FERAH · Curva-chaveMIDR · SEDEC · DPM
MIDRSEDECDPMProjetosFERAHCurva-chave e mancha de inundação
Sistema em protótipo funcional · resultados consolidados em relatório técnico · atualizado em 30/09/2026
FERAH · sistema Curva-chave · HydroTable/HAND-BR

Vazão não alaga. Nível alaga.

Da régua da estação à mancha de inundação: quanto o rio sobe com uma dada vazão e até onde a água chega, em qualquer trecho da hidrografia brasileira

Estágio: protótipo funcional, resultados consolidados em relatório técnico Mancha de inundação: duas bacias-piloto e onze cidades validadas Atualizado em 30/09/2026 Acesso restrito: ambiente interno do DPM

Os modelos hidrológicos entregam metros cúbicos por segundo. A proteção civil precisa de metros: a lâmina d'água sobre a rua, a extensão do bairro alagado, a cota que a ponte suporta. A tradução entre as duas grandezas é a curva-chave, e ela só existe, medida, em cerca de 2.700 pontos do território. Este sistema constrói essa tradução para os 463.105 trechos da rede hidrográfica mapeada e a leva até a mancha de inundação, calibrada em milhares de estações reais.

O resultado responde, para qualquer trecho de rio: que profundidade, que largura e que mancha correspondem a esta vazão?

Blumenau sob a cheia de cem anos. Relevo em cinza, área urbana em bege, mancha em azul (mais escuro onde a lâmina é maior) e, em magenta, a cidade debaixo d'água. A curva sintética desta âncora foi calibrada com erro de 1,4% contra a curva-chave observada. Mancha geomorfológica pelo método HAND sobre o modelo de terreno ANADEM de 30 m; leia as limitações antes de usar. Fonte: relatório técnico HydroTable/HAND-BR.Ampliar imagem

O acervo em números

1,05milhão
medições de descarga da rede hidrométrica nacional, feitas com molinete no rio
HIDRO/ANA · a verdade independente da curva
50.627
tramos de curva-chave com faixa de cota e período de validade, em 2.798 estações com curva, seção e medição
mais 84.733 perfis transversais levantados
463.105
trechos da BHO 2017 com curva profundidade-vazão e largura-vazão regionalizadas e classe de confiança
e cheias de 2 a 100 anos em cada trecho
2.470
estações-âncora com curva sintética do terreno calibrada contra a curva observada
98% das elegíveis · erro mediano 9,7%
O problema

Entre a vazão e o risco existe uma tradução que a hidrologia costuma deixar implícita

Toda a modelagem chuva-vazão, incluindo o sistema de Modelagem hidrológica do FERAH, entrega vazão. Mas a decisão de proteção civil, o projeto de uma travessia, o estudo de navegabilidade e o mapa de perigo precisam de nível: lâmina, profundidade, extensão alagada. Quem converte uma coisa na outra é a curva-chave, a relação entre a leitura da régua e a vazão que passa pela seção, mantida pela ANA em cada estação com campanhas de medição.

Só que a curva-chave observada existe em cerca de 2.700 pontos. Nos demais 463 mil trechos da rede mapeada, a pergunta "que nível corresponde a esta vazão?" não tem resposta medida. Este sistema constrói a resposta em quatro elos encadeados, cada um validado contra observação antes de alimentar o seguinte.

Três dificuldades que definem o desenho

  1. O dado observado é rico e traiçoeiro. Cotas em centímetros, parâmetros em metros, três definições de "altura" que a prática confunde, curvas que mudam com o tempo e leitos que se movem. Cada convenção foi verificada contra o próprio dado antes de qualquer uso.
  2. Há uma circularidade à espreita. Se as leis de transferência fossem treinadas nas curvas-chave e validadas contra elas, o exercício provaria nada. Aqui elas são treinadas só nas medições de campo, independentes da curva.
  3. O terreno mente na parte que mais importa. Todo modelo digital de elevação registra a superfície da água do dia da aquisição, não o leito. O canal que conduz a maior parte da vazão simplesmente não existe no terreno digital.

As três alturas que não se misturam

Um mesmo "nível de 8 metros" pode significar três coisas diferentes. O sistema as mantém separadas de propósito.

Cota da réguaEm centímetros, num zero local e arbitrário. É o que a estação publica e o que a curva-chave usa. Pode ser negativa, e isso é normal.
Lâmina sobre o talvegueEm metros, do ponto mais fundo da seção até a superfície. É a profundidade real e o que o HAND compara com o terreno.
Cota absolutaEm metros acima do datum vertical. Necessária para juntar estações vizinhas; hoje inexistente no acervo, e o sistema deixa o campo vazio em vez de inventá-lo.

