Em validação técnica · pilotos executados Versão 0.3.2 do sistema · atualização editorial em 30/09/2026

Fluxos de detritos · Barreiras SABO

sabo-mapper

Automação do Manual de mapeamento simplificado para identificar e priorizar talvegues suscetíveis a fluxos de detritos.

Um fluxo de detritos é uma corrida rápida de água, solo, blocos e troncos por um vale encaixado. O sabo-mapper executa, de forma reprodutível e auditável, o procedimento do manual da SEDEC/MIDR com a JICA e o SGB para qualquer município ou bacia do país, estima volumes pelo método GIDES, simula manchas de alcance e mostra como cenários de mudança do clima alteram o dimensionamento. É uma triagem de escritório: aponta onde priorizar vistoria, estudo e projeto.

Acesso ao sistema: o sabo-mapper roda na estação do técnico ou em servidor institucional com autenticação. Não há endereço público; esta página apresenta o projeto com capturas reais.

Captura real da versão 0.3.2 (30/09/2026): pontos do talvegue sobre o relevo do ANADEM, em Nova Friburgo/RJ, com o ranking por convergência dos quatro métodos do manual. Interface em validação.

Problema e importância

Saber onde um fluxo de detritos pode começar, antes de decidir onde intervir

O manual existe desde 2023 e foi revisado em segunda edição. Aplicá-lo à mão, município a município, custa semanas de trabalho em SIG.

Fluxos de detritos estão entre os processos mais destrutivos da região serrana do Rio de Janeiro, do litoral paulista e de outras áreas de encosta do Brasil. Eles nascem em pequenas bacias íngremes, ganham volume ao longo do talvegue e depositam material onde o vale se abre, muitas vezes sobre áreas ocupadas.

A cooperação Brasil–Japão (Projeto GIDES) trouxe a experiência japonesa de barreiras SABO, obras de contenção de sedimentos construídas no próprio talvegue. Para orientar onde essas obras fazem sentido, a SEDEC/MIDR, a JICA e o SGB publicaram o Manual de mapeamento simplificado: um roteiro de escritório que, a partir do relevo, da drenagem e da ocupação, identifica e prioriza os talvegues suscetíveis.

O roteiro é claro, mas manual: dezenas de operações em SIG, critérios numéricos aplicados a milhares de pontos e contagens de exposição por polígono. O sabo-mapper foi criado no DPM para executar esse roteiro de forma automática, com cada parâmetro rastreável ao manual e cada resultado acompanhado de um registro de auditoria.

Onde o processo nasce

O manual trabalha com a bacia hidrográfica como unidade e com o talvegue classificado pela declividade: acima de 10° o fluxo ganha energia; entre 2° e 10° ele escoa e deposita.

Quem está exposto

A exposição é medida com os endereços do Censo 2022 (CNEFE/IBGE): domicílios, escolas e unidades de saúde dentro de cada polígono de risco.

O que a priorização entrega

Uma lista ordenada de talvegues por quatro métodos do manual, para orientar vistorias de campo e propostas de obras de mitigação.

O que o projeto oferece

Do manual ao produto, em três camadas

Cada capacidade traz seu estado atual. “Implementado” significa código testado e exercitado em pilotos; não significa aceite institucional.

Implementado · pilotos

Mapeamento simplificado em nove estágios

Reproduz as etapas do manual (2ª ed.): área de estudo, modelo de terreno, drenagem, declividade, pontos do talvegue, polígonos de risco, exposição, priorização e relatório. A área pode ser um município, uma ottobacia da ANA, a bacia a montante de um ponto ou um polígono. Os produtos saem em GeoPackage, projeto QGIS, tabela de ranking e relatório HTML/DOCX.

Implementado

Revisão humana obrigatória

O processamento pausa depois dos polígonos de risco. O técnico revisa e ajusta no QGIS; a edição é detectada e registrada antes de a exposição e a priorização continuarem.

Implementado

Exposição e priorização

Contagem de domicílios, escolas e unidades de saúde por polígono (CNEFE 2022) e ranking pelos quatro métodos do manual, com indicação de quantos métodos convergem para cada talvegue.

Implementado · preliminar

Estimativa GIDES por talvegue

Cadeia oficial dos manuais do Projeto GIDES: chuva de projeto, concentração, volumes, vazão de pico, profundidade e velocidade, força de impacto e faixa de perigo. Cada valor sai com faixa de sensibilidade e pré-dimensionamento preliminar de barreira, com ficha, pranchas e dossiê em PDF.

