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MIDRSEDECDPMProjetosFERAH
Protótipo funcional em validação interna · atualizado em 30/09/2026
Projeto da Diretoria de Prevenção e Mitigação

FERAH

Ferramentas de Recursos Hídricos e Análises Hidrológicas

Estágio: protótipo funcional em validação interna Atualizado em 30/09/2026 Acesso restrito: ambiente interno do DPM

Uma plataforma de análise hidrológica para responder, com dados públicos e método documentado, a perguntas que a prevenção de desastres faz todos os dias: quanta água passa por um rio sem medição, quão rara foi a seca ou a cheia deste ano, o que a chuva prevista fará com a vazão nos próximos dias e como o regime dos rios pode mudar com o clima.

O FERAH reúne dez sistemas independentes que compartilham um mesmo núcleo de cálculo. Nasceu da reescrita, em plataforma web, de uma suíte de ferramentas de hidrologia usada por quase duas décadas em estudos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Tela Explorar do sistema Modelagem hidrológica: mapa do Brasil com 3.496 estações fluviométricas coloridas pela eficiência de Nash-Sutcliffe do melhor modelo calibrado, painel lateral de filtros e, abaixo, gráficos comparando os sete modelos chuva-vazão.
Modelagem hidrológica · tela Explorar. Cada círculo é uma estação fluviométrica calibrada; a cor indica a qualidade do ajuste (eficiência de Nash-Sutcliffe na validação) e o tamanho, a área da bacia. Captura de 30/09/2026, interface em desenvolvimento, dados reais do acervo nacional de calibração.
Problema e importância

Decidir sobre água exige números que raramente existem onde são necessários

O Brasil tem uma das maiores redes de monitoramento fluviométrico do mundo, mas ela cobre uma fração pequena dos rios. A Base Hidrográfica Ottocodificada da ANA (BHO 2017) descreve 464 mil trechos de drenagem; as estações com série de vazão utilizável são da ordem de quatro mil e quinhentas. Para a imensa maioria dos trechos não há régua, e toda estimativa de vazão, de nível ou de mancha de inundação depende de transferir informação de onde se mede para onde não se mede.

Quem trabalha com proteção e defesa civil sente essa lacuna de forma concreta. Delimitar a bacia a montante de uma cidade, saber se a chuva prevista tende a produzir uma vazão perigosa, dizer quão excepcional foi um ano seco, verificar se a vazão de projeto de uma barragem continua compatível com o clima que se projeta: cada uma dessas tarefas exige combinar bases de dados grandes, métodos estatísticos e modelos hidrológicos que, até aqui, viviam em ferramentas de uso especializado e difícil reprodução.

O FERAH nasceu para tornar esse ferramental reprodutível e acessível pela web, com cada cálculo documentado e cada resultado acompanhado da sua incerteza. Ele não substitui a análise de um hidrólogo nem toma decisões: oferece a base quantitativa para que a decisão seja informada.

Onde ele se encaixa na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil

A Lei nº 12.608/2012 organiza a proteção e defesa civil em ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Os produtos do FERAH servem sobretudo às três primeiras:

  • Prevenção e mitigação: mapear onde a água passa e em que quantidade, medir a raridade de cheias e secas, estimar vazões de projeto e como elas podem mudar com o clima.
  • Preparação: antecipar, em dias, a vazão que a chuva prevista tende a produzir em bacias monitoradas, e acompanhar a anomalia hidrológica em curso.
  • Conhecimento do território: uma base hidrográfica navegável que responde, para qualquer ponto, qual é a bacia a montante e o caminho da água até a foz.
O que o projeto oferece

Dez sistemas, um núcleo de hidrologia compartilhado

Cada sistema tem endereço, interface e ritmo de desenvolvimento próprios, mas todos calculam com o mesmo núcleo, testado por mais de oitocentos testes automatizados. O estado de cada um está indicado no cartão: o que já funciona em protótipo, o que ainda está em teste e o que está previsto.

