Vazão não alaga. Nível alaga.
Da régua da estação à mancha de inundação: quanto o rio sobe com uma dada vazão e até onde a água chega, em qualquer trecho da hidrografia brasileira
Os modelos hidrológicos entregam metros cúbicos por segundo. A proteção civil precisa de metros: a lâmina d'água sobre a rua, a extensão do bairro alagado, a cota que a ponte suporta. A tradução entre as duas grandezas é a curva-chave, e ela só existe, medida, em cerca de 2.700 pontos do território. Este sistema constrói essa tradução para os 463.105 trechos da rede hidrográfica mapeada e a leva até a mancha de inundação, calibrada em milhares de estações reais.
O resultado responde, para qualquer trecho de rio: que profundidade, que largura e que mancha correspondem a esta vazão?
O acervo em números
Entre a vazão e o risco existe uma tradução que a hidrologia costuma deixar implícita
Toda a modelagem chuva-vazão, incluindo o sistema de Modelagem hidrológica do FERAH, entrega vazão. Mas a decisão de proteção civil, o projeto de uma travessia, o estudo de navegabilidade e o mapa de perigo precisam de nível: lâmina, profundidade, extensão alagada. Quem converte uma coisa na outra é a curva-chave, a relação entre a leitura da régua e a vazão que passa pela seção, mantida pela ANA em cada estação com campanhas de medição.
Só que a curva-chave observada existe em cerca de 2.700 pontos. Nos demais 463 mil trechos da rede mapeada, a pergunta "que nível corresponde a esta vazão?" não tem resposta medida. Este sistema constrói a resposta em quatro elos encadeados, cada um validado contra observação antes de alimentar o seguinte.
Três dificuldades que definem o desenho
- O dado observado é rico e traiçoeiro. Cotas em centímetros, parâmetros em metros, três definições de "altura" que a prática confunde, curvas que mudam com o tempo e leitos que se movem. Cada convenção foi verificada contra o próprio dado antes de qualquer uso.
- Há uma circularidade à espreita. Se as leis de transferência fossem treinadas nas curvas-chave e validadas contra elas, o exercício provaria nada. Aqui elas são treinadas só nas medições de campo, independentes da curva.
- O terreno mente na parte que mais importa. Todo modelo digital de elevação registra a superfície da água do dia da aquisição, não o leito. O canal que conduz a maior parte da vazão simplesmente não existe no terreno digital.
As três alturas que não se misturam
Um mesmo "nível de 8 metros" pode significar três coisas diferentes. O sistema as mantém separadas de propósito.
A cadeia, em uma frase
Estação observada → vínculo estação × rede → geometria hidráulica regionalizada → terreno (HAND) com curva sintética calibrada → mancha e exposição urbana. Cada elo tem a sua incerteza medida e declarada, e o produto final junta as duas cadeias do FERAH: vazão em qualquer trecho × curva em qualquer trecho = lâmina e mancha em qualquer trecho.
A HydroTable observada: o nível vira tudo de uma vez
Para cada estação com curva e perfil transversal, o sistema constrói uma tabela nível → vazão, área molhada, largura, perímetro, raio hidráulico e profundidades. A vazão sai da curva vigente na data, respeitando tramos e períodos de validade; a geometria sai da integração do perfil levantado em campo. Da razão entre as duas, com a declividade do trecho, deriva o coeficiente de rugosidade equivalente da seção, o diagnóstico que mais tarde ancora a curva sintética.
de erro mediano ao recomputar 84.969 medições pela curva vigente
Com o parâmetro h0 lido em metros. Lido em centímetros, um erro fácil de cometer e difícil de notar, o erro mediano vai a 98,3%. A convenção está fixada em teste automatizado.
de erro em área molhada e largura com perfil contemporâneo
A geometria integrada do perfil reproduz a medição de campo quando o levantamento tem até 30 dias. É o teto de qualidade do elo observado.
estações com curva, seção e medição ao mesmo tempo
O universo útil do acervo. O legado não filtrava curvas descartadas pela própria ANA; aqui só entram as válidas, e cada linha carrega classe de qualidade de A a E.