A cadeia, em uma frase

Estação observada → vínculo estação × rede → geometria hidráulica regionalizada → terreno (HAND) com curva sintética calibrada → mancha e exposição urbana. Cada elo tem a sua incerteza medida e declarada, e o produto final junta as duas cadeias do FERAH: vazão em qualquer trecho × curva em qualquer trecho = lâmina e mancha em qualquer trecho.

Doze caixas, quatro elos. A primeira linha só usa o que a estação mede. A segunda leva essa informação aos trechos sem estação. A terceira converte estágio em mancha usando o terreno, e é onde vive a contribuição técnica central do trabalho: a batimetria sintética que corrige o ponto cego dos modelos de terreno.Ampliar imagem
Elo 1 · o que a estação observa

A HydroTable observada: o nível vira tudo de uma vez

Para cada estação com curva e perfil transversal, o sistema constrói uma tabela nível → vazão, área molhada, largura, perímetro, raio hidráulico e profundidades. A vazão sai da curva vigente na data, respeitando tramos e períodos de validade; a geometria sai da integração do perfil levantado em campo. Da razão entre as duas, com a declividade do trecho, deriva o coeficiente de rugosidade equivalente da seção, o diagnóstico que mais tarde ancora a curva sintética.

4,7%

de erro mediano ao recomputar 84.969 medições pela curva vigente

Com o parâmetro h0 lido em metros. Lido em centímetros, um erro fácil de cometer e difícil de notar, o erro mediano vai a 98,3%. A convenção está fixada em teste automatizado.

1,9% · 0,3%

de erro em área molhada e largura com perfil contemporâneo

A geometria integrada do perfil reproduz a medição de campo quando o levantamento tem até 30 dias. É o teto de qualidade do elo observado.

2.798

estações com curva, seção e medição ao mesmo tempo

O universo útil do acervo. O legado não filtrava curvas descartadas pela própria ANA; aqui só entram as válidas, e cada linha carrega classe de qualidade de A a E.

A estação-fio-condutor. União da Vitória (PR), rio Iguaçu, 24.200 km²: o perfil real da seção e a curva-chave sustentada por 2.098 medições. É a estação usada em todo o relatório, e uma das cidades com histórico de enchentes do país.Ampliar imagem
Um nível, todas as grandezas. O salto da largura perto de 7 m é o momento em que o rio sai da calha e ocupa a planície: exatamente a faixa que interessa às manchas. A tabela também se inverte: dado Q, devolve o nível e a lâmina, a consulta que o módulo de mancha faz milhões de vezes.Ampliar imagem
Elo 2 · a transferência para a rede

Profundidade e largura para 463 mil trechos, sem circularidade

Levar a hidráulica das estações aos trechos sem estação exige três coisas: saber exatamente qual trecho da rede cada estação mede, aprender no campo como a seção acomoda vazões crescentes, e escolher a variável certa para transportar essa lei entre rios de portes diferentes. As três foram decididas por medição, não por tradição.

O vínculo estação × trecho: cinco sinais, não um

Associar uma estação ao trecho da BHO só pela proximidade em linha reta erra em confluências e em vales paralelos. O cruzamento usa vizinhança espacial, razão entre as áreas de drenagem (o sinal dominante), nome do rio, refinamento ao longo do curso d'água e consistência topológica, e classifica cada vínculo de A a D.

  • 83,8% em classe A e 10,6% em B, nas 2.677 estações cruzadas; erro mediano de área de 0,55% e distância mediana de 94 m.
  • Em 14,6% dos vínculos A/B o trecho certo não é o mais próximo. Qualquer cruzamento puramente espacial erraria um em cada sete.

A lei aprendida no campo, não na curva

As leis de Leopold e Maddock (profundidade média e largura como potências da vazão) são ajustadas sobre as medições de descarga: profundidade como área sobre largura e largura direta, ambas medidas com molinete. A curva-chave nunca entra no treino; é o instrumento a reproduzir, não o professor.