Implementado em protótipo Em teste ou validação Previsto

Modelagem hidrológica

Implementado

chuva-vazão, calibração, regionalização e vazões para rios sem estação

Sete modelos chuva-vazão diários calibrados em 3.496 estações fluviométricas com duas fontes de chuva e quatro critérios de ajuste. Sobre esse acervo, a regionalização transfere parâmetros para bacias sem medição e entrega, para cada um dos 464 mil trechos da BHO, vazões características (média, Q90, Q95, curva de permanência) com intervalo de incerteza e classe de confiança de A a D. A série diária de qualquer trecho é gerada sob demanda.

  • mapa nacional filtrável por métrica, modelo, região e porte da bacia
  • estudo do semiárido com funções objetivo orientadas à decisão (resultado medido; integração ao sistema prevista)
  • relatório técnico consolidado em PDF e Word

Conjuntura

Implementado

o quanto um ano fugiu do normal

Anomalia de chuva e de vazão em relação à história de cada posto, com a raridade medida, o lugar mapeado e a duração datada. Índices padronizados de seca (SPI e SSI), tempo de retorno com aderência à vista e resultado agregado por região hidrográfica.

  • acervo: 4.245 postos de vazão e 12.482 de chuva
  • relatório do estudo em Markdown, PDF e Word

Previsão

Em teste

laboratório de previsão de vazão multifonte

A chuva prevista por modelos meteorológicos gratuitos (WeatherNext, GFS/GEFS, ECMWF, AIFS) alimenta os modelos calibrados em 38 estações-piloto, com o estado da bacia atualizado por telemetria. A verificação por antecedência mede onde e quando cada fonte agrega valor. Primeiro ciclo e um retroteste concluídos; resultados preliminares.

Clima-SIN

Estudo concluído

mudança do clima nas vazões afluentes ao Sistema Interligado Nacional

Vazões naturais diárias de 163 reservatórios simuladas sob 25 modelos climáticos globais e quatro cenários de emissão (NEX-GDDP-CMIP6), com correção de viés. Entrega a mudança projetada na média, nas estiagens e nas vazões de projeto por tempo de retorno, confrontadas com a capacidade dos vertedouros onde há valor público. Resultados congelados na versão 1.0; nota técnica em minuta.

Atribuição

Implementado

o que mudou na vazão observada, e por quê

Detecta mudanças de patamar na vazão média anual de cada estação e separa a parcela explicada pelo clima (chuva e evapotranspiração) da parcela associada a alterações da bacia e a atividades humanas, por dois métodos independentes e com incerteza. Cinco publicações no padrão SEDEC.

Elasticidade

Implementado

como o regime hidrológico responde ao clima

Experimentos controlados de perturbação de chuva e evapotranspiração sobre os modelos calibrados: quanto as vazões mínimas, a curva de permanência e as cheias mudam quando a média muda. Permite levar uma mudança de vazão média já conhecida para toda a curva de permanência em qualquer ottobacia. Cinco publicações no padrão SEDEC.

BHO

Implementado

base hidrográfica ottocodificada navegável

De qualquer ponto ou rio: a bacia a montante, o curso principal até a nascente mais distante, o perfil longitudinal e o caminho até a foz, sobre a BHO 2017 e a BHAE 2023, com exportação em GeoJSON e shapefile.

Curva-chave

Implementado

descarga, seção transversal e profundidade

A cadeia hidráulica de 2.798 estações: medições de descarga, curva-chave vigente e sua extrapolação, geometria da seção e tabela hidráulica. Alimenta o mapeamento de manchas de inundação pelo método HAND, hoje disponível em duas bacias-piloto (Taquari-Antas e Itajaí). Relatório técnico entregue.

Webservice ANA

Implementado

dados ao vivo do HidroWeb e da telemetria

Seleção de estações no mapa por receitas de uso, download de séries de vazão, chuva e cota direto dos serviços da ANA, diagnóstico por estação e exportação em vários formatos.

Hub

Implementado

o portal que reúne os sistemas

Lista o que existe, verifica o que está no ar e dá acesso a cada sistema. Reserva lugar para quatro módulos ainda não migrados: análise de frequência, regionalização estatística, balanço hídrico e tendências.