Profundidade e largura para 463 mil trechos, sem circularidade
Levar a hidráulica das estações aos trechos sem estação exige três coisas: saber exatamente qual trecho da rede cada estação mede, aprender no campo como a seção acomoda vazões crescentes, e escolher a variável certa para transportar essa lei entre rios de portes diferentes. As três foram decididas por medição, não por tradição.
O vínculo estação × trecho: cinco sinais, não um
Associar uma estação ao trecho da BHO só pela proximidade em linha reta erra em confluências e em vales paralelos. O cruzamento usa vizinhança espacial, razão entre as áreas de drenagem (o sinal dominante), nome do rio, refinamento ao longo do curso d'água e consistência topológica, e classifica cada vínculo de A a D.
- 83,8% em classe A e 10,6% em B, nas 2.677 estações cruzadas; erro mediano de área de 0,55% e distância mediana de 94 m.
- Em 14,6% dos vínculos A/B o trecho certo não é o mais próximo. Qualquer cruzamento puramente espacial erraria um em cada sete.
A lei aprendida no campo, não na curva
As leis de Leopold e Maddock (profundidade média e largura como potências da vazão) são ajustadas sobre as medições de descarga: profundidade como área sobre largura e largura direta, ambas medidas com molinete. A curva-chave nunca entra no treino; é o instrumento a reproduzir, não o professor.
- 2.346 estações treináveis (ao menos 15 medições cobrindo um fator 5 de vazão); expoentes concentrados em 0,38 para profundidade e 0,10 para largura.
- A assinatura brasileira: margens relativamente rígidas. O rio acomoda vazão afundando mais do que alargando.
Como cada trecho recebeu a sua curva
A transferência segue uma hierarquia do mais local ao mais genérico, e a proveniência fica gravada em cada trecho. Quando há doador e regressão, usa-se a média geométrica das duas estimativas.
de erro mediano em profundidade nos trechos sem estação
Validação cruzada honesta em dez blocos, contra medições de campo nunca vistas no treino. É cerca de cinco vezes a incerteza da curva observada: a régua do que "não ter estação" custa em hidráulica.
de distância mediana ao doador, medida ao longo do rio
Não em linha reta. A quilometragem acumulada da BHO permite medir a distância que interessa à hidráulica.
profundidade e largura medianas da rede na vazão média
Números que lembram que a rede é dominada por rios pequenos, com os grandes eixos resolvidos em continuidade até dezenas de metros de profundidade.
HAND: o terreno reescrito a partir do rio, e a curva que ele esconde
O HAND (altura acima da drenagem mais próxima) troca a referência do modelo de terreno: em vez de medir a altitude de cada célula em relação ao mar, mede-a em relação ao ponto do rio para o qual ela drena. O mapa que resulta é o mapa do potencial de inundação, e transforma o problema da mancha numa comparação célula a célula: inunda se o HAND for menor ou igual ao estágio do rio.
A drenagem é a da BHO
Os trechos da base oficial são rasterizados carregando a identidade do trecho; o traçado é aprofundado só para condicionar o escoamento. O HAND final é medido contra o terreno original.
Cada célula sabe para onde drena
Seguindo a direção de fluxo até o canal, cada célula recebe a altura acima do seu rio e o trecho de destino. Em confluências, isso evita inundar uma célula pelo rio errado.
Curva sintética por trecho
Numa escada de estágios de 0,25 a 15 m, integram-se área e volume das células com HAND ≤ h; a equação de Manning fecha a vazão. Só terreno e topologia, nenhum dado hidrométrico ainda.
Calibração contra a estação
Onde há âncora com HydroTable observada, a curva sintética é confrontada com a real. É aqui que o ponto cego do terreno aparece, e é corrigido.
o absurdo que revelou o problema
Calibrar só a rugosidade contra a curva observada devolve um coeficiente dez vezes maior que o de um rio natural: o parâmetro estava engolindo o canal invisível. A solução nomeia o que falta, um parâmetro de batimetria sintética (d0), e o calibra junto com a rugosidade.
das âncoras elegíveis calibram: 2.470 de 2.526
Erro mediano de 9,7% e percentil 90 de 29%. A curva sintética passa a acompanhar a observada nos estágios médios e altos, exatamente a faixa das manchas.
razão entre o d0 calibrado e a profundidade máxima regionalizada
O rio médio estava a meia calha no dia em que o terreno foi adquirido: o que se esperaria. É o teste de coerência física do parâmetro.