  • 2.346 estações treináveis (ao menos 15 medições cobrindo um fator 5 de vazão); expoentes concentrados em 0,38 para profundidade e 0,10 para largura.
  • A assinatura brasileira: margens relativamente rígidas. O rio acomoda vazão afundando mais do que alargando.
A topologia não mente. Quando a área de drenagem da estação e a do trecho batem, o vínculo está certo, mesmo que outro rio passe mais perto em linha reta.Ampliar imagem
Como a seção acomoda a vazão. Cada ponto à esquerda é uma campanha de medição real; a reta é a lei local. À direita, o retrato nacional: afundar mais, alargar menos.Ampliar imagem
Por que a vazão média, e não a área de drenagem. Mil quilômetros quadrados de semiárido e de encosta atlântica são rios muito diferentes; a área ignora o clima, a vazão média já o integrou. A disputa foi decidida por medida: R² de 0,82 contra 0,61. A declividade, testada como covariável extra, não acrescentou nada e ficou de fora.Ampliar imagem

Como cada trecho recebeu a sua curva

A transferência segue uma hierarquia do mais local ao mais genérico, e a proveniência fica gravada em cada trecho. Quando há doador e regressão, usa-se a média geométrica das duas estimativas.

2.231estação no próprio trecho · classe B
38.510doador no mesmo curso d'água (razão de vazão média ≤ 3×, até 500 km pelo rio) + regressão · classe D
421.462regressão hierárquica: reta nacional + desvios regionais com encolhimento · classe D
902regressão nacional, em região sem estação treinável · classe E
24,9%

de erro mediano em profundidade nos trechos sem estação

Validação cruzada honesta em dez blocos, contra medições de campo nunca vistas no treino. É cerca de cinco vezes a incerteza da curva observada: a régua do que "não ter estação" custa em hidráulica.

25,5km

de distância mediana ao doador, medida ao longo do rio

Não em linha reta. A quilometragem acumulada da BHO permite medir a distância que interessa à hidráulica.

0,36m · 6,0 m

profundidade e largura medianas da rede na vazão média

Números que lembram que a rede é dominada por rios pequenos, com os grandes eixos resolvidos em continuidade até dezenas de metros de profundidade.

O relevo hidráulico do país. Profundidade média na vazão de longo termo, trecho a trecho. Os grandes eixos saltam em azul escuro; a capilaridade da rede aparece em tons claros.Ampliar imagem
Onde a curva vem de perto, e onde vem de longe. Pontos escuros são estações; corredores verdes, rios com doador no próprio curso; o interior azul foi resolvido por regressão regional. A mancha laranja é a única região sem estação treinável.Ampliar imagem
Elo 3 · do terreno à curva

HAND: o terreno reescrito a partir do rio, e a curva que ele esconde

O HAND (altura acima da drenagem mais próxima) troca a referência do modelo de terreno: em vez de medir a altitude de cada célula em relação ao mar, mede-a em relação ao ponto do rio para o qual ela drena. O mapa que resulta é o mapa do potencial de inundação, e transforma o problema da mancha numa comparação célula a célula: inunda se o HAND for menor ou igual ao estágio do rio.

A drenagem é a da BHO

Os trechos da base oficial são rasterizados carregando a identidade do trecho; o traçado é aprofundado só para condicionar o escoamento. O HAND final é medido contra o terreno original.

Cada célula sabe para onde drena

Seguindo a direção de fluxo até o canal, cada célula recebe a altura acima do seu rio e o trecho de destino. Em confluências, isso evita inundar uma célula pelo rio errado.

Curva sintética por trecho

Numa escada de estágios de 0,25 a 15 m, integram-se área e volume das células com HAND ≤ h; a equação de Manning fecha a vazão. Só terreno e topologia, nenhum dado hidrométrico ainda.

Calibração contra a estação

Onde há âncora com HydroTable observada, a curva sintética é confrontada com a real. É aqui que o ponto cego do terreno aparece, e é corrigido.

Os vales azuis são as planícies das enchentes históricas. Bacia do Itajaí: 14.871 km², 1.675 trechos, 36,7 milhões de células do ANADEM a 30 m, 36 de 36 âncoras calibradas. Rio do Sul, Blumenau e Itajaí ficam exatamente nas manchas azuis. Processar uma bacia média custa minutos numa estação de trabalho.Ampliar imagem
Por que o terreno mente. (a) O modelo de terreno registra a lâmina d'água do dia do voo; o canal submerso não existe nele. (b) Um rio de 8 m de largura cabe dentro de um pixel de 30 m: a calha some. O primeiro problema é corrigido pela batimetria sintética d0; o segundo é declarado, com número, onde ocorre.Ampliar imagem
n ≈ 0,4

o absurdo que revelou o problema

Calibrar só a rugosidade contra a curva observada devolve um coeficiente dez vezes maior que o de um rio natural: o parâmetro estava engolindo o canal invisível. A solução nomeia o que falta, um parâmetro de batimetria sintética (d0), e o calibra junto com a rugosidade.