4 módulos previstos
Conheça o sistema

As telas, como estão hoje

Capturas reais da versão em desenvolvimento, feitas em 30/09/2026 no ambiente interno do DPM. Cores, escalas e legendas são as dos próprios sistemas. Selecione uma imagem para ampliar.

Hub. O portal lista os dez sistemas, verifica a cada 15 segundos se cada um está no ar e dá o salto para eles. É a porta de entrada da plataforma.Ampliar imagem
Conjuntura · Panorama. Anomalia da chuva do ano hidrológico 2024 em 2.840 postos, com a distribuição entre classes e a leitura ano a ano por região hidrográfica.Ampliar imagem
BHO · bacia do rio Iguaçu. A partir do nome de um rio, o sistema desenha a bacia de contribuição e resume área, rede de drenagem e topologia do trecho.Ampliar imagem
Atribuição · Panorama. Onde a vazão média anual mudou de patamar e qual parcela da mudança o clima explica, estação por estação.Ampliar imagem
Atribuição · estação. O laudo de uma estação: ruptura detectada, magnitude da mudança e repartição clima × bacia por três métodos, com a confiança declarada.Ampliar imagem
Elasticidade · visão geral. Quanto a vazão de estiagem (Q95) muda quando a chuva média cai 20%, em cada estação, segundo os sete modelos calibrados.Ampliar imagem
Clima-SIN · síntese nacional. Mudança projetada por subsistema e cenário, e a razão entre a vazão de projeto futura e a capacidade do vertedouro, reservatório a reservatório.Ampliar imagem
Clima-SIN · reservatório. A base de cada projeção: a vazão natural observada desde 1931 e a qualidade da calibração de cada modelo naquele reservatório.Ampliar imagem
Previsão · estação. Chuva prevista por três fontes, vazão observada e a faixa prevista para 15 dias. Laboratório em teste; os números são de um ciclo de setembro de 2026.Ampliar imagem
Curva-chave · estação. O acervo hidráulico de uma estação e a evolução da seção transversal ao longo do tempo, com a qualidade do conjunto classificada.Ampliar imagem
Webservice ANA · seleção. O inventário fluviométrico nacional no mapa e o fluxo guiado para baixar séries direto dos serviços da ANA.Ampliar imagem

Os mapas usam fundo cartográfico de terceiros (Esri, HERE, Garmin, OpenStreetMap), carregado pela internet quando o sistema está em uso. Nas capturas, o endereço interno do banco de dados foi ocultado.

Como funciona

Dados públicos entram, um núcleo calcula, cada sistema responde a uma pergunta

O desenho separa o que é hidrologia do que é interface. O núcleo concentra os cálculos e não tem nenhuma tela; cada sistema é uma aplicação web independente que usa o núcleo para responder à sua pergunta. Nenhum sistema depende de outro para funcionar.

Ler o diagrama em texto
  1. Dados de entrada, todos públicos: rede hidrometeorológica da ANA (HidroWeb, telemetria, medições de descarga); Base Hidrográfica Ottocodificada 2017 e BHAE 2023; chuva e evapotranspiração em grade (Xavier/BR-DWGD desde 1961 e MERGE/CPTEC desde 2000); vazão natural dos reservatórios do ONS desde 1931 e cadastro do SAR/ANA; projeções climáticas NEX-GDDP-CMIP6 (25 modelos globais, quatro cenários); previsões meteorológicas de acesso gratuito (WeatherNext, GFS/GEFS, ECMWF, AIFS).
  2. Núcleo de cálculo compartilhado, sem interface: topologia da rede de drenagem; tratamento de séries com as regras da ANA; sete modelos chuva-vazão com calibração automática por quatro funções objetivo; estatística hidrológica (curva de permanência, extremos, tempo de retorno); assimilação de estado por filtro de Kalman por conjunto.
  3. Dez sistemas web independentes, cada um com sua interface e seu serviço; nenhum importa código de outro. Os lotes de cálculo são retomáveis e não sobrescrevem resultados.
  4. Produtos: mapas interativos, séries e tabelas exportáveis, relatórios e laudos em PDF e Word, interface de programação documentada e, em todos, a incerteza declarada.
Aplicações na prevenção e mitigação

Que decisões os produtos podem apoiar

Os usos abaixo descrevem o que os produtos permitem fazer hoje e o que ainda depende de avaliação. O FERAH é uma ferramenta de apoio: a interpretação e a decisão continuam com as equipes técnicas e os gestores.