Manchas confrontadas com desastres que aconteceram
Com a curva sintética calibrada, um cenário de vazão vira estágio por trecho; a mancha é o conjunto das células cujo HAND fica abaixo do estágio do trecho para o qual drenam, e a profundidade em cada célula é a diferença. Cruzada com a camada urbana do MapBiomas (coleção 10, 2024), a mancha vira exposição: área e fração urbana atingidas, lâmina mediana e lâmina no percentil 90. Onze cidades com cheia fluvial documentada foram o banco de prova.
Rio Branco (AC): distância entre o estágio modelado e o recorde de 2015
Com a maior vazão medida na âncora, o modelo dá 17,5 m; a cheia real de 2015 chegou a 18,40 m. A mancha reproduz o alagamento do Segundo Distrito, o bairro que a cheia devasta.
Vale do Taquari (RS): o ranqueamento que o desastre de 2023/24 confirmou
Rodado sem nenhum conhecimento do evento, o produto ordena a exposição urbana municipal como a tragédia: Roca Sales (41% da área urbana nos cenários extremos), Muçum (18%), Encantado (15%).
Blumenau (SC): erro de calibração da curva sintética
Em plena capital nacional das enchentes. No cenário de cem anos, 20,8 km² de área urbana atingida, a maior do elenco em área absoluta.
Cinco cidades, cenário de cem anos
Quicklooks gerados pelo próprio produto: relevo sombreado em cinza, área urbana do MapBiomas em bege, mancha em azul (mais escuro onde a lâmina é maior, até 5 m) e, em magenta, a cidade debaixo d'água.
O que estes mapas são, e o que não são
São envelopes geomorfológicos: até onde a água chega dado um estágio, com a topologia certa. Não resolvem remanso de confluência, ondas de cheia, rompimento ou operação de barragens, pontes e diques. Em vales encaixados a diferença para a hidrodinâmica é pequena; em planícies quase planas, a mancha deve ser lida como envelope. Servem para priorizar e para orientar onde investir em estudo detalhado, não para substituir o projeto.
As onze cidades-piloto
| Cidade | Rio | Erro de calibração da curva sintética | Área urbana atingida (Q100) |
|---|---|---|---|
| Blumenau/SC | Itajaí-Açu | 1,4% | 9,5% |
| Governador Valadares/MG | Doce | 6,1% | 10,7% |
| Iguatu/CE | Jaguaribe | 8,5% | 16,9% |
| Encantado/RS (vale do Taquari) | Taquari | 12,8% | 13,3% |
| Marabá/PA | Tocantins | 15,1% | 19,4% |
| Rio do Sul/SC | Itajaí-Açu | 18,5% | 16,3% |
| Teresina/PI | Parnaíba | 21,7% | 2,6% |
| Itajubá/MG | Sapucaí | 22,3% | 25,8% |
| Rio Branco/AC | Acre | 23,4% | 17,4% |
| União da Vitória/PR | Iguaçu | 34,0% | 14,3% |
| Porto Velho/RO | Madeira | 52,3% · fora do domínio | 8,9% |
As máximas históricas das séries das âncoras caem nos anos-desastre conhecidos de cada rio: 1983 (União da Vitória e Blumenau), 1980 (Marabá), 2014 (Madeira), 2015 (Rio Branco), 2024 (Rio do Sul). Validação de ordem e de magnitude, não de contorno célula a célula, e apresentada como tal.
Cinco telas do sistema Curva-chave
Capturas reais da versão em desenvolvimento, feitas em 30/09/2026 no ambiente interno do DPM, na estação União da Vitória (65310000). Cores, escalas e legendas são as do próprio sistema. Selecione uma imagem para ampliar.
A aba Profundidade (série de lâmina no tempo sobre seção fixa e canal navegável) retornou erro do servidor no momento das capturas e não está ilustrada; o problema está registrado para correção.