98%

das âncoras elegíveis calibram: 2.470 de 2.526

Erro mediano de 9,7% e percentil 90 de 29%. A curva sintética passa a acompanhar a observada nos estágios médios e altos, exatamente a faixa das manchas.

0,51

razão entre o d0 calibrado e a profundidade máxima regionalizada

O rio médio estava a meia calha no dia em que o terreno foi adquirido: o que se esperaria. É o teste de coerência física do parâmetro.

A curva que o terreno dá, e a que a calibração devolve. A sintética bruta (tracejada) subestima o estágio em toda a faixa: falta-lhe o canal. Com d0 = 2,3 m e n = 0,072, a curva calibrada acompanha a observada onde importa. O desvio no trecho baixo é estrutural e instrutivo: a estiagem corre dentro do canal invisível, e por isso o produto usa a geometria regionalizada para regime e estiagem, e a curva sintética só para cheias.Ampliar imagem
Duas leis nacionais saem da calibração. A rugosidade efetiva cai com o porte do rio (assinatura da calha não resolvida pelo pixel em rios pequenos) e serve de valor a priori onde não há âncora. O d0 acompanha metade da calha regionalizada. Só 73 âncoras (3%) batem no teto de 8 m: os grandes rios de planície, tratados na seção de limitações.Ampliar imagem
De onde vêm o Q10 e o Q100 de cada trecho. Máximas por ano hidrológico de 2.526 estações (mediana de 43 anos de série) ajustadas por Gumbel e regionalizadas por índice de cheia com dependência do porte: rios pequenos têm cheias proporcionalmente maiores. Erro mediano de 35% no Q10 e 39% no Q100, que a lei da geometria comprime para cerca de 15% em profundidade.Ampliar imagem
Elo 4 · a mancha e a cidade

Manchas confrontadas com desastres que aconteceram

Com a curva sintética calibrada, um cenário de vazão vira estágio por trecho; a mancha é o conjunto das células cujo HAND fica abaixo do estágio do trecho para o qual drenam, e a profundidade em cada célula é a diferença. Cruzada com a camada urbana do MapBiomas (coleção 10, 2024), a mancha vira exposição: área e fração urbana atingidas, lâmina mediana e lâmina no percentil 90. Onze cidades com cheia fluvial documentada foram o banco de prova.

0,9m

Rio Branco (AC): distância entre o estágio modelado e o recorde de 2015

Com a maior vazão medida na âncora, o modelo dá 17,5 m; a cheia real de 2015 chegou a 18,40 m. A mancha reproduz o alagamento do Segundo Distrito, o bairro que a cheia devasta.

1º · 2º · 3º

Vale do Taquari (RS): o ranqueamento que o desastre de 2023/24 confirmou

Rodado sem nenhum conhecimento do evento, o produto ordena a exposição urbana municipal como a tragédia: Roca Sales (41% da área urbana nos cenários extremos), Muçum (18%), Encantado (15%).

1,4%

Blumenau (SC): erro de calibração da curva sintética

Em plena capital nacional das enchentes. No cenário de cem anos, 20,8 km² de área urbana atingida, a maior do elenco em área absoluta.

A mancha em operação. O produto que a cadeia inteira existe para entregar: o vale do Iguaçu com a lâmina de cheia célula a célula. Erro de calibração de 34% nesta âncora (a pior das três primeiras cidades-piloto), a maior cheia da série é a de 1983.Ampliar imagem
O vale do Taquari antes do evento. Cada mancha magenta é um trecho de cidade sob a água no cenário. Um mapa que ordena corretamente onde dói mais é o instrumento de priorização de que a proteção civil precisa antes da cheia.Ampliar imagem
Onze cidades, três cenários, e a hierarquia real do desastre. Os cenários Q10 e Q100 vêm das cheias regionais; a máxima histórica é a maior vazão medida na âncora, o piso das cheias reais. À direita, o vale do Taquari ordenado pelo produto: Roca Sales, Santa Tereza e Muçum no topo.Ampliar imagem

Cinco cidades, cenário de cem anos

Quicklooks gerados pelo próprio produto: relevo sombreado em cinza, área urbana do MapBiomas em bege, mancha em azul (mais escuro onde a lâmina é maior, até 5 m) e, em magenta, a cidade debaixo d'água.