Cheias e inundações

Antecipar a vazão e situar a água no terreno

  • Estimar, com dias de antecedência, a faixa de vazão que a chuva prevista tende a produzir em uma bacia monitorada, e comparar as fontes meteorológicas. disponível em laboratório
  • Consultar, para trechos das bacias-piloto Taquari-Antas e Itajaí, a mancha de inundação associada a vazões de 2 a 100 anos de tempo de retorno. duas bacias processadas
  • Estender as manchas a outras bacias e emitir avisos automáticos quando a probabilidade de vazão alta ultrapassar um limiar. uso potencial, não implementado
Secas e estiagens

Medir a raridade do que está acontecendo

  • Saber quanto choveu e quanto correu neste ano em relação à história de cada posto, com que raridade e por quanto tempo, do mapa nacional ao hidrograma de uma estação. disponível
  • Datar eventos de seca por índices padronizados (SPI e SSI) e acompanhar a severidade acumulada. disponível
  • Estimar como as vazões de estiagem (Q95, Q7,10) de uma bacia respondem a uma queda da chuva média. disponível, com incerteza declarada
Segurança de barragens e clima futuro

Verificar se as vazões de projeto acompanham o clima projetado

  • Comparar a vazão de projeto de tempos de retorno de 100 a 10.000 anos, observada e projetada, com a capacidade dos vertedouros dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional. estudo concluído
  • Usar o resultado para priorizar reservatórios a examinar. O estudo compara afluência natural média diária com capacidade de defluência, sem amortecimento nem fator de pico: serve para priorizar, não para dimensionar. ressalva do próprio estudo
  • Levar uma mudança de vazão média projetada para toda a curva de permanência de uma ottobacia, para estudos de disponibilidade hídrica sob clima futuro. disponível
Conhecimento do território

Responder rápido às perguntas básicas de uma bacia

  • Delimitar a bacia a montante de qualquer ponto, listar os cursos d'água e exportar o contorno para um SIG. disponível
  • Obter a vazão média e as vazões características de um trecho sem estação, com classe de confiança, e gerar a série diária estimada sob demanda. disponível
  • Baixar séries observadas de vazão, chuva e cota direto dos serviços da ANA, com o diagnóstico de cada estação. disponível
Nenhum destes usos está em operação para o público. Os sistemas rodam no ambiente interno do DPM e a publicação em endereço institucional ainda não foi decidida.
Método, dados e limitações

De onde vêm os números e com que cautela lê-los

Fontes de dados

FonteInstituiçãoO que fornecePeríodo
Rede Hidrometeorológica Nacional (HidroWeb, telemetria)ANAséries de vazão, cota e chuva; medições de descarga; perfis de seção1901 → hoje
BHO 2017 5k e BHAE 2023ANArede de drenagem ottocodificada e áreas de contribuiçãoedições 2017 e 2023
BR-DWGD (grade Xavier)UFES e parceiroschuva, temperatura, radiação, umidade, vento e evapotranspiração de referência em grade de 0,1°1961 → 2022
MERGECPTEC/INPEchuva diária de satélite corrigida por pluviômetros, 0,1°2000 → hoje
Vazão natural dos reservatóriosONSafluência natural diária aos reservatórios do SIN1931 → hoje
SARANAcadastro e operação de reservatórios2010 → hoje
NEX-GDDP-CMIP6NASAprojeções climáticas diárias reduzidas a 0,25°, com correção de viés1950 → 2100
Previsões meteorológicas de acesso abertoGoogle DeepMind (via Open-Meteo), NOAA, ECMWFchuva prevista por conjunto, até 15 diasoperacional