Implementado · não calibrado

Manchas de alcance (runout)

Motor próprio de propagação sobre o modelo de terreno, alimentado pelo volume GIDES, gera a mancha provável de deposição em três cenários de mobilidade. Ainda sem calibração com cicatrizes reais: uso apenas comparativo e de triagem.

Implementado

Cenários de mudança do clima

Projeções NEX-GDDP-CMIP6 (NASA) convertidas em fator de mudança da chuva de projeto, por cenário de emissão, período e percentil do conjunto de modelos. O fator entra no volume e nas manchas, e a ficha mostra a diferença entre o dimensionamento atual e o futuro.

Implementado

Interface web, linha de comando e auditoria

Assistente de três passos, mapa 2D/3D com relevo real, abas de ranking, GIDES, manchas e clima, em português, inglês e japonês. Todos os 126 parâmetros têm valor padrão, faixa física e fonte no manual; alterar um valor oficial gera aviso e fica registrado no manifesto da execução. Distribuição em pacote instalável para Windows e imagem Docker para servidor.

Implementado código com testes automatizados, exercitado nos pilotos Em validação funciona, mas depende de calibração ou de aceite técnico Previsto planejado, ainda não desenvolvido

Conheça o sistema

Telas reais da versão 0.3.2

Capturas feitas em 30/09/2026 na instalação de desenvolvimento, com o piloto de Nova Friburgo/RJ. Clique para ampliar. Interface em validação; os dados são de pilotos.

Produtos gerados

Documentos que saem da ferramenta

Arquivos reais gerados em 16/09/2026 para o piloto de Nova Friburgo. Estimativas preliminares, para triagem; cada folha traz o aviso de revisão especializada obrigatória.

Como funciona

Entradas públicas, um roteiro fixo e produtos auditáveis

Todas as fontes são oficiais e de acesso aberto, exceto os endereços do CNEFE, que a ferramenta trata como dado pessoal e só serve com autenticação.

Dados de entrada

  • Modelo digital de terreno ANADEM, 30 mANA e UFRGS-IPH, licença CC BY 4.0
  • Ottobacias de nível 7 (BHO 2017)Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico
  • Malha municipalIBGE
  • Endereços do Censo 2022 (CNEFE)IBGE · domicílios, ensino e saúde
  • Moradores por domicílioIBGE, SIDRA, Censo 2022
  • Projeções climáticas NEX-GDDP-CMIP6NASA · 34 modelos · 4 cenários SSP
  • Chuva de projeto documentadaposto pluviométrico e ajuste informados pelo técnico

Processamento — os nove estágios do manual

  1. Área de estudomunicípio, ottobacia, bacia a montante ou polígono
  2. Terrenomosaico do ANADEM reprojetado para UTM
  3. Drenagemextraída com limiar de 72 células
  4. Declividadeem graus, sobre o modelo de terreno
  5. Pontos do talvegueclassificados a cada 30 m
  6. Polígonos de riscoregra do manual + pausa para revisão humana
  7. Exposiçãoendereços do CNEFE por polígono
  8. Priorizaçãosomatório, ponderação, normalização e desvio
  9. RelatórioGeoPackage, QGIS, ranking, HTML e DOCX
azul: abaixo de 2° verde: 2° a 10° vermelho: acima de 10° polígono de risco: abre no primeiro verde após vermelhos e fecha após três azuis seguidos, com faixa de 50 m
Módulo GIDEScadeia oficial por polígono, com faixas de sensibilidade
Módulo runoutpropagação sobre o terreno com o volume GIDES
Módulo climafator de mudança e tempo de retorno equivalente

Produtos

  • GeoPackage com todas as camadas do manualabre no QGIS com estilos prontos
  • Ranking dos talveguesquatro métodos e convergência
  • Relatório HTML e DOCXcom anexo de parâmetros e desvios
  • Fichas, pranchas P1–P3 e dossiê por polígonoPNG e PDF, trilíngues
  • Manchas presente × futuroGPKG, GeoJSON, KMZ, CSV e mapa comparativo
  • Manifesto de auditoriafontes com hash, configuração, avisos e desvios de valores oficiais

A regra dos polígonos de risco, a mais delicada do manual, foi implementada como uma máquina de estados determinística e verificada por reimplementação independente: os 530 pontos selecionados no piloto de Nova Friburgo foram reproduzidos exatamente. As equações do módulo GIDES foram conferidas contra os casos numéricos publicados nos manuais do projeto.

Método, dados e limitações

O que sustenta os números e o que eles não dizem

Mapeamento simplificado, de escritório, com terreno de 30 m e dados secundários. Não substitui vistoria de campo, estudo geotécnico nem projeto de engenharia.