Rio Branco. Erro de calibração 23,4%; 17,4% da área urbana atingida no Q100, estágio de 17,2 m. A mancha cai no Segundo Distrito, como em 2015.Ampliar imagem
Marabá. Q100 de 49.697 m³/s, estágio de 14,3 m, 19,4% da área urbana atingida. A maior da série da âncora é a cheia de 1980.Ampliar imagem
Itajubá. 25,8% da área urbana no Q100, a maior fração do elenco; nos cenários extremos, 29% a 35%, compatíveis com a cheia de janeiro de 2000.Ampliar imagem
Iguatu. Erro de calibração de 8,5% num rio de semiárido plano; 16,9% da área urbana atingida no Q100. Mostra que a curva sintética funciona em regimes bem diferentes do Sul.Ampliar imagem
União da Vitória e Porto União. Cidades gêmeas separadas pelo Iguaçu; 14,3% da área urbana no Q100 (4.012 m³/s, estágio de 6,0 m).Ampliar imagem

O que estes mapas são, e o que não são

São envelopes geomorfológicos: até onde a água chega dado um estágio, com a topologia certa. Não resolvem remanso de confluência, ondas de cheia, rompimento ou operação de barragens, pontes e diques. Em vales encaixados a diferença para a hidrodinâmica é pequena; em planícies quase planas, a mancha deve ser lida como envelope. Servem para priorizar e para orientar onde investir em estudo detalhado, não para substituir o projeto.

As onze cidades-piloto

CidadeRioErro de calibração da curva sintéticaÁrea urbana atingida (Q100)
Blumenau/SCItajaí-Açu1,4%9,5%
Governador Valadares/MGDoce6,1%10,7%
Iguatu/CEJaguaribe8,5%16,9%
Encantado/RS (vale do Taquari)Taquari12,8%13,3%
Marabá/PATocantins15,1%19,4%
Rio do Sul/SCItajaí-Açu18,5%16,3%
Teresina/PIParnaíba21,7%2,6%
Itajubá/MGSapucaí22,3%25,8%
Rio Branco/ACAcre23,4%17,4%
União da Vitória/PRIguaçu34,0%14,3%
Porto Velho/ROMadeira52,3% · fora do domínio8,9%

As máximas históricas das séries das âncoras caem nos anos-desastre conhecidos de cada rio: 1983 (União da Vitória e Blumenau), 1980 (Marabá), 2014 (Madeira), 2015 (Rio Branco), 2024 (Rio do Sul). Validação de ordem e de magnitude, não de contorno célula a célula, e apresentada como tal.

Conheça o sistema

Cinco telas do sistema Curva-chave

Capturas reais da versão em desenvolvimento, feitas em 30/09/2026 no ambiente interno do DPM, na estação União da Vitória (65310000). Cores, escalas e legendas são as do próprio sistema. Selecione uma imagem para ampliar.

Estação · o ponto de partida. Cadastro, acervo, o vínculo com o trecho da BHO (com a classe e o motivo) e a evolução da seção ao longo dos anos: o talvegue desta estação variou 287 cm entre 1980 e 2015, o que o sistema declara, com o aviso de que uma única tabela não representa bem todo o período.Ampliar imagem
Curva-chave · tramos e validades. Cada tramo só aparece na sua faixa; degraus na transição indicam descontinuidade entre curvas sucessivas. O usuário pode ajustar uma curva própria com h0 buscado por seção áurea.Ampliar imagem
Seção transversal · a geometria de cada nível. Escolha o levantamento e o nível; o sistema devolve área molhada, largura, raio hidráulico e o ponto de extravasamento (bankfull), com a confiança do método declarada.Ampliar imagem
HydroTable · e a extrapolação declarada. Acima da maior cota medida, a curva é hipótese, não observação. O sistema mostra cinco métodos e a dispersão entre eles (111% no topo desta estação) em vez de escolher um em silêncio.Ampliar imagem
Mancha de inundação · Encantado, cheia de cem anos. A resposta chega em cerca de dois segundos: vazão do trecho, estágio pela curva sintética, área inundada na janela de 12 km e a distribuição da lâmina. A nota de limites viaja junto com o resultado. Cobertura atual: Taquari-Antas e Itajaí; novas bacias entram por processamento em lote.Ampliar imagem

A aba Profundidade (série de lâmina no tempo sobre seção fixa e canal navegável) retornou erro do servidor no momento das capturas e não está ilustrada; o problema está registrado para correção.

Incerteza e limitações

A escada de incerteza: cada passo para longe da régua custa, e o produto diz quanto

Nenhum dos números abaixo é escondido do usuário. Método, classe de confiança e bandeiras acompanham cada trecho, e cada limitação conhecida tem número e figura no relatório.