A escada de incerteza: cada passo para longe da régua custa, e o produto diz quanto
Nenhum dos números abaixo é escondido do usuário. Método, classe de confiança e bandeiras acompanham cada trecho, e cada limitação conhecida tem número e figura no relatório.
Cinco limites, com número
- Rios de planície com calha profunda. Em Porto Velho, no rio Madeira, a escada de estágios satura (d0 no teto de 8 m, n sem sentido físico, erro de 52%). O caso está declarado fora do domínio, e os 73 trechos nacionais no teto de d0 recebem a mesma bandeira. Grandes rios amazônicos exigem batimetria real.
- Leitos móveis e perfis envelhecidos. O erro da geometria de seção triplica quando o perfil tem até um ano (1,9% → 6,9%) e chega a 8,8% com dez anos. A mobilidade dos leitos entra na classe de qualidade de cada HydroTable.
- Estiagem na curva sintética. Com batimetria sintética, o modelo só "liga" o escoamento depois de preencher o canal invisível. Estiagem e regime são respondidos pela geometria regionalizada, nunca pela curva sintética.
- Calha menor que o pixel. Abaixo de cerca de 100 m³/s, o rio cabe dentro de uma célula de 30 m e a rugosidade calibrada vira parâmetro efetivo, não grandeza física. Transferi-la exige o par (d0, n).
- A mancha é geomorfológica. Sem remanso, ondas de cheia, barragens, pontes ou diques. Em vales encaixados, próxima da hidrodinâmica; em planícies de gradiente quase nulo, um envelope.
O que passa a ser possível responder
Aplicações apoiadas nos resultados já medidos. Onde o uso ainda não foi avaliado, a marcação diz isso.
Mapeamento e priorização de risco
- Mancha de inundação para cenários de 2 a 100 anos em qualquer trecho de bacia processada, com a lâmina por célula e a exposição urbana. disponível nas bacias-piloto
- Ranqueamento de municípios por fração urbana exposta e lâmina, para orientar onde investir em estudo detalhado e em obras. validado em 11 cidades e 121 municípios
- Priorização nacional de municípios pela extensão da varredura por sub-bacia. previsto; receita validada, agendamento pendente
Resposta e preparação
- Converter uma vazão prevista (sistema Previsão) ou uma anomalia em curso (sistema Conjuntura) em estágio e mancha no trecho. uso potencial, não avaliado
- Consultar a cota de extravasamento e o estágio esperado para Q10, Q50 e Q100 em qualquer estação com HydroTable. disponível
- Saber a dispersão da extrapolação acima da maior cota medida antes de confiar num alerta de cota. disponível
Planejamento, obras e água
- Profundidade e largura de referência (vazão média, Q90, Q95) em 463.105 trechos, para travessias, captações, navegabilidade e ecologia. disponível
- Pacote exportável por estação com nove tabelas e relatório de qualidade (~130 kB, 0,25 s), contrato com o projeto HydroTable/HAND-BR. disponível
- Lâmina de cheia com as vazões do conjunto multimodelo da regionalização como cenário alternativo ao índice regional. disponível (cenários Qmlt e Q95 no serviço)
Auditoria e conhecimento do território
- Confronto entre a hidráulica dinâmica e a estatística oficial: as classes de confiança da regionalização de vazões foram validadas externamente com este produto (razão por classe A 0,99 · B 0,97 · C 0,86 · D 0,67). feito
- Mapa de onde a curva sintética é confiável, por classe, nas 2.526 âncoras. previsto
- Bandeiras hidrodinâmicas no produto (remanso potencial, barragem, planície). previsto
De onde vêm os dados e o que cada um alcança
| Fonte | Conteúdo usado | Papel na cadeia |
|---|---|---|
| HIDRO/ANA (rede hidrométrica nacional) | 50.627 tramos de curva-chave, 1.049.587 medições de descarga, 84.733 perfis transversais, cotas diárias | HydroTable observada; treino das leis (só medições); âncoras de calibração |
| BHO 2017 5k (ANA) | 463.105 trechos com topologia, quilometragem, vazão média regionalizada e declividade | Esqueleto da transferência; variável de escala; drenagem imposta ao HAND |
| ANADEM (Laipelt et al., 2024) | Modelo de terreno de 30 m da América do Sul, lido por janela HTTP do arquivo em nuvem de 71 GB | Campo HAND e curva sintética por trecho; nenhuma cópia integral local |
| MapBiomas coleção 10 (2024) | Classe urbana agregada por município | Denominador da exposição urbana |
| Regionalização de vazões do FERAH | Vazão média, Q95 e cheias do conjunto de sete modelos por trecho | Cenários alternativos de mancha; auditoria cruzada das duas cadeias |
Como ler os resultados
- Curva sintética para cheia; geometria regionalizada para regime e estiagem. Cada instrumento na sua faixa.