Fontes e atualização dos dados

DadoFonteUso no projeto
Terreno (30 m)ANADEM v1, ANA/UFRGS-IPHpublicado em 2024drenagem, declividade, faixa HAND, propagação
BaciasBHO 2017, ANAottobacias de nível 7área de estudo e bacias de análise
Limites e populaçãoIBGEmalha municipal e SIDRA, Censo 2022área municipal, moradores por domicílio
EndereçosCNEFE, Censo 2022, IBGEdado pessoal: servido só com autenticaçãodomicílios, ensino e saúde por polígono
ClimaNEX-GDDP-CMIP6, NASAmáximas diárias anuais, 0,25°fator de mudança da chuva de projeto
Chuva de projetoposto pluviométrico + ajuste de Gumbelinformados e documentados pelo técnicoentrada obrigatória do módulo GIDES
Como o clima entra no dimensionamento

Para a célula da grade climática que contém o alvo, a ferramenta ajusta a mesma distribuição de frequência ao período histórico (1985–2014) e a cada período futuro de 30 anos de cada modelo. A razão entre a chuva de 100 anos futura e a histórica é o fator de mudança; ele multiplica a chuva de projeto observada no posto, e nunca substitui o valor absoluto do modelo. O mesmo raciocínio dá o tempo de retorno equivalente: com que frequência a chuva de 100 anos de hoje tende a ocorrer no futuro. Os resultados são sempre apresentados como percentis entre os modelos (mediana e faixa 10–90%), nunca como um número único.

Como o volume vira uma mancha

O volume de projeto do módulo GIDES é o volume inicial da propagação. O motor caminha pelo terreno com uma linha de energia, deposita material ao longo do percurso, limita a espessura do depósito com o volume e espalha o fluxo lateralmente até a superfície do escoamento. A física atual (versão 0.2.0, de setembro de 2026) responde ao volume e não depende do tamanho do pixel, ao contrário da versão anterior. Três cenários de mobilidade (baixo, central e alto) formam um envelope, não uma probabilidade. O modelo não foi calibrado com cicatrizes de eventos reais: essa calibração é a próxima etapa.

Verificação independente já realizada

Em julho de 2026, sete revisões independentes reexecutaram os blocos do roteiro de validação do projeto: fontes e hashes, regra dos polígonos, cadeia GIDES, clima, runout, interface e um bloco adversarial. Os seis primeiros confirmaram os resultados; o bloco adversarial refutou quatro itens, todos corrigidos e cobertos por testes na mesma data. Essa verificação atesta consistência interna e aderência às fontes. O aceite institucional e a plausibilidade em campo continuam sendo tarefas humanas.

Cautelas de interpretação

  • Terreno de 30 m. O modelo não resolve a calha nem o microrrelevo; larguras de seção e sítios de barreira são ordem de grandeza. Anteprojeto exige topografia de detalhe.
  • Manchas preliminares. O motor de propagação não está calibrado; use as manchas para comparar cenários e priorizar, não para delimitar áreas de risco.
  • Cenários não são previsões. Os percentis entre modelos climáticos expressam dispersão de projeções, não probabilidade de ocorrência num ano.
  • Chuva de projeto por posto único. A chuva de projeto é informada pelo técnico; para Teresópolis o piloto usa provisoriamente o posto de Nova Friburgo.
  • Escala da bacia. Avaliado em ottobacias grandes, o critério de declividade média de 10° reprova vales que sofreram fluxos em 2011. No modo bacia, a ferramenta usa sub-bacias de 1 km², desvio declarado e ainda em avaliação.
  • Exposição por coordenada. A contagem usa a coordenada do endereço do Censo; a política institucional de divulgação desses dados ainda está em definição.

Estágio e próximos passos

Onde o projeto está em setembro de 2026

Situação registrada no diário de desenvolvimento do projeto. Não há cronograma público; as etapas previstas dependem de decisões e de dados que ainda não estão disponíveis.

Concluído

  • Pipeline dos nove estágios com revisão humana, exposição e priorização (julho de 2026).
  • Módulos GIDES, runout e clima integrados à interface web e à linha de comando.
  • Quatro pilotos processados de ponta a ponta (tabela abaixo).
  • Verificação por sete revisões independentes e correções decorrentes (30/07/2026).
  • Manuais do usuário e metodológico, registro de parâmetros e diário de decisões.
  • Distribuição: pacote instalável para Windows e imagem Docker; versão 0.3.2 (04/09/2026).
  • Motor de runout corrigido para responder ao volume (versão da física 0.2.0, 16/09/2026); pranchas P1–P3 e dossiê da barreira.