4,7%
curva observadana estação, recomputando 84.969 medições
9,7%
curva sintética calibradana âncora, 2.470 estações
24,9%
geometria sem estaçãodoador + regressão, validação cruzada
39%
cheia centenária regionalizadaem vazão; cerca de 15% em profundidade

Cinco limites, com número

  • Rios de planície com calha profunda. Em Porto Velho, no rio Madeira, a escada de estágios satura (d0 no teto de 8 m, n sem sentido físico, erro de 52%). O caso está declarado fora do domínio, e os 73 trechos nacionais no teto de d0 recebem a mesma bandeira. Grandes rios amazônicos exigem batimetria real.
  • Leitos móveis e perfis envelhecidos. O erro da geometria de seção triplica quando o perfil tem até um ano (1,9% → 6,9%) e chega a 8,8% com dez anos. A mobilidade dos leitos entra na classe de qualidade de cada HydroTable.
  • Estiagem na curva sintética. Com batimetria sintética, o modelo só "liga" o escoamento depois de preencher o canal invisível. Estiagem e regime são respondidos pela geometria regionalizada, nunca pela curva sintética.
  • Calha menor que o pixel. Abaixo de cerca de 100 m³/s, o rio cabe dentro de uma célula de 30 m e a rugosidade calibrada vira parâmetro efetivo, não grandeza física. Transferi-la exige o par (d0, n).
  • A mancha é geomorfológica. Sem remanso, ondas de cheia, barragens, pontes ou diques. Em vales encaixados, próxima da hidrodinâmica; em planícies de gradiente quase nulo, um envelope.
O perfil envelhece; a incerteza sobe em degraus.Ampliar imagem
O limite declarado. Porto Velho e o rio Madeira: planície ampla, calha profunda, o caso em que a curva sintética de um parâmetro não fecha. Está no produto com a bandeira de saturação, não escondido.Ampliar imagem
Prevenção e mitigação

O que passa a ser possível responder

Aplicações apoiadas nos resultados já medidos. Onde o uso ainda não foi avaliado, a marcação diz isso.

Mapeamento e priorização de risco

  • Mancha de inundação para cenários de 2 a 100 anos em qualquer trecho de bacia processada, com a lâmina por célula e a exposição urbana. disponível nas bacias-piloto
  • Ranqueamento de municípios por fração urbana exposta e lâmina, para orientar onde investir em estudo detalhado e em obras. validado em 11 cidades e 121 municípios
  • Priorização nacional de municípios pela extensão da varredura por sub-bacia. previsto; receita validada, agendamento pendente

Resposta e preparação

  • Converter uma vazão prevista (sistema Previsão) ou uma anomalia em curso (sistema Conjuntura) em estágio e mancha no trecho. uso potencial, não avaliado
  • Consultar a cota de extravasamento e o estágio esperado para Q10, Q50 e Q100 em qualquer estação com HydroTable. disponível
  • Saber a dispersão da extrapolação acima da maior cota medida antes de confiar num alerta de cota. disponível

Planejamento, obras e água

  • Profundidade e largura de referência (vazão média, Q90, Q95) em 463.105 trechos, para travessias, captações, navegabilidade e ecologia. disponível
  • Pacote exportável por estação com nove tabelas e relatório de qualidade (~130 kB, 0,25 s), contrato com o projeto HydroTable/HAND-BR. disponível
  • Lâmina de cheia com as vazões do conjunto multimodelo da regionalização como cenário alternativo ao índice regional. disponível (cenários Qmlt e Q95 no serviço)

Auditoria e conhecimento do território

  • Confronto entre a hidráulica dinâmica e a estatística oficial: as classes de confiança da regionalização de vazões foram validadas externamente com este produto (razão por classe A 0,99 · B 0,97 · C 0,86 · D 0,67). feito
  • Mapa de onde a curva sintética é confiável, por classe, nas 2.526 âncoras. previsto
  • Bandeiras hidrodinâmicas no produto (remanso potencial, barragem, planície). previsto
Método, dados e cautelas

De onde vêm os dados e o que cada um alcança

FonteConteúdo usadoPapel na cadeia
HIDRO/ANA (rede hidrométrica nacional)50.627 tramos de curva-chave, 1.049.587 medições de descarga, 84.733 perfis transversais, cotas diáriasHydroTable observada; treino das leis (só medições); âncoras de calibração
BHO 2017 5k (ANA)463.105 trechos com topologia, quilometragem, vazão média regionalizada e declividadeEsqueleto da transferência; variável de escala; drenagem imposta ao HAND
ANADEM (Laipelt et al., 2024)Modelo de terreno de 30 m da América do Sul, lido por janela HTTP do arquivo em nuvem de 71 GBCampo HAND e curva sintética por trecho; nenhuma cópia integral local
MapBiomas coleção 10 (2024)Classe urbana agregada por municípioDenominador da exposição urbana
Regionalização de vazões do FERAHVazão média, Q95 e cheias do conjunto de sete modelos por trechoCenários alternativos de mancha; auditoria cruzada das duas cadeias