- Classe e bandeiras viajam com o número. Trecho com d0 saturado ou fora da faixa de treino está marcado; consulte sempre os dois.
- Vazão derivada de curva-chave não é observação independente. Usá-la para validar a mesma curva é circular; o produto registra a origem de cada vazão.
- Nunca use só a curva mais recente para toda a série histórica. Curvas têm validade por data, e o sistema as respeita.
- Sem datum vertical. Nenhuma estação do acervo traz cota absoluta; o campo sai vazio por honestidade, e a altitude cadastral não deve ser usada no lugar.
- Cobertura da mancha. Hoje, duas bacias inteiras (Taquari-Antas e Itajaí) e onze recortes urbanos. A escala nacional é questão de agendamento, não de método.
- Sem operação pública. O sistema roda em ambiente interno; interface e dados podem ser revisados.
- Nada sobrescreve acervo. Reprocessar acrescenta versão, não apaga história.
O que está pronto, o que está em teste e o que vem depois
Retrato de 30/09/2026, com base no relatório técnico HydroTable/HAND-BR e na documentação de estado dos sistemas. Não há cronograma público; os itens previstos estão em ordem de retorno técnico, sem data.
- HydroTable observada auditada para 2.798 estações, com convenções fixadas em teste e classe de qualidade A–E.
- Cruzamento estação × BHO com cinco sinais e classes A–D (2.677 estações).
- Geometria hidráulica regionalizada nos 463.105 trechos, com validação cruzada e proveniência gravada; cheias Q2–Q100 por trecho.
- HAND e curva sintética calibrada em 2.470 âncoras; duas bacias inteiras e onze cidades validadas contra eventos.
- Junção vazão × curva: lâmina de referência em 463.105 trechos e auditoria externa das classes de confiança.
- Serviço de mancha por cobacia (API e interface) e relatório técnico (PDF e Word).
- Interface em desenvolvimento: a aba Profundidade apresentou erro de servidor nas capturas de 30/09/2026.
- Cenários de mancha com as vazões do conjunto multimodelo (Qmlt e Q95) além do índice regional.
- Publicação da plataforma em ambiente institucional: sem decisão.
- Varredura nacional do HAND por sub-bacia Otto nível 2.
- Confronto sistemático curva sintética × HydroTable nas 2.526 âncoras, por classe.
- Regionalizar o par (d0, n) pelas medianas regionais para trechos sem âncora.
- Priorização nacional de municípios por exposição.
- Bandeiras hidrodinâmicas (remanso, barragem, planície) e batimetria real nos grandes eixos onde ela existe.
Documentos do projeto e referências utilizadas
Documentos do projeto
Produzidos pela equipe do DPM. Não estão publicados em endereço aberto; a disponibilização se dá por solicitação à Diretoria.
- Relatório técnico HydroTable/HAND-BR: curva-chave, geometria hidráulica regionalizada e mancha de inundação (PDF e Word, 33 páginas). Fonte de todas as figuras científicas desta página.
- Relatório técnico consolidado da Modelagem hidrológica: a cadeia de vazões que alimenta os cenários alternativos e a auditoria cruzada.
- Notas técnicas internas: convenções do HIDRO verificadas contra o dado; HAND, curva sintética e mancha (piloto); junção vazão × curva; serviço de mancha por cobacia.
- Documentação técnica do sistema: decisões, validações e limitações, mantidas junto ao código, com testes que impedem regressões nas convenções de unidade.
Referências externas
Fontes de método e de dados; o acesso exige conexão com a internet.