Em validação

  • Plausibilidade em campo dos polígonos, manchas e sítios de barreira, com roteiro de validação humana.
  • Granularidade da bacia de geração (sub-bacias de 1 km²) no modo bacia.
  • Leitura climática no dimensionamento: a folga da barreira por cenário como apoio à decisão.
  • Chuva de projeto de Teresópolis, hoje provisória.
  • Aceite institucional dos produtos para uso em propostas da Modalidade SABO.

Previsto

  • Calibração do runout com cicatrizes mapeadas dos eventos de 2011 na região serrana.
  • Manchas para o município inteiro, hoje geradas por alvo selecionado.
  • Projetista interativo de barreiras com verificações estruturais.
  • Automação do posto pluviométrico mais próximo para a chuva de projeto.
  • Política de compartilhamento dos dados do CNEFE nos produtos.

Pilotos executados

ÁreaModoQuandoObservação
Nova Friburgo/RJmunicípiojulho de 2026piloto de referência; GIDES, manchas e fichas; base das capturas desta página
Teresópolis/RJmunicípiojulho de 2026chuva de projeto provisória (posto de Nova Friburgo)
Caraguatatuba/SPmunicípiojulho de 2026calibração da regra dos polígonos contra o caso de estudo do manual
Bacia do Córrego D'Antas (Nova Friburgo)bacia por ponto, 53 km²julho de 2026piloto do modo bacia, com manchas em dois cenários climáticos

Resultados dos pilotos são demonstrativos e preliminares; não foram objeto de vistoria de campo.

Materiais e referências

Documentos que fundamentam o método

Links externos exigem conexão com a internet. Os manuais do projeto (usuário e metodológico) acompanham a distribuição do sistema.

Manuais e método

  1. SEDEC/MIDR, JICA e SGB. Manual de mapeamento simplificado para identificação preliminar e priorização de talvegues suscetíveis à ocorrência de fluxos de detritos, visando a implantação de barreiras SABO. 2ª edição, Brasília, 2026. Publicações da SEDEC no portal gov.br
  2. Ministério da Integração Nacional / SEDEC e JICA. Manual Técnico para Concepção de Intervenções para Fluxo de Detritos. Projeto GIDES, volume 4, edição 2018. PDF no site da JICA
  3. Serviço Geológico do Brasil. Saiba mais: Projeto GIDES-JICA (cooperação técnica Brasil–Japão, 2013–2017). sgb.gov.br
  4. UNDRR. Terminologia de redução do risco de desastres: hazard, exposure, vulnerability e disaster risk. undrr.org/terminology
  5. Corominas, J. The angle of reach as a mobility index for small and large landslides. Canadian Geotechnical Journal, 33(2), 1996. doi:10.1139/t96-005 · Iverson, R. M.; Schilling, S. P.; Vallance, J. W. Objective delineation of lahar-inundation hazard zones. GSA Bulletin, 110(8), 1998. doi:10.1130/0016-7606(1998)110<0972:ODOLIH>2.3.CO;2 — relações empíricas usadas no motor de propagação.

Bases de dados

  1. Laipelt, L. et al. ANADEM: A Digital Terrain Model for South America. Remote Sensing, 16(13), 2321, 2024. doi:10.3390/rs16132321
  2. ANA. Base Hidrográfica Ottocodificada Multiescalas 2017 (BHO 2017). Catálogo de metadados do SNIRH. metadados.snirh.gov.br
  3. IBGE. Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (CNEFE), Censo Demográfico 2022. ibge.gov.br
  4. Thrasher, B. et al. NASA Global Daily Downscaled Projections, CMIP6. Scientific Data, 9, 262, 2022. doi:10.1038/s41597-022-01393-4 · página do conjunto de dados (NASA NCCS)

Perguntas frequentes

O sabo-mapper indica onde vai ocorrer um fluxo de detritos?
Não. Ele identifica talvegues que atendem aos critérios físicos do manual e os ordena pela exposição. É uma triagem para orientar vistoria e estudo; não prevê eventos nem define áreas de risco por si só.
Posso usar a ferramenta no meu município?
A ferramenta processa qualquer município ou bacia do Brasil a partir de dados públicos. O acesso, porém, é institucional: ela é distribuída pelo DPM/SEDEC como pacote instalável ou servidor com autenticação, e seus resultados ainda estão em validação técnica.
Os valores oficiais do manual podem ser alterados?
Podem, porque a calibração faz parte do método. Toda alteração de um valor oficial gera aviso na tela e fica registrada no manifesto da execução e no anexo do relatório, com o valor usado, o valor oficial e a fonte.
Translation notes译文说明

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