Como ler os resultados

  • Curva sintética para cheia; geometria regionalizada para regime e estiagem. Cada instrumento na sua faixa.
  • Classe e bandeiras viajam com o número. Trecho com d0 saturado ou fora da faixa de treino está marcado; consulte sempre os dois.
  • Vazão derivada de curva-chave não é observação independente. Usá-la para validar a mesma curva é circular; o produto registra a origem de cada vazão.
  • Nunca use só a curva mais recente para toda a série histórica. Curvas têm validade por data, e o sistema as respeita.
  • Sem datum vertical. Nenhuma estação do acervo traz cota absoluta; o campo sai vazio por honestidade, e a altitude cadastral não deve ser usada no lugar.
  • Cobertura da mancha. Hoje, duas bacias inteiras (Taquari-Antas e Itajaí) e onze recortes urbanos. A escala nacional é questão de agendamento, não de método.
  • Sem operação pública. O sistema roda em ambiente interno; interface e dados podem ser revisados.
  • Nada sobrescreve acervo. Reprocessar acrescenta versão, não apaga história.
Estágio e próximos passos

O que está pronto, o que está em teste e o que vem depois

Retrato de 30/09/2026, com base no relatório técnico HydroTable/HAND-BR e na documentação de estado dos sistemas. Não há cronograma público; os itens previstos estão em ordem de retorno técnico, sem data.

Concluído
  • HydroTable observada auditada para 2.798 estações, com convenções fixadas em teste e classe de qualidade A–E.
  • Cruzamento estação × BHO com cinco sinais e classes A–D (2.677 estações).
  • Geometria hidráulica regionalizada nos 463.105 trechos, com validação cruzada e proveniência gravada; cheias Q2–Q100 por trecho.
  • HAND e curva sintética calibrada em 2.470 âncoras; duas bacias inteiras e onze cidades validadas contra eventos.
  • Junção vazão × curva: lâmina de referência em 463.105 trechos e auditoria externa das classes de confiança.
  • Serviço de mancha por cobacia (API e interface) e relatório técnico (PDF e Word).
Em teste ou validação
  • Interface em desenvolvimento: a aba Profundidade apresentou erro de servidor nas capturas de 30/09/2026.
  • Cenários de mancha com as vazões do conjunto multimodelo (Qmlt e Q95) além do índice regional.
  • Publicação da plataforma em ambiente institucional: sem decisão.
Previsto
  • Varredura nacional do HAND por sub-bacia Otto nível 2.
  • Confronto sistemático curva sintética × HydroTable nas 2.526 âncoras, por classe.
  • Regionalizar o par (d0, n) pelas medianas regionais para trechos sem âncora.
  • Priorização nacional de municípios por exposição.
  • Bandeiras hidrodinâmicas (remanso, barragem, planície) e batimetria real nos grandes eixos onde ela existe.
Materiais e referências

Documentos do projeto e referências utilizadas

Documentos do projeto

Produzidos pela equipe do DPM. Não estão publicados em endereço aberto; a disponibilização se dá por solicitação à Diretoria.

  • Relatório técnico HydroTable/HAND-BR: curva-chave, geometria hidráulica regionalizada e mancha de inundação (PDF e Word, 33 páginas). Fonte de todas as figuras científicas desta página.
  • Relatório técnico consolidado da Modelagem hidrológica: a cadeia de vazões que alimenta os cenários alternativos e a auditoria cruzada.
  • Notas técnicas internas: convenções do HIDRO verificadas contra o dado; HAND, curva sintética e mancha (piloto); junção vazão × curva; serviço de mancha por cobacia.
  • Documentação técnica do sistema: decisões, validações e limitações, mantidas junto ao código, com testes que impedem regressões nas convenções de unidade.

Referências externas

Fontes de método e de dados; o acesso exige conexão com a internet.