- Rennó, C. D. et al. HAND, a new terrain descriptor using SRTM-DEM: mapping terra-firme rainforest environments in Amazonia. Remote Sensing of Environment, v. 112, n. 9, p. 3469–3481, 2008. doi:10.1016/j.rse.2008.03.018.
- Nobre, A. D. et al. Height Above the Nearest Drainage, a hydrologically relevant new terrain model. Journal of Hydrology, v. 404, p. 13–29, 2011. doi:10.1016/j.jhydrol.2011.03.051.
- Zheng, X.; Tarboton, D. G.; Maidment, D. R.; Liu, Y. Y.; Passalacqua, P. River channel geometry and rating curve estimation using height above the nearest drainage. Journal of the American Water Resources Association, v. 54, n. 4, p. 785–806, 2018. doi:10.1111/1752-1688.12661. A linha GeoFlood da curva sintética.
- Leopold, L. B.; Maddock Jr., T. The hydraulic geometry of stream channels and some physiographic implications. USGS Professional Paper 252, 1953. pubs.usgs.gov.
- Laipelt, L. et al. ANADEM: a digital terrain model for South America. Remote Sensing, v. 16, n. 13, 2321, 2024. doi:10.3390/rs16132321.
- Afshari, S. et al. Comparison of new generation low-complexity flood inundation mapping tools with a hydrodynamic model. Journal of Hydrology, v. 556, p. 539–556, 2018. doi:10.1016/j.jhydrol.2017.11.036.
- Hosking, J. R. M.; Wallis, J. R. Regional frequency analysis: an approach based on L-moments. Cambridge University Press, 1997.
- Jaccon, G.; Cudo, K. J. Curva-chave: análise e traçado. Brasília: DNAEE, 1989.
- ANA. Base Hidrográfica Ottocodificada Multiescalas 2017 5k. metadados.snirh.gov.br. Portal HidroWeb: snirh.gov.br/hidroweb.
- MapBiomas. Coleção 10 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, 2024. brasil.mapbiomas.org.
- Brasil. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Câmara dos Deputados.
Glossário breve
Termos usados nesta página
- Curva-chave
- Relação entre o nível lido na régua e a vazão que passa pela seção, da forma Q = a·(h − h0)^n, mantida por tramos (faixas de cota) e períodos de validade.
- Medição de descarga
- Campanha em que a vazão é medida diretamente no rio (molinete, guincho), junto com cota, área molhada, largura e velocidade. É a observação independente da curva.
- Perfil (seção) transversal
- Levantamento da forma do leito de margem a margem, com distância e cota em cada vertical.
- HydroTable
- Tabela por estação que converte nível em vazão, área, largura, perímetro, raio hidráulico e profundidades, e vice-versa.
- Talvegue e bankfull
- O ponto mais fundo da seção; e o nível em que a água extravasa a calha para a planície.
- Geometria hidráulica (Leopold e Maddock)
- Leis de potência que relacionam largura, profundidade e velocidade à vazão, na seção e ao longo da rede.
- Vazão de longo termo (Qmlt)
- Média da série de vazões; aqui, a variável que dá escala à transferência entre rios de portes diferentes.
- Índice de cheia e Gumbel
- Método para levar cheias de dado tempo de retorno a locais sem estação, normalizando as máximas anuais por uma vazão-índice; Gumbel é a distribuição ajustada por momentos-L.
- HAND
- Height Above the Nearest Drainage: altura de cada célula do terreno acima do ponto do rio para o qual ela drena.
- Curva sintética (SRC)
- Curva estágio-vazão construída só com terreno e topologia, integrando área e volume inundados por degrau de estágio e fechando a vazão pela equação de Manning.
- d0 e n
- Batimetria sintética (o calado do rio no dia da aquisição do terreno, que o modelo de terreno não vê) e coeficiente de rugosidade de Manning; calibrados juntos em cada âncora.
- Âncora
- Estação com HydroTable observada usada para calibrar a curva sintética do trecho em que está.
- Cobacia e BHO
- Código da unidade de drenagem de cada trecho da Base Hidrográfica Ottocodificada, que permite navegar montante e jusante.
- Q10, Q100
- Vazões de cheia com tempo de retorno de 10 e 100 anos.