Métodos centrais

Modelagem chuva-vazão e regionalização

Sete modelos conceituais diários (SMAP-D, IPH-D, GR4J, HBV, AWBM, SAC-SMA e uma variante do AWBM para o semiárido) calibrados por busca automática (algoritmo DDS) sob quatro funções objetivo (KGE, NSE, NSE dos logaritmos e MAPE), com validação em período separado. A regionalização replica o protocolo comparativo de Qi et al. (2022): 14 esquemas de transferência avaliados por validação cruzada deixa-uma-fora e por dois testes espaciais mais rigorosos. O esquema vencedor combina similaridade física e proximidade, com média ponderada dos hidrogramas de cinco doadores. A incerteza é calibrada empiricamente (intervalo conformal de 80%) e resumida em classes de confiança de A a D, validadas contra estações reais e contra a regionalização estatística da ANA.

Anomalia hidrológica e índices de seca

Cada posto é comparado com a sua própria série histórica, no ano hidrológico. A raridade é medida pela probabilidade empírica e pelo tempo de retorno ajustado por seis distribuições (momentos-L), com aderência exibida. Índices padronizados de chuva (SPI) e de vazão (SSI) em quatro escalas identificam eventos de seca com início, fim, duração e déficit. Um selo de estacionariedade (Mann-Kendall, Sen e Pettitt) avisa quando comparar com "a média histórica" pressupõe uma média que pode não existir.

Atribuição de mudanças na vazão

Teste de Pettitt sobre as médias anuais para detectar mudança de patamar; decomposição de Budyko/Fu com bootstrap de 5.000 amostras e modelagem contrafactual com os modelos calibrados para separar a parcela climática (chuva e evapotranspiração) da parcela não climática; curva de dupla massa como verificação independente. A classe final exige concordância entre métodos e declara a confiança. O sistema não atribui a causas específicas (irrigação, reservatório, desmatamento): diz quanto o clima explica e quanto fica para a bacia e as atividades humanas.

Projeções de vazão sob mudança do clima

Os modelos calibrados contra a vazão natural do ONS recebem chuva e evapotranspiração de 25 modelos climáticos globais em quatro cenários de emissão (SSP1-2.6, SSP2-4.5, SSP3-7.0 e SSP5-8.5), após correção de viés por mapeamento de quantis (com alternativas mantidas). O resultado é uma mudança relativa entre períodos futuros e o período de referência, resumida pela mediana do conjunto e pela sua dispersão. As vazões de projeto futuras são o quantil observado multiplicado pela mudança relativa projetada, porque os modelos reproduzem bem a média e as estiagens mas subestimam as cheias raras.

Previsão de vazão com assimilação

A mesma chuva prevista alimenta os mesmos modelos a partir do mesmo estado da bacia, atualizado por filtro de Kalman por conjunto com a telemetria da ANA; as diferenças entre provedores ficam, por construção, atribuíveis à chuva prevista. A verificação segue as práticas recomendadas para previsão por conjunto: sem vazamento de informação futura, comparação pareada, referência de persistência e de climatologia, métricas contínuas e probabilísticas por antecedência.

Cautelas de interpretação

  • Projeção não é previsão. Os resultados do Clima-SIN e da Elasticidade descrevem a resposta simulada a cenários; não dizem o que vai acontecer em um ano específico.
  • A incerteza é parte do produto. Nas projeções climáticas, o modelo climático domina a variância (56% a 82%, conforme o indicador); os intervalos e a concordância entre modelos devem acompanhar qualquer número citado.
  • Onde os modelos vão mal, o produto diz. O semiárido é a região de menor desempenho dos modelos chuva-vazão, e as classes de confiança C e D concentram-se nele.
  • Associação não é causa. A Atribuição separa parcelas estatísticas; não identifica a atividade responsável.
  • Previsão em laboratório. Os resultados da Previsão vêm de um ciclo e de um retroteste; ganhos sobre a persistência só aparecem a partir de três dias de antecedência, e a verificação continua.
  • Manchas de inundação geomorfológicas. O método HAND não representa remanso, obras nem a dinâmica da onda de cheia; a cobertura é de duas bacias-piloto.
  • Sem operação pública. Os sistemas rodam em ambiente interno; dados e resultados podem ser revisados.
Estágio e próximos passos

O que está pronto, o que está em teste e o que vem depois

Retrato de 30/09/2026, com base na documentação de estado dos sistemas (04 a 11/09/2026). Não há cronograma público; os itens previstos estão em ordem de prioridade técnica, sem data.

