
Intervalo médio, em anos, entre ocorrências de um valor igual ou mais extremo; seca é a cauda inferior (T = 1/F), cheia a superior (T = 1/(1 − F)).
Momentos-L
Método de ajuste de distribuições robusto a valores extremos e adequado a amostras curtas, padrão em hidrologia regional.
SPI / SSI
Índices padronizados de precipitação e de vazão: a variável acumulada em k meses, ajustada mês a mês e transformada em desvios-padrão; a OMM recomenda o SPI como indicador de referência de seca meteorológica.
Teoria dos ciclos
Regra que identifica um evento de seca quando o índice cruza um limiar para baixo e o encerra quando volta acima; a severidade é o déficit acumulado.
Estacionariedade
Propriedade de uma série cujas estatísticas não mudam no tempo; sem ela, "a média histórica" não descreve nenhum período em particular.
Transposição
Levar o resultado de uma estação a todo o curso d'água em que ela está, prevalecendo a estação mais crítica quando há várias.
Seca (UNDRR)
Período prolongado de deficiência de precipitação em relação ao normal; a seca hidrológica é a que se manifesta na vazão e nos reservatórios.

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