  1. Rennó, C. D. et al. HAND, a new terrain descriptor using SRTM-DEM: mapping terra-firme rainforest environments in Amazonia. Remote Sensing of Environment, v. 112, n. 9, p. 3469–3481, 2008. doi:10.1016/j.rse.2008.03.018.
  2. Nobre, A. D. et al. Height Above the Nearest Drainage, a hydrologically relevant new terrain model. Journal of Hydrology, v. 404, p. 13–29, 2011. doi:10.1016/j.jhydrol.2011.03.051.
  3. Zheng, X.; Tarboton, D. G.; Maidment, D. R.; Liu, Y. Y.; Passalacqua, P. River channel geometry and rating curve estimation using height above the nearest drainage. Journal of the American Water Resources Association, v. 54, n. 4, p. 785–806, 2018. doi:10.1111/1752-1688.12661. A linha GeoFlood da curva sintética.
  4. Leopold, L. B.; Maddock Jr., T. The hydraulic geometry of stream channels and some physiographic implications. USGS Professional Paper 252, 1953. pubs.usgs.gov.
  5. Laipelt, L. et al. ANADEM: a digital terrain model for South America. Remote Sensing, v. 16, n. 13, 2321, 2024. doi:10.3390/rs16132321.
  6. Afshari, S. et al. Comparison of new generation low-complexity flood inundation mapping tools with a hydrodynamic model. Journal of Hydrology, v. 556, p. 539–556, 2018. doi:10.1016/j.jhydrol.2017.11.036.
  7. Hosking, J. R. M.; Wallis, J. R. Regional frequency analysis: an approach based on L-moments. Cambridge University Press, 1997.
  8. Jaccon, G.; Cudo, K. J. Curva-chave: análise e traçado. Brasília: DNAEE, 1989.
  9. ANA. Base Hidrográfica Ottocodificada Multiescalas 2017 5k. metadados.snirh.gov.br. Portal HidroWeb: snirh.gov.br/hidroweb.
  10. MapBiomas. Coleção 10 da Série Anual de Mapas de Cobertura e Uso da Terra do Brasil, 2024. brasil.mapbiomas.org.
  11. Brasil. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Câmara dos Deputados.

Glossário breve

Termos usados nesta página
Curva-chave
Relação entre o nível lido na régua e a vazão que passa pela seção, da forma Q = a·(h − h0)^n, mantida por tramos (faixas de cota) e períodos de validade.
Medição de descarga
Campanha em que a vazão é medida diretamente no rio (molinete, guincho), junto com cota, área molhada, largura e velocidade. É a observação independente da curva.
Perfil (seção) transversal
Levantamento da forma do leito de margem a margem, com distância e cota em cada vertical.
HydroTable
Tabela por estação que converte nível em vazão, área, largura, perímetro, raio hidráulico e profundidades, e vice-versa.
Talvegue e bankfull
O ponto mais fundo da seção; e o nível em que a água extravasa a calha para a planície.
Geometria hidráulica (Leopold e Maddock)
Leis de potência que relacionam largura, profundidade e velocidade à vazão, na seção e ao longo da rede.
Vazão de longo termo (Qmlt)
Média da série de vazões; aqui, a variável que dá escala à transferência entre rios de portes diferentes.
Índice de cheia e Gumbel
Método para levar cheias de dado tempo de retorno a locais sem estação, normalizando as máximas anuais por uma vazão-índice; Gumbel é a distribuição ajustada por momentos-L.
HAND
Height Above the Nearest Drainage: altura de cada célula do terreno acima do ponto do rio para o qual ela drena.
Curva sintética (SRC)
Curva estágio-vazão construída só com terreno e topologia, integrando área e volume inundados por degrau de estágio e fechando a vazão pela equação de Manning.
d0 e n
Batimetria sintética (o calado do rio no dia da aquisição do terreno, que o modelo de terreno não vê) e coeficiente de rugosidade de Manning; calibrados juntos em cada âncora.
Âncora
Estação com HydroTable observada usada para calibrar a curva sintética do trecho em que está.
Cobacia e BHO
Código da unidade de drenagem de cada trecho da Base Hidrográfica Ottocodificada, que permite navegar montante e jusante.
Q10, Q100
Vazões de cheia com tempo de retorno de 10 e 100 anos.
Ministério da Integração e do Desenvolvimento RegionalMIDR
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa CivilSEDEC
Diretoria de Prevenção e MitigaçãoDPM
Página institucional do sistema Curva-chave · HydroTable/HAND-BR do FERAH · versão 1.0 Atualização editorial: 30/09/2026 Capturas de tela: 30/09/2026, interface em desenvolvimento · figuras: relatório técnico HydroTable/HAND-BR e quicklooks do produto Fonte tipográfica IBM Plex Sans, © IBM Corp., SIL Open Font License 1.1

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