Concluído ou estável
  • Hub, BHO, Webservice ANA e Curva-chave estáveis; relatório técnico da curva-chave e do HydroTable/HAND-BR entregue.
  • Modelagem: acervo nacional de calibração, regionalização e aplicação às 464 mil ottobacias; relatório técnico consolidado.
  • Conjuntura: lote nacional processado.
  • Atribuição e Elasticidade: estudos concluídos, cada um com cinco publicações no padrão SEDEC.
  • Clima-SIN: conjunto completo de projeções (11/09/2026), resultados congelados na versão 1.0.
Em teste ou validação
  • Previsão: laboratório em operação interna; primeiro ciclo e retroteste concluídos; verificação prospectiva em curso.
  • Clima-SIN: nota técnica em minuta; fator pico/média diária e capacidades de vertedouro faltantes em estudo.
  • Interfaces de todos os sistemas: em desenvolvimento, sujeitas a mudança.
  • Publicação da plataforma em ambiente institucional: sem decisão.
Previsto
  • Modelagem: levar ao sistema as funções objetivo orientadas à decisão medidas no estudo do semiárido.
  • Previsão: correção da chuva prevista por antecedência; retrotestes mais longos; canal de avisos.
  • Curva-chave: estender as manchas de inundação a novas bacias.
  • Quatro módulos ainda não migrados: análise de frequência, regionalização estatística, balanço hídrico e tendências.
  • Acesso ao WeatherNext 3 e regularização de licenças de uso de dados para operação governamental.
Materiais e referências

Documentos do projeto e referências utilizadas

Documentos do projeto

Produzidos pela equipe do DPM. Não estão publicados em endereço aberto; a disponibilização se dá por solicitação à Diretoria.

  • Relatório técnico consolidado da modelagem hidrológica (PDF e Word): calibração nacional, regionalização e aplicação à BHO, com anexos sobre curva-chave/HAND e previsão.
  • Relatório técnico HydroTable/HAND-BR (PDF e Word, 33 páginas): regionalização de curvas-chave e manchas de inundação.
  • Família de publicações SEDEC do sistema Atribuição: relatório consolidado, relatório executivo, guia da plataforma, caderno de tecnologias e fichas didáticas (setembro de 2026).
  • Família de publicações SEDEC do sistema Elasticidade: cinco volumes em PDF e Word.
  • Nota técnica do Clima-SIN (minuta, 11/09/2026): impacto da mudança do clima nas vazões naturais afluentes aos reservatórios do SIN, com registro de decisões e auditorias.
  • Documentação técnica de cada sistema: metodologia, decisões, validação e limitações, mantidas junto ao código.

Referências externas

Fontes de método e de dados consultadas para esta página; o acesso exige conexão com a internet.

  1. Brasil. Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC). Câmara dos Deputados.
  2. Brasil. Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010. Política Nacional de Segurança de Barragens. Planalto.
  3. UNDRR. Terminologia do Marco de Sendai para redução do risco de desastres (2017): ameaça, exposição, vulnerabilidade e risco de desastre. undrr.org/terminology.
  4. IPCC. Annex VII: Glossary. In: Climate Change 2021: The Physical Science Basis (AR6 WGI), 2021. Definições de projeção, previsão e cenário climáticos. ipcc.ch.
  5. ANA. Base Hidrográfica Ottocodificada Multiescalas 2017 5k (BHO 2017 5k): metadados. metadados.snirh.gov.br. Portal HidroWeb: snirh.gov.br/hidroweb. Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil: snirh.gov.br.
  6. ANA. Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR). ana.gov.br/sar.
  7. Xavier, A. C.; Scanlon, B. R.; King, C. W.; Alves, A. I. New improved Brazilian daily weather gridded data (1961–2020). International Journal of Climatology, v. 42, n. 16, p. 8390–8404, 2022. doi:10.1002/joc.7731.
  8. Thrasher, B. et al. NASA Global Daily Downscaled Projections, CMIP6. Scientific Data, v. 9, 2022. nature.com. Coleção NEX-GDDP-CMIP6: nccs.nasa.gov.
  9. CPTEC/INPE. MERGE: precipitação diária combinando estimativa de satélite (GPM-IMERG) e pluviômetros. data.inpe.br/dados/merge; descrição do produto: MERGE_READ-ME (PDF).
  10. Qi, W.; Chen, J.; Li, L.; Xu, C.-Y.; Li, J.; Xiang, Y.; Zhang, S. Regionalization of catchment hydrological model parameters for global water resources simulations. Hydrology Research, v. 53, n. 3, p. 441–466, 2022. iwaponline.com.
  11. WMO. Guidelines on Ensemble Prediction Systems and Forecasting (WMO-No. 1091), 2012. library.wmo.int. Guidelines on the Verification of Hydrological Forecasts (WMO-No. 1364), 2025. wmo.int.
  12. Open-Meteo. Google WeatherNext API: conjunto de 64 membros do WeatherNext 2. open-meteo.com.

Glossário breve

Termos usados nesta página
Ameaça (perigo), exposição, vulnerabilidade e risco
Na terminologia do Marco de Sendai (UNDRR, 2017), a ameaça é o processo ou fenômeno que pode causar danos; a exposição é a situação de pessoas e bens em áreas sujeitas a ameaças; a vulnerabilidade são as condições que aumentam a suscetibilidade a esses impactos; o risco de desastre é a perda potencial, função combinada dos três e da capacidade. O FERAH trabalha sobretudo com a caracterização da ameaça hidrológica (cheias e secas).
Previsão × projeção × cenário
Segundo o glossário do IPCC (2021), previsão é a estimativa da evolução real do sistema a partir de um estado inicial (dias a anos); projeção é a resposta simulada a um cenário de emissões; cenário é uma descrição plausível e coerente de um futuro possível, não uma predição.
Prevenção e mitigação
Duas das cinco ações da PNPDEC (Lei nº 12.608/2012), ao lado de preparação, resposta e recuperação. Prevenção busca evitar o desastre; mitigação reduz o impacto quando ele não pode ser evitado.
Ottobacia
Unidade de drenagem associada a cada trecho da rede na Base Hidrográfica Ottocodificada, codificada pelo método de Otto Pfafstetter, que permite navegar montante e jusante sem consultar a geometria.
Tempo de retorno
Intervalo médio, em anos, entre eventos que igualam ou superam determinada magnitude; uma vazão de 100 anos de tempo de retorno tem 1% de probabilidade de ser superada em um ano qualquer.
Q95, Q90, Q7,10
Vazões de estiagem: Q95 e Q90 são as vazões igualadas ou superadas em 95% e 90% do tempo; Q7,10 é a mínima média de sete dias consecutivos com 10 anos de tempo de retorno.
Curva-chave
Relação entre o nível da água (cota) e a vazão em uma seção do rio, ajustada a medições de descarga; é o que transforma a leitura da régua em vazão.
Regionalização
Transferência de informação hidrológica de bacias com medição para bacias sem medição, aqui pela transferência de parâmetros de modelos chuva-vazão.
Correção de viés
Ajuste estatístico das saídas de modelos climáticos para que reproduzam a distribuição observada no período de referência, antes de usá-las em modelos hidrológicos.
Assimilação de dados
Atualização do estado interno do modelo (umidade do solo, armazenamentos) com observações recentes, para que a previsão parta da condição real da bacia.
Ministério da Integração e do Desenvolvimento RegionalMIDR
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa CivilSEDEC
Diretoria de Prevenção e MitigaçãoDPM
Página institucional do projeto FERAH · versão 1.0 Atualização editorial: 30/09/2026 Capturas de tela: 30/09/2026, interface em desenvolvimento Fonte tipográfica IBM Plex Sans, © IBM Corp., SIL Open Font License 1.1

Translation notes译文